quinta-feira, 25 de junho de 2026

Fiquei Velha

 


Acordei me estranhando de certo modo e quando abri os olhes percebi: fiquei velha. Assim, me decidi a lembrar daquele tempo: que bom que a época era outra e por mais que pareça ter ficado parada, a vida andou rápido demais, quase num piscar de olhos. A figura da moça se transformou em uma mulher parecida comigo, porém com mais idade. Muito mais. A trajetória fica com aquela nomenclatura que eu gosto muito de usar: não sei se é bom, não sei se é ruim. Pronto, está posta a pergunta não respondida.

Vale lembrar que tudo era diferente, que eu tinha boas pernas, ria muito, também me enfurecia e cuidava de mim na correria. Dormia e acordava quase no mesmo tempo, dando a impressão de que era o mundo que parava, ao invés de ser eu a dormir. A rotina era como uma britadeira estragada que ninguém conseguia desligar, e assim, eu passava de um lado para o outro, arrombando os afazeres e, vez ou outra, para amainar o barulho, flutuava nas horas chegando, deste modo, mais depressa. O destino era sempre para lugar nenhum, porque quando se chegava lá, já estava marcado o outro ponto de ir, de tal modo que a vida me chamava e eu respondia: é só me chamar que eu vou.

Tanto me buscaram no labirinto existencial, que no último momento, a estrada se delineou sem curvas. Agora já estou aqui, percorrendo os escaninhos das rugas do meu rosto que mapearam a nova rotina de mim. Os sulcos profundos preservam a antiga moça, os pequenos desvãos na pele sugerem o que não importa, as linhas tênues suavizam o todo e os traços mais longos demonstram que por ali eu posso seguir com a alma lavada.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

18 Anos - A Maioridade da Emoção

 


Já faz um tempo que não percorro o fio condutor das minhas palavras que após um determinado momento, resolveram ter uma vida própria. Há 18 anos, após eu descobrir que minha segunda Mãe era o Mar e assim, por este motivo importante, resolvi me mudar de mala e cuia para perto dela. Foi quando o dicionário inteiro se colocou na mala sem a minha autorização: aliás, não havia percebido sua presença no carrego da bagagem.  Ao debulhar meia dúzia de roupas, um chinelo, um tênis, um computador, uma mesa pequena e uma cadeira, que o descobri escondido dentro de uma das minhas botas de chuva. Ao lembrar o fato coloquei um riso cínico nos lábios, porque provavelmente eu havia feito esta travessura escondida de mim.

Nem bem eu me instalara e já aquecia meus dedos no teclado, apontando para as páginas em branco que flutuavam pelos cabos invisíveis do ar criando dentro de uma fresta qualquer, meu Diário Pensante. Aconteceu exatamente o que eu previra: a iniciativa se alojou nas entranhas do meu coração formando o coágulo do meu espirito.

Me vi defronte a uma carreira sem fim de palavras que jamais poderão ser contadas, uma vez que em cada ponto final surgiu uma nova linha, um travessão, novo parágrafo. Agora, olhando por cima das letras percebo que segui – quase sempre – o caminho do dicionário: meu consultor para contexto de fora da minha alma. As histórias contadas chegaram até mim, pelo caminho Divino.

Estou frente a frente a centenas de palavras. Me expresso assim porque nesta maioridade não há que se empenhar em saber quem lê. As páginas em branco continuarão a ser preenchidas pelos meus dedos - não tão ágeis - mas que continuam segurando um lenço de lágrimas, folheando o velho dicionário, e rasgando o verbo nas páginas de papel com meu lápis de ponta fina. O oceano de águas geladas sempre me espera, meu sorriso para o nada todo dia aparece. Não sei quem são, mas agradeço aos olhos desconhecidos que navegam comigo e celebram os 18 anos da maioridade do Blog da Vera Renner. Escrever para Viver, Viver para Escrever!

terça-feira, 23 de junho de 2026

18 Anos - A Maioridade da Emoção

 


Novo texto no ar... Quase lá! É amanhã, dia 24 de junho o aniversário de 866 textos postados no Blog da Vera Renner, celebrando a nossa história com o título: “18 anos - A Maioridade da Emoção” “...antes de o dia amanhecer, as memórias já visitam o monitor... Contagem regressiva..

