O dia estava nascendo com
rompantes de luz, mas apenas um feixe muito claro atingiu diretamente a morada
de Vanisa, que estava havia muito tempo em seus afazeres matinais. Ao abrir a
porta foi ofuscada pelo clarão que a estonteou, obrigando-a a se proteger. No
mesmo instante, a claridade arrefeceu cobrindo tudo em um tom mais aquecido.
Passado o susto, desceu ao jardim para regar o guanandi que crescia viçoso e
dar alguns grãos para a gaivota e seus filhotes que todas as manhãs vinham
visita-la.
Desceu do alpendre e percebeu
que o rastro luminoso acompanhava seus passos até o momento de encontrar um
velho marujo – desconhecido na vila – e que a estava aguardando, junto à um grande
barco a vela: coisa rara por aqui. Nem
bem o havia cumprimentado quando o velho pescador lhe estendeu a mão
convidando-a a subir na embarcação. Vanisa não pensou duas vezes aceitando o
convite porque, havia dentro dela, uma ansiedade inexplicável que, de certo
modo, a impelia a voltar ao mar.
O oceano parecia aguardar os
dois aventureiros, levando o barco adiante das ondas praieiras com leveza e
suavidade. Neste momento, a luz se acomodou fazendo cintilar as marolas do
incessante vai e vem das profundezas. O marujo seguia com seu olhar firme
deixando que a Princesa do Mar aproveitasse o momento sem fazer perguntas,
afinal, ele sabia que o coração dela os levariam ao destino.
Em pouco tempo apontou no
horizonte um caminho que levava a uma ilha com características inusitadas, pelo
que se podia vislumbrar, ainda de longe. Vanisa estendeu o olhar ao mesmo tempo
em que o raio de sol apontava para o local e, sem mais demora, o marinheiro
enfunou as velas ganhando velocidade em direção à ilha.
Os impetuosos aventureiros
aportaram às margens da ilhota formada por relíquias marítimas de corais raros,
plantas abissais e conchas milenares.
Seguiram por um caminho de grama-marinha ladeado pelas anémonas. De
repente, o fulgor que os havia acompanhado iluminou a cúpula de um farol muito
antigo, feito de cobre raro e desenhos reais. Vanisa deixou-se levar pela
emoção e foi acompanhada de perto pelo pescador, que de certo modo, já conhecia
o artefato, assim como sua origem. Mudos, os dois buscaram forças e,
cuidadosamente, levaram a preciosa carga para o barco. Não houve necessidade de
palavras. Seus olhos se encontraram e, silenciosamente, entenderam a origem da
descoberta.

