Crônicas da Vera Renner
Escrever para viver e viver para escrever. A inspiração é o meu objeto de desejo a cada amanhecer e assim minha alma fica fortalecida no encontro do silêncio e da natureza marítima. Leiam com bons olhos! Mail para contato: verarenner43@gmail.com Vera Lucia Renner
sábado, 24 de outubro de 2026
O Olhar Adiante - Reflexão
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
O Convite - Crônicas
Eu andava pela casa em passos
trôpegos, flanando entre a dor e a tristeza, quando recebi aos meus pés através
da soleira da porta, o despacho de um envelope que - à primeira vista - parecia
ser um convite, mas não um bilhete comum. Ao resgatar a peça do tapete macio da
sala, percebi que estava impregnado de um aroma de sândalo, a carta tinha uma
textura de cetim com suas dobras bordadas em letras assimétricas e uma grafia
desconhecida.
A lentidão do meu corpo em se
movimentar expressava o esforço incomum para organizar os pedacinhos do meu
espirito que resolveu se dissolver por um segundo, seguindo caminhos diversos e
deixando que o meu íntimo vagasse a esmo.
Lembrei dos últimos tempos em
que nada ao redor havia se movimentado, e, quanto mais o silêncio invadia a
vida, mais eu tinha certeza que em nenhum momento houve algum sussurro que sugerisse
a chegada de um recado com arabescos dourados, chamando a atenção. Fiquei ali,
com a missiva em mãos, sentindo a frieza do momento que se esforçava em ser importante.
A ocasião delicada chegou sem
aviso, entrou na porta sem fazer ruído, sentou-se no canto da dor como se
exigisse a participação em um banquete em que corpo e alma estão no limiar suspenso
da busca de sentido para a existência de chagas na sacudidela do vento
intermitente, como se fosse um acaso. Meus passos se encontram em trava secreta
recusando qualquer fantasia do desconhecido que se ofereça.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
O Sofrer - Contos do Coração
"...O sofrer está
sempre em todos os lugares, em todas as frestas, escondido, quieto, só na
espreita de surgir em algum momento para te ferir, te curar ou te render.
O sofrer nunca é solitário,
porque na sua cauda reverberam pedacinhos mínimos da vida, da alma, não
esquecendo que ele faz parte do todo.
O sofrer é uma linda estrada
florida, pavimentada com pedrinhas de brilhante e uma paisagem deslumbrante no
final. Porém, a verdade está sempre escondida atrás de uma árvore, embaixo da
terra, nas pegadas dos sapatos. Difícil prever em quais locais ela vai te
surpreender.
O sofrimento é teimoso,
porque ele bate na porta tantas e tantas vezes até que, por um descuido
qualquer ou um dia determinado, a porta fica entreaberta. É por ali que ele vai
se esgueirar e se esconder atrás daquele acontecimento de muito tempo passado e
ficar lá. Animado, em poder entrar na vida de alguém, vai se agilizando na
alfinetada do dia.
O sofrer é muito antigo e
muito popular, porque não há nenhuma pessoa que não o tenha visitado vez ou
outra. Por isso, ele também pode ser um processo de alerta, de segurança e de
mudança. Fique atento..."
sábado, 10 de outubro de 2026
Verônica e os Sentimentos - Contos de Ficção
Era um desses dias em que a chuva se espalhava, ora calma ora com rajadas que fazia o casebre de Verônica vibrar perigosamente, encontrando a Cyborg de prontidão para qualquer eventualidade: seja de recolher tudo em algum canto, para escapar de águas revoltas, ou retirar o mais importante e se abrigar em algum capão ao redor, que aliás, estavam se proliferando rapidamente em razão do movimento das dunas.
Ao tentar organizar o pequeno
espaço de uma forma mais segura e sem espalhar tantas ferramentas como costuma
fazer, reparou em uma caixa empoeirada, colocada embaixo da sua bancada de
trabalho e ali esquecida, desde o primeiro dia em que foi jogada do camburão.
Lembra de ter arrebanhado os estilhaços de suas ferragens não finalizadas, mas
nunca imaginou que poderia haver algo ali que necessitasse ou que fizesse
falta.
