sábado, 1 de agosto de 2026

O Holofote de Verônica - Contos de Ficção

 


Verônica ainda estava atordoada com os últimos acontecimentos dentro do casebre improvisado, que serviu em sua fuga como morada, estacionada entre a areia da praia e o oceano, após sua queda do camburão. A partir daquele momento seu circuito não conseguiu se retroalimentar adequadamente, rompendo aqui e ali os cabos de energia que, ao invés de danificar a máquina, acenderam os sensores da sua parte humanoide, materializada pela estrutura sintética da sua estrutura, criando duas forças: a do espírito e da engrenagem.

Esses pensamentos vagavam pelos chips de silício de certa forma confrontando-se com alguns neurônios instalados a partir do erro na fábrica. Eram eles, na verdade, que tumultuavam o sistema, fornecendo a dúvida e a ansiedade no dia a dia da Cyborg. Esta, mesmo não necessitando do sono humano, possuía uma trava de desligamento temporário que acionava quando não sabia como agir.

Foi entre um momento e outro que uma réstia de luz vazou do telhado de zinco e espelhou a composição nervosa que compreendia fios, chips, cabos e impulsos elétricos. O feixe solar adensou o ar e o transformou em poeira cósmica, a qual se espalhou singelamente pela mobília, objetos e ferramentas, envolvendo Verônica, praticamente a fazendo levitar.

Deste jeito, irreal, a centelha discreta foi se imiscuindo entre a carcaça semiviva de Verônica dando a ela a chance de perceber que as cores às quais ela estava tendo acesso, provinham de uma antena interna, montada de gambiarras enquanto ela juntava seus pedaços espalhados no assoalho. O holofote solar foi acomodando as partículas minúsculas, ora em seus olhos digitais, ora no cérebro de silício e no coração de luz, que superaquece gerando a febre física do amor.

 

 

 

 

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