Ficar traz muitas lembranças no
meu íntimo e a dúvida que nem existia, surge devagarinho, como se apenas a
intenção pudesse partir ou permanecer.
Eu fiquei admirada muitas vezes,
mais do que deveria, porque o que se apresentava, na maior parte das vezes, não
merecia a atenção e muito menos consideração.
Depois de tantas vezes resolver
que não arredaria pé de onde eu estava, a vida vem e me arrebata, nem sempre
para me salvar.
Ficar preocupado traz à tona os
pensamentos aleatórios de resolução, muitas vezes falsos. Afinal, o final feliz
é a bandeira de entrada para tudo e todos.
Ficar pode ser bonito e doloridos se
pensarmos no que deixamos de ser.
Tenho medo de ir sem motivo, e
receio de ficar olhando a vida passar através da janela implacável do tempo.
Fico sempre feliz no entardecer
porque, por pior que esteja a vida, a natureza nua e crua mostra que é hora de
levantar e ir.
Fico na penumbra antes de adormecer
para que a escuridão chegue de mansinho, clareando minha inconsciência.
Ficar com os pensamentos à deriva,
sem que exista nem perto nem longe uma possibilidade de assunto é o pote de
ouro que fica do outro lado do arco-íris.
Fico em dúvida se devo me apegar
às palavras que me vêm aos lábios a todo momento ou se as deixo livres no papel,
com vida própria.
Fico sempre à mercê dos assuntos
que me assaltam à noite porque são eles que brotam da minha inconsciência.

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