Sorrir destrava a alma que, mesmo
sem querer, transborda um sentimento que nem sempre é de alegria, cabendo ali
apenas um esgar protocolar.
O sorrir nunca vem sozinho. Pode
vir acompanhado de uma ironia fina, de uma falsidade, de um engano e de lábios
sem sentido.
Sorrir não é engraçado porque o
que ele carrega é misterioso sendo usado para trair, mentir, enganar.
Um sorriso não significa nada se
vem acompanhado de astúcia para promover o engano.
Sorrir sem querer demonstra que o
caminho está sempre livre para enxergar um mundo que valha a pena.
Deixar de sorrir afeta apenas a
imagem no espelho que por dever de função tem de ser fiel ao que lhe é
apresentado.
Um sorriso negado mostra a chaga
aberta deixada em seu coração, quer queira quer não.
Os lábios não sabem sorrir se
inexiste um motivo genuíno que o faça transbordar.
As travas do sorriso acometem a
todos sem distinção, de dor ou de amor.
O sorrir falso não tem serventia a
não ser enganar a si mesmo.
O sorriso da alma é universal,
mesmo em tempos sombrios.

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