terça-feira, 18 de agosto de 2026

O Começar - Contos do Coração

 


O começar vem de súbito, muitas vezes provocando a fuga. Em outras, ele pode vir devagarinho e nunca chega ou sequer se inicia, deixando um vácuo de não existir.

O começar pode chegar todos os dias igual: pela manhã, como se fosse um mantra obrigatório; pela tarde preguiçosa que nunca demonstra o principal, que está oculto.

O recomeçar é o apagar do que foi dito ou feito que não se mostrou capaz de sobreviver naquele tempo urgente em que se apresentou.       

O começar chega disfarçado de intenções se imiscuindo pelas frestas, pelas janelas escancaradas, portas mal fechadas e o silencio pesado de conversas interrompidas.

O começar surge de algum ponto morto que teve a intenção de destravar atitudes permanentes que se enraizaram em solo árido.

O começar é uma força que não tem nome, rosto ou alma, porque nasce apenas de um desejo invisível de propósito.

O começar aparece a todo momento, mas escorrega na imperceptível intenção, por ser evasivo e traiçoeiro, não demonstrando razão em sua totalidade.

O começar real se sobressai no silêncio e no surgimento de uma reflexão genuína, profunda e santa.

O começar tem muitas facetas distribuídas em vários caminhos, todos aceitáveis, desde que não haja espaço para propostas dúbias.

O meu começar é sempre frente ao espelho em conversas infindáveis, trocando letras por reflexos,  imagens por enigmas e respostas fatais.

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