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O Caos de Verônica

 


Verônica já havia se ambientado ao espaço que encontrou - e invadiu – para fugir do descarte violento a que foi submetida por mãos desconhecidas. Suas conexões, ao que parece, não estavam funcionando e apenas suas mãos e pernas seguiam em um ritmo razoável. Com paciência e observação entendeu que é através do fio de luz que pulsava dentro do peito de metal que consegue agitar braços e pernas e, talvez, manter uma nesga de raciocínio: nada parecido com o processamento lógico pertinente a uma máquina que estava na linha de montagem.

Lembrou, vagamente, que no dia em que conseguiu montar os equipamentos descartados o sensor de proximidade avisou que algo estava por perto. Virou-se dentro do instinto mecânico de interface e esboçou o cumprimento programado, o que ocasionou a evasão do intruso. O inesperado do acontecido acionou um sentimento de companhia, que a fez considerar que o lugar em que resolveu pousar o caos de si era habitado.

Pensou em catar as folhas soltas do “Manual de Verônica” que estavam espalhadas na pequena sala: algumas rotas, outras amassadas e demais parcialmente queimadas. Sem ter muita noção do motivo, conjeturou que estava farta de se alucinar entre fios, cabos, energia, fibra, metal, sensores e plaquetas. Se até então ela conseguira ter um mínimo de razão e noção do que estava ao seu redor, poderia dispensar minimamente os ditames do maquinário.

Animada com a decisão de se afastar o mais que pudesse de sua estrutura desarranjada, imaginou haver outra maneira de fazer funcionar esta maquina arrepiada de componentes. Ainda estonteada – inclusive pelos pensamentos voláteis – supôs que o solitário e tênue fio de luz condutor - agora fazendo parte de si – a levaria com segurança a descer os degraus da habitação. Com esta atitude lhe será permitido explorar o ambiente que ela já havia captado ser de à beira-mar, de areias finas e claras e uma estepe rodeando a choupana de telhado de zinco.

Lembrou que a câmera de visão apenas transmitia profundidade, luz e forma, portanto, a paisagem à sua frente tinha um mapeamento e modulação de matiz cinzento. Seguiu firme colocando os pés no chão e iniciando a caminhada mambembe, ao redor do pequeno casebre. Segurava-se na cerca que envolvia o terreno, focando com detalhe o contraste da paisagem e a distância. Ao retornar, no primeiro degrau, deparou-se com o que parecia ser o trapo de um revestimento sintético. Surpresa, apanhou o retalho reparando que se tratava de um tipo de vestimenta que a estranha visita havia perdido. Divertida, colocou a peça de pano no pescoço de metal e entrou na sala. Ao erguer os olhos Verônica vislumbrou a janela com fundo de mar verde profundo.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Contos do Mar - Veronica, a Ciborgue por Um Fio de Luz



Anotem na Agenda ! Amanhã, novo texto de “Contos do Mar  “O Caos de Verônica”, dia 23 de junho, terça feira, no Blog da Vera Renner “..."ela conjeturou que estava farta de se alucinar entre fios, cabos, energia, fibra, metal, sensores e plaquetas..."

domingo, 21 de junho de 2026

A Rede de Pescar Retorna com Vanisa

 


O anoitecer começava a dar as caras. Vanisa estava no jardim recolhendo as ferramentas que havia arrebanhado para cuidar do guanandi, que já florescia lindamente. As verduras da pequena horta se mostravam plenas de brotação, ansiosas para alimentar os moradores do povoado. Neste momento, ela percebeu uma quentura na aragem da noite pairando sobre o chalé. Talvez fosse o sentimento de gratidão que a invadiu ao analisar o lugar que a resgatou, deu morada e comida. Toda noite ela orava pelo pequeno e laborioso povo e entendia: faria o que pudesse para retribuir a graça.

