“...Voltei cedo demais, pensando
que já estaria tudo resolvido. Foi então que eu percebi que existe o inevitável
mantra: não tem volta.
A volta que a valsa determina
segue o ritmo da inspiração orquestrada pelo diapasão, onde cada passo se
encaixa no esmero do som.
Perdi a volta que o mundo dá,
distraindo-me com os pés fixos no chão - os ouvidos moucos ao presente e olhos
fechados para a maré de mudanças.
Sempre penso em voltar, porém,
quando busco o tempo de lá, ele não existe mais; ou talvez, quem sabe, apenas tenha
sido uma memória inventada.
Ao voltar atrás, não encontrei o
passado à minha espera
mas sim, a recontagem assustadora
das passadas que seguiram em frente.
As tantas voltas com que a vida
estremece, vez ou outra faz-se necessário prendê-las em um cordão mágico,
impedindo que a vida continue girando sem mim....”

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