sábado, 15 de agosto de 2026

A Luva Mágica de Verônica - Contos de Ficção

 


O dia estava muito iluminado e estranhamente calmo, com o mar verde cristalino encantando os olhos digitais de Verônica que, recentemente, foram lubrificados com a poeira cósmica, que veio apaziguar os desencontros de encaixe. Ela estava bem acomodada e confortável na poltrona da bancada de madeira rústica, frente ao janelão com vista para a praia. Todos os aparelhos e telas eletrônicas estavam devidamente revisados e organizados, compondo o ferramental do qual necessitava para manter a parafernália de sua composição.

A Cyborg, ao ser jogada na praia como descarte de máquina avariada, chegou ao chão em meio a muitos equipamentos, que ela já recolheu e organizou. Afora isso, muitas caixas lacradas acompanharam o bota-fora e estas foram selecionadas sem serem abertas, uma vez que a urgência, era fazer sua engrenagem funcionar minimamente. Depois de alguns percalços e enganos, aparentemente, as funções estão sendo restabelecidas. Com exceção, é claro, de novidades fora do espectro da máquina que andam surgindo. Aliás, hoje, Verônica exibiu um sorriso de quartzo, demonstrando um determinado senso de humor e mistério.

Animada com os últimos resultados de sua experiência de vida, ficou pensativa, olhando as ondas do mar Das quais ela já havia chegado tão perto. Emocionada, a luz do peito se agrandou e, sem querer, focou em uma pequena caixa que estava ao lado dos aparelhos da casa que nunca havia chamado a sua atenção. Se tratava-se de um pacote muito bem embalado, em um papel de seda azul- escuro, com um laço de fita amarelo-brilhante.

Ao desembrulhar o pacote, sentiu que a mão mecânica tinha certa dificuldade de articulação nas juntas, fato em que ela jamais havia reparado, talvez porque, suas mãos foram fabricadas à feição do trabalho que iriam desempenhar. Acomodou-se melhor na bancada e, vagarosamente, como lhe foi permitido, retirou o lindo papel de embrulho, surgindo de dentro da caixa uma luva – apenas uma.

Com determinação, ela vestiu a peça feita com material leve e macio na sua mão mecânica que, surpreendentemente, se moldou com suavidade, estremecendo seu corpo com leveza. Os seus olhos de vidro, que captam com profundidade a luz e forma, brilharam intensamente ao se deparar com um pingente de quartzo alinhavado no punho da luva. Verônica sentiu um circuito sutil atravessar seu corpo, despertando uma memória desconhecida em seu processador.  Comovida com a quentura que permaneceu em suas juntas, retirou a luva, depositando-a de volta na linda embalagem.

 

 

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