Enquanto pensava sobre este assunto, dirigiu-se ao forno de barro onde os pescados estavam limpos e enfileirados, prontos para a secagem com sal e que seriam armazenados e distribuídos na vila. Ela havia tomado a si a tarefa, primeiramente, para aprender a lidar com o resultado das idas e vindas das embarcações e, em segundo lugar, promover a sua interação nos costumes do povoado.

Acontecia, neste momento, a preparação dos veleiros para a manhã seguinte. Este era o período de congraçamento dos marinheiros que normalmente celebravam a boa pesca do dia, já ansiosos pela próxima. Era uma época em que numerosas espécies singravam a superfície do oceano cumprindo a missão da cadeia alimentar do planeta. No entardecer e apagar das luzes acontecia a mágica da navegação; o marujo conhecedor dos ventos e marés rabiscava seu mapa de localização dos cardumes; o restante se dedicava à limpeza e arrumação de velas, mastros proa e popa. As mulheres, os idosos e as crianças aguardavam a tarefa ser concluída, oferecendo canecas fumegantes de sopa de peixe.

O espirito de Vanisa a cada dia se renovava em coragem, sem que ela soubesse a causa. Imaginou que podiam ser os últimos acontecimentos que estavam calibrando a sua transição, a partir do cristalino das águas no “Aconteceu no Fim do Mundo”. Desceu correndo ao encontro dos marujos pedindo que a levassem rumo às ondas. Os marinheiros desconfiaram da oferta inusitada, mas como a consideravam misteriosa, aceitaram. 

Trajada com um longo vestido de algodão branco e nos ombros o xale de renda oferecido pelas aldeãs, ela acomodou-se na proa que já navegava célere no topo das marolas transparentes do oceano. Com um sorriso infantil escutou o frêmito das nadadeiras e o som habitual do Peixe-Vermelho e Peixe-Canário, que acompanhados pelo eco das bolhas cantantes criaram o acorde que saudava a Princesa.  A comoção tomou conta dos pescadores que assistiam à cena de saudação à mística Vanisa. Com cuidado recolheram a rede de pesca, vazia.

 

sábado, 20 de junho de 2026

"Contos do Mar" com Vanisa - Amanhã, Domingo, dia 21 de junho!

 


Não perca novo texto de “Contos do Mar”  “A Rede de Pescar Retorna Vazia com Vanisa!   O que acontece quando a “Princesa” do povoado embarca com os marujos no apagar das luzes?” Venha se emocionar com esse mistério e descobrir o chamado das ondas. Amanhã, dia 21 de junho, exclusivamente no Blog da Vera Renner!

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O Dia Em Que o Mar se Abriu

 


Era uma vez uma ideia que eu não ousava chamar de sonho porque é difícil de formular e mais ainda de alcançar. Creio que se compunha de um lote de pequenos pedaços de vida desgrenhados e voláteis flutuando junto aos meus sentimentos. De vez em quando se escondiam, mais adiante renegavam o propósito e, em tantas ocasiões, eram jogados fora, como se dentro de mim não tivessem serventia. Pensaram que tinham autonomia de movimento,  não imaginando que, do outro lado, estava uma vontade.

E assim o tempo da vida andava, calçando todo tipo de sapato: de tamanco, de chinelo, de pés descalços, de alpargatas, de pantufa, de sapatos de salto e botinas de couro. Mesmo com este vestir de andarilha da vida, não havia jeito de chegar próximo ao capítulo que escolhi para ser o mais importante de todos os tempos. Ao olhar para a ideia delineada com tanta antecedência, não era possível enxergar a clareza do abandono que iria preceder o movimento.

