quinta-feira, 2 de abril de 2026

A Paixão de Cristo



O momento final da Paixão de Cristo começa bem antes para os que tem fé e vivem com os olhos voltados à liturgia da religião e que possui nos lábios desde o seu acordar o pensamento de agradecimento e oração a quem criou o céu e a terra. Nestes dias a alma repