O dia estava terminando e os
pescadores recolhiam os barcos e as redes rumando morro acima em direção à
aldeia. Nesse momento, Vanisa chegou frente ao mar porque a brisa havia cessado
e apenas o farol espalhava, de minuto a minuto, um raio de luz revelando nesses
breves instantes, a nitidez que as espumas tardias traziam para a areia.
Vanisa havia percebido que
pedaços de madeira naval estavam chegando bem perto dos degraus da casa, o que
a deixou surpresa e cautelosa ao observar que os objetos estavam sendo
depositados aos seus pés. Alguns deles possuíam uma pequena janela de vidro
onde se podiam ler algumas palavras que a deixaram emocionada.
Encadeadas as peças devem ter
se soltado de algum navio antigo e foram reconhecidos como os enfeites de
parede que adornaram o camarote - em que a então princesa – fora colocada. Ao
rever as palavras, ela teve uma visão de outro tempo, mas que não era do
passado e sim, do futuro.
Vanisa sentiu um calor vindo
do peito que ocasionou um surpreendente sorriso em seu rosto, fato raro nos
últimos tempos, quando a apreensão e a dúvida a acompanhavam em todo passo que
dava. Sentou-se confortavelmente nas areias brancas e geladas da beira do mar,
reunindo os pedaços de madeira, alternando a posição, ensaiando uma
interpretação.
Seus olhos brilharam ao perceber que uma mudança no fundo do seu íntimo estava acontecendo, deixando-a de certo modo confiante nos sentimentos que ora em diante iriam aflorar. A maré lhe trouxe a boa noticia de que estava autorizada a refletir para o mundo o que havia dentro da alma. Alma inquieta e espírito livre.