Em um dia quente de verão, uma tempestade varreu as cidades: sacudiu as janelas, a escuridão tomou conta dos lugares. No dia seguinte, caminhei lentamente por entre os escombros da cidade vazia de planos: sem sirenes, sem luz, sem vento, sem comunicação e sem som. Regressei para casa, fiz as malas, fechei a porta e disse: vou para não voltar.

Foi assim que abri as portas do capítulo final da minha existência. No meio do caos, do desmonte da vida e da casa, da linha reta no horizonte me aguardando sem mapa na mão. Afinal, percebi que eu havia nascido duas vezes: da minha Mãe e deste Mar. São dez anos de palavras ao vento, de refazer os caminhos quando eles chegam a lugar nenhum, de olhar para frente e para trás buscando o sentido, de perceber cada segundo que passa e não perguntar a razão. Todo dia me deparo com o mar no horizonte e penso: “O mar sempre abriu as portas porque eu nunca deixei de bater.”

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Botão da Companhia

 


Minha Mãe tinha uma caixa de botões de impressionante variedade e capricho. Sobravam aqueles que ela não quis utilizar na feitura das roupas que costurava, ou eram excedentes. Eu era bem pequena e, ao chegar do colégio, me sentava perto dela: derramava minhas coisas da pasta, espalhava meus lápis fazendo uma barulheira intencional, tentando disputar espaço com o barulho da máquina. Queria chamar sua atenção, arrancá-la daquele isolamento, já imaginando quais linhas e carretéis ela teria escolhido para lhe fazer companhia enquanto eu estava fora. As opções eram muitas: um feitio de vestido de baile para as filhas, pijamas, roupas do colégio, sapatilhas de crochê com solado de couro para o inverno, chapéus de praia e mais uma infinidade de peças para vestir a família e a casa.

Este pensamento correu por todo o meu corpo e as imagens da parafernália colorida estavam pedindo passagem ou apenas um lugar para brilhar novamente   fora do estojo de costura. Lembrei das minhas falas com o espelho e com as paredes, prática comum no lugar de silêncio profundo que habito e que muitas vezes me inibe de formular algum enigma mais barulhento - inclusive o meu refletir secreto.

De todas estas imagens que se refletiam em mim, a que mais me trouxe a lembrança de companhia, foi os botões. Eles me davam asas à imaginação, tanto na brincadeira de enfileirá-los por tamanho, cor ou forma quanto ao pensa-los pendurados em algum vestido, saias ou blusas de menina-moça.

Como meus interlocutores do silêncio deram uma pausa, vou conversar com meus botões, determinando tarefas de acordo com o seu perfil de existência. Lá vem o Botão de Massa, o simplório que resolve; na sequência, puxo para um papo o Botão de Pressão que vai resolver rapidamente minhas pendências; o Botão de Madrepérola vai trazer a luz da Lua nesta noite; o Botão de Madeira vai trazer o aroma do mar do Chalé da Vanisa e o Botão de Metal vai abrir a conexão de  Verônica. Finalizo minha solitária intervenção escolhendo o Botão de Casa: aquele que fica sem par.

terça-feira, 16 de junho de 2026

O Passado Tira a Farda de Verônica

 


O casebre se encontra em meio ao areal da praia, camuflado numa densa vegetação que esconde a presença da arriscada morada da ciborgue, que ali foi depositada originalmente como material de descarte. Foi ao chão toda parafernália de metais e fiação corrompidos. Verônica, bastante avariada na sua estrutura, suspira longamente e ansiosa, percebe que algo se rompeu dentro do peito com estalidos diferentes do antigo tambor férreo. O coração industrial havia parado de tocar a marcha dos engates fabricados na grande plataforma.

