O começar vem de súbito, muitas
vezes provocando a fuga. Em outras, ele pode vir devagarinho e nunca chega ou
sequer se inicia, deixando um vácuo de não existir.
O começar pode chegar todos os
dias igual: pela manhã, como se fosse um mantra obrigatório; pela tarde
preguiçosa que nunca demonstra o principal, que está oculto.
O recomeçar é o apagar do que foi
dito ou feito que não se mostrou capaz de sobreviver naquele tempo urgente em
que se apresentou.
O começar chega disfarçado de
intenções se imiscuindo pelas frestas, pelas janelas escancaradas, portas mal
fechadas e o silencio pesado de conversas interrompidas.
O começar surge de algum ponto morto
que teve a intenção de destravar atitudes permanentes que se enraizaram em solo
árido.
O começar é uma força que não tem
nome, rosto ou alma, porque nasce apenas de um desejo invisível de propósito.
O começar aparece a todo momento,
mas escorrega na imperceptível intenção, por ser evasivo e traiçoeiro, não
demonstrando razão em sua totalidade.
O começar real se sobressai no
silêncio e no surgimento de uma reflexão genuína, profunda e santa.
O começar tem muitas facetas
distribuídas em vários caminhos, todos aceitáveis, desde que não haja espaço
para propostas dúbias.
O meu começar é sempre frente ao
espelho em conversas infindáveis, trocando letras por reflexos, imagens por enigmas e respostas fatais.

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