Sentou novamente frente ao
janelão de frente para o mar para ficar de olho no movimento do clima, que
neste dia estava duvidoso em sua segurança. Espalhou todo o conteúdo da caixa
misteriosa separando alguns chips inúteis, algumas presilhas enferrujadas, fios
desencapados e cabos partidos ao meio. Percebendo a inutilidade do lixo
eletrônico em sua frente, foi separando cada um deles e colocando na lixeira ao
seu lado.
Ao final da tarefa feita
rapidamente, rolou entre os seus dedos uma peça pequena que deveria compor a
engrenagem do pescoço causando certo pânico e que a levou a examinar se ali
estava de fato faltando algo. Correu para verificar no Manual de Verônica as
características de montagem da parte superior do corpo, não encontrando nada
que a pudesse prejudicar.
Mais calma examinou a peça com
cuidado quando percebeu que havia um entalhe muito bonito com uma inicial e o
desenho de uma onda do mar. O trabalho havia sido feito com muito capricho
deixando Verônica imaginar que, talvez, este pequeno rotor havia sido colocado em
meio ao seu sistema pelo operário que trabalhou na sua composição.
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Vanisa e Seus Ancestrais - Contos do Mar
Nos últimos tempos, Vanisa
intuiu que existe em seu espírito uma energia diferente, um impulso alegre
desde que o dia começa até quando termina. Quase sempre, ao trilhar os caminhos
lúdicos que a levam até a aldeia, sente um leve arfar no coração e, lá
chegando, observa o brilho dos aldeões na sua passagem, mesmo que eles se
mantenham distantes. Ela não se aproxima, mas oferece a todos um largo sorriso,
uma simpatia inerente à sua figura e seus grandes olhos azuis distribuem
silenciosamente o afeto resguardado, pressentindo que, pressente, que em algum
momento, as coisas poderão ter outro tom, mesmo que agora pareçam avançar lentamente.
O dia estava morno, com uma
densa maresia cobrindo os montes, levando-a a buscar um xale tricotado pelas
artesãs, suas vizinhas, o que a confortou termicamente e também acolheu sua
alma ainda fria. Mesmo andando com calma, por qualquer motivo apressou o passo
ao passar pelo caminho que possui densa vegetação na sua borda por ser um lugar
mais isolado e longe do mar. Depois de dar os primeiros passos tropeçou em uma garrafa
vazia com feição muito antiga, talvez datada de uma era anterior àquela em que
estava vivendo.
Tomou nas mãos o que parecia
ser uma relíquia marítima, examinando detidamente seus contornos, se admirando-se
de que, internamente, ela possuía uma transparência que refletia uma luz verde
clara mesmo não portando nenhuma tampa. Cautelosa, sentou-se em uma pedra cheia
de limo que estava na beira do caminho, com a intenção de entender e
interpretar o achado.
Vanisa sentiu um pulsar
estranho em todo o corpo quando resolveu focar seus sentidos, seus olhos e seu
coração naquele objeto com aparência estranha: afinal, ele havia migrado do
fundo do mar para se colocar à vista neste caminho deserto e mais oculto da
vila. Sentindo uma vertigem a Princesa
do Mar interpretou o conteúdo da garrafa como sendo um vácuo que renovava sua
alma antiga, e a branda sinergia da natureza
marítima, à qual havia sido guindada por seus ancestrais.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
O Trono Vazio da Primavera - Fábulas
Os ventos uivantes dos últimos tempos estão em plena atividade, fazendo de conta que não perceberam que o relógio do tempo andou para a frente e que já não é mais hora de enregelar os ossinhos dos idosos, tirar da caminhada quem necessita respirar, esconder os botões de rosa na brotação tardia e varrer todo dia as sementes – deitadas ontem mesmo – em solo fértil capinado com capricho, para germinar deixando o trono da Primavera vazio.
Impulsiva e contrariada, andei pela casa abrindo algumas frestas – já na madrugada –, aguardando que os ares do frio penetrem por elas, indo se acomodar nos meus ombros e nas minhas costas, me impelindo a dobrar meus cobertores sobre meu corpo. Estarei de tocaia, porque assim que a invasão acontecer vou fazer funcionar meu fogão a lenha, a estufa no banheiro, um lampião na despensa e o gato e o cachorro escondidos embaixo da mesma cadeira.
Esta ação intempestiva vai neutralizar os desejos inconsequentes do inverno, que se compraz espalhando os confortos e as delícias da estação fria, quando todos, cansados do torrão solar do verão, correm afoitos para abrir seus baús e retirar seus agasalhos, suas botas e seus gorros. Os campos se enfeitam com a geada e a neve; as brincadeiras lúdicas resfriam o corpo e a mente.
Acho que o inverno foi acometido de uma falha geológica que foi disparada pelo clima, o qual não analisou as consequências, deixando de lado a população que mora embaixo da terra e que, em seu momento mágico de se transformar em alegria e cor, foi barrada já na valeta do campo, aqui em frente. Acredito que deixarei minha casa com as frestas, janelas e portas abertas na esperança que ele se recuse a cumprir ordens da geografia.
terça-feira, 6 de outubro de 2026
O Procurar - Contos do Coração
“...O procurar é a eterna busca do
encontro que navega incógnito na teia da
vida.
Não procuro misturar os pensamentos
porque eles dominam o espírito para um e outro lado, dependendo do vento
Divino.
Na procura existe a expectativa de
chegar, mas nem sempre o lugar ou a situação são os almejados.
A procura nunca é suave porque ali
se instala um desejo que surge acompanhado de probabilidades.
Eu sempre vou procurar a melhor
palavra, mesmo correndo o risco de ela não transmitir o que eu preciso.
A procura é uma fascinação da
mente porque propicia a descoberta da imaginação flutuante da alma.
Todos os dias eu procuro no
ambiente um objeto no qual eu possa ancorar e repousar meus medos, minha
tristeza e o meu coração.
Eu procuro na madrugada uma janela
que se abra para encontrar o vento afável que vai balançar meus cabelos, o sol balbuciando
suas primeiras luzes e a maresia disfarçando minhas lágrimas.
A procura insana pelo passar do
tempo vai se diluindo dentro da minha alma em mil palavras soltas.
Parei de procurar o que eu já
encontrei de sobra nas minhas escolhas: um mundo de significados que eu mesma
possa inventar...”
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
A Reunião Secreta - Invencionices
O dia ainda não havia me
segredado a que veio, e lá estava eu arrastando as chinelas, esboçando
acintosamente um olhar de procura inútil para aplacar o ruído do meu pensamento,
que decidiu por conta própria, sair por aí como se não tivesse dono. Eu captava
as imagens da rua – todas familiares – para conferir que, neste trecho de
pedras, capim cerrado e areia fina até o mar, nada mudara.
Voltei para casa com o
pensamento cheio de movimentos desencontrados e ansiosa para estar no ambiente
caseiro, onde parece que as coisas se movimentam em melhor ritmo, obedecendo à
rotina própria. Rumei rapidamente ao
conhecido para poder sentir o encaixe correto da realidade, e não fantasmas
ensaiando pesadelos.
Entrei abruptamente na sala escancarando
a porta como se eu desejasse surpreender algo ou alguém - o que me divertiu –
porque residem na casa a memória e os objetos
que se uniram a mim nesta caminhada. Cada um deles representa pequenos cofres lacrados,
pois viveram os passos mais importantes de várias vidas.
O sol entrava pelas janelas
com generosidade refletindo as sombras dos móveis uns nos outros criando uma
atmosfera desconhecida para mim. Imaginei que talvez meus pensamentos ainda
estivessem truncados e, por este motivo, estivesse enxergando as coisas trocadas
ou do avesso. Tive um impulso de sair porta afora e retornar com parcimônia e
verificar se aquele ambiente era o original ou se havia um conluio ou uma
reunião secreta.
Quase que imediatamente encostei
meu ouvido na parede porque imaginei que somente os ventos uivantes, a maresia
e o ronronar das franjas de sal se deitando na areia da beira da praia, poderiam
resolver o enigma com precisão. A resposta veio a bordo de um ronco estrondoso
em alto-mar que me permitiu voltar e reatar o dia sem fazer perguntas.
sábado, 3 de outubro de 2026
Verônica e o Ar que Respira - Contos de Ficção
Verônica, logo após o
amanhecer morno na beira do mar, sentiu que a leve brisa a induzia a uma
pequena caminhada pelo jardim e, após, rumar até a beira do mar - que a deixara
encantada. Em ocasião anterior percebeu que havia uma energia diferente nos
seus circuitos e o cuidado programado era prestar atenção porque sentia um
aquecimento nas suas ferragens e poderia ser apenas um sinal. Apenas um, por
ora.
Sentou-se com desenvoltura na
beira do mar deixando os seus pés – um de resina e outro de metal – receberem os
cardumes de peixe-rei nadando na crista das marolas. A Cyborg estava ansiosa
para descobrir o que esta percepção tátil entre componentes tão diferentes do
seu corpo iria transmitir; e se ela – muito mais importante – o sentiria.
Verônica sentia-se confortável
ao receber o carinho deste vasto oceano com comportamento imprevisível - porém transparente
- na sua percepção matemática. Em meio a este processamento fora do cotidiano,
mais lento na conclusão, teve o impulso de levantar seus olhos digitais,
alcançando o horizonte e se perdendo na imensidão deste lugar que a acolheu.
Neste ponto de divagação,
calcada na dualidade robótica, de um lado e orgânica de outro, entendeu que na
altura da arrebentação, se aproximava célere um barco pesqueiro, de médio porte,
com suas velas arriadas. Ela se ergueu para verificar com mais detalhe o que
estava acontecendo permanecendo ali, firme e sem expectativa com o centro do
peito calibrando os circuitos.
Enquanto isso, os aldeões da
vila chegaram para o arrasto da rede com o resultado da pesca. Para surpresa de
Verônica as pessoas não se espantaram com sua aparência androide,
cumprimentando-a cordialmente – saudação ao qual ela respondeu com um aceno de
cabeça: afinal, a vocalização do sistema consistia em ruídos guturais.
A recepção continuava em
andamento, com as famílias já separando os peixes, alguns limpando e outros armazenando
o alimento em grandes cestas de vime. As crianças corriam na volta de tudo não
demonstrando medo nem espanto ao se defrontarem com Verônica. Divertidos,
tocavam os pés de metal, o braço robótico e já se afastavam. Ela deixou-se
ficar candidamente sem se atrever a interagir, parecendo a quem olhasse de
longe que ali estava uma imagem futurista. Por este motivo ela - lentamente -
se dirigiu ao chalé, retirou o matagal de espinhos concluindo que não havia
mais motivo para se esconder.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Perdi de Vista - Invencionices
Ando a procura de muita coisa
e nenhuma é física, concreta ou necessária para compor minha casa, minha mesa
de trabalho ou todas estas necessidades cordiais e rotineiras. Porém, existe
bem escondido na minha alma, que anda aberta, uma prateleira de sumiços que
sequer consigo dar-me conta de nomeá-los. Acredito que são partes pequenas que
compõem o mosaico de sentimentos que minuto a minuto fazem parte do todo.
Quem sabe foi a vida que submergiu
meu cenário e, por este motivo, ando por aí com uma mente diáfana, sem
encontrar a mim mesma; sempre perguntando para quem passa se percebeu meu corpo
e alma na calçada, na beira do mar ou se de fato sumi do mapa e ninguém
percebeu.
Eu não esqueci de ninguém,
porém, uma seleção no fundo do meu coração surgiu imponderável e, com precisão,
usei um lápis com ponta de borracha para, lentamente, apagar o que me impedia
de seguir adiante; parecendo que naquele tempo eu era uma outra, que agora, não
existe mais.
A vida mudou de lugar o que já
estava estabelecido criando um labirinto em que não existe a certeza de
encontrar o perdido porque, simplesmente as pedras do caminho desenharam outra
rota, ou talvez um ponto de fuga. As revelações vêm através do caminho tortuoso
da realidade que me faz sair pela vida procurando a outra que se esfumaçou no
tempo tentando ser um revés de mim, impedindo que eu me encontre em um só
caminho ou tantos em um.
terça-feira, 29 de setembro de 2026
O Silenciar - Contos do Coração
...“O silenciar chegou a mim muito pequena, e me apeguei
tanto a ele que agora faz parte de toda caminhada - mesmo que seja barulhenta -
fazendo meus ouvidos moucos sempre que possível.
Meu corpo infantil silenciava com veemência ao sumir na
grande poltrona da sala exclusiva para visitantes, para a qual frequentemente
fugia.
O silêncio me acompanhava sempre que podia, inclusive,
durante a travessia para a escola, sobre o manto da minha capa de chuva de
feltro preto com botões dourados.
Não importa o barulho que o tempo faz ao avançar, o silenciar
está sempre a postos no equilíbrio do insano movimento.
O silêncio que habita em mim resiste a todo movimento que
busca romper o ar que respiro.
Quando a memória falha, o silêncio vem em socorro para
restaurar o que aparentemente foi apagado por falta de melhor assunto ou por
não ter o que dizer.
Meu espirito tem muitos amigos fieis, mas nenhum como o
silêncio protetor - do ruim que vou ter de ouvir, e do bom a que vou aderir.
Aprendi a escutar o silêncio rude em alta voz assim como as
juras de amor que não chegaram a ser proferidas.
Meu refúgio é o silêncio, sendo ele o cofre do que se passa
na minha alma.”
domingo, 27 de setembro de 2026
O Mar Encontra Vanisa
O dia estava terminando e os
pescadores recolhiam os barcos e as redes rumando morro acima em direção à
aldeia. Nesse momento, Vanisa chegou frente ao mar porque a brisa havia cessado
e apenas o farol espalhava, de minuto a minuto, um raio de luz revelando nesses
breves instantes, a nitidez que as espumas tardias traziam para a areia.
Vanisa havia percebido que
pedaços de madeira naval estavam chegando bem perto dos degraus da casa, o que
a deixou surpresa e cautelosa ao observar que os objetos estavam sendo
depositados aos seus pés. Alguns deles possuíam uma pequena janela de vidro
onde se podiam ler algumas palavras que a deixaram emocionada.
Encadeadas as peças devem ter
se soltado de algum navio antigo e foram reconhecidos como os enfeites de
parede que adornaram o camarote - em que a então princesa – fora colocada. Ao
rever as palavras, ela teve uma visão de outro tempo, mas que não era do
passado e sim, do futuro.
Vanisa sentiu um calor vindo
do peito que ocasionou um surpreendente sorriso em seu rosto, fato raro nos
últimos tempos, quando a apreensão e a dúvida a acompanhavam em todo passo que
dava. Sentou-se confortavelmente nas areias brancas e geladas da beira do mar,
reunindo os pedaços de madeira, alternando a posição, ensaiando uma
interpretação.
Seus olhos brilharam ao perceber que uma mudança no fundo do seu íntimo estava acontecendo, deixando-a de certo modo confiante nos sentimentos que ora em diante iriam aflorar. A maré lhe trouxe a boa noticia de que estava autorizada a refletir para o mundo o que havia dentro da alma. Alma inquieta e espírito livre.
O Olhar Adiante - Reflexão
“....Um dia para refletir, ponderar e escolher. Para olhar além do que está diante dos nossos olhos e compreender que toda escolha carre...
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A traição impera de certa maneira no nosso dia começando pelo tempo que prometeu ficar de céu azul e se vendeu aos ventos e chuvas, desa...
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Na primeira vez me chamou a atenção um pé de sapato solitário perdido na beira do mar. Era de homem, e devia estar no fundo do oceano al...
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Descobri que estou sempre de malas prontas, não importando a viagem. Ao meu alcance, a bolsa do dia a dia que carrega em si as esperanças...