Com muito esforço ela conseguiu arregimentar a carcaça rejeitada, levando-a para o interior da precária choupana. Ao entrar no ambiente de madeira rústica, áspera e fria, entendeu que por detrás da sua arquitetura corporal havia ocorrido uma mudança que enlaçava os filamentos elétricos: em vez de alguns choques espartanos, surgiu uma linha de luz que deixou parte do seu esqueleto sentindo uma agonia desconhecida.

O brilho – até então incógnito – estava interferindo no seu raciocínio lógico, sinalizando que naquela situação, surgia a beleza de estar viva e livre. Em meio ao caos inicial de arrumação encontrou no assoalho esburacado o “Manual da Verônica” que havia sido jogado no lixo, por não ter mais serventia. Ao folhear as poucas palavras que descreviam, basicamente, sua criação, teve a certeza de que se iniciava ali a transformação do seu cérebro blindado, em direção a algo maior.

Verônica retirou sua farda de combatente deixando à mostra o estado precário da sua composição. Rapidamente compreendeu que ao decifrar as regras da sua construção encontraria os códigos de cura: agora ela já podia contar com um espírito de reconexão ao invés da bomba de guerra eletrônica instalada em meio aos seus nervos artificiais.

O braço, com costuras de metal e veias elétricas será o fio condutor da reconexão ensejada por esta criatura liberta. Grande parte dela nada sente, porém, ao habitar esse mundo conectado com a natureza agreste em que foi jogada, as chances de cura são reais. O céu, a terra, o mar, o sol e a lua aguardam Verônica com sua roupa de soldado remendada. 

 

domingo, 14 de junho de 2026

Vanisa e o Assobio do Carvão

 


Vanisa despertou nesta manhã quando a madrugada se despedia da noite. Os marujos já estavam a léguas de distância, longe de sua vista, que antes mirava o casco da embarcação no sobe e desce das vagas, bastante altas neste dia. Ao despertar, veio-lhe ao pensamento a imagem de algumas páginas em branco, amarradas com linhas de pescar e entregues anonimamente na gaveta de trabalhos manuais. Correu para conferir se ainda estavam no lugar e, ao lado, pedaços de carvão, que em sua lembrança ali depositara após terem sido incinerados, em uma pequena fogueira no seu jardim.

Com a certeza do que iria encontrar, abriu rapidamente a gaveta. Retirou o conteúdo com sofreguidão e espalhou as folhas de cartolina em sua frente, resgatando os pedaços de madeira calcinada que haviam sido milimetricamente desenhados pelas labaredas. Sentiu um calafrio e a aragem do mar se fez presente, deixando a mente impulsionada a preencher o vácuo - que vez ou outra - se instala dentro de sua alma.  

Não demorou muito para recobrar o equilíbrio, erguendo o tição pontiagudo que assobiou ao rasgar o primeiro traço do seu passado recente. Um leve sorriso aflorou na face corada da moça que percebeu com nitidez que este arrojo no papel significava o limite do mar - que a roubou e devolveu – e a beira da praia.

Empenhada em materializar seu reencontro consigo mesma, ela viu os traços surgirem com rapidez, espalhando-se pelos cantos da página, resvalando na intenção da linha, parecendo temerosos e incertos no retrato dos acontecimentos que até ali eram apenas sussurrados.

Na janela entreaberta para o oceano, Vanisa estendeu o olhar; anuviou-se por instantes seu coração que batia lentamente, como se pedisse socorro. As mãos estavam sujas, e o vestido branco manchado avisou que o giz rústico da terra  tinha se esfarelado, criando um denso e brilhante pó negro. Recolheu o carvão e a folha manchada, dobrou-os com cuidado enrolando-os delicadamente, em um bordado das rendeiras. Levantou-se com os olhos ainda brilhantes e saudosos, alisou o vestido, colocou o avental e foi encontrar os aldeões que estavam na lida do pescado recém chegado.

Fiquei Velha

  Acordei me estranhando de certo modo e quando abri os olhes percebi: fiquei velha. Assim, me decidi a lembrar daquele tempo: que bom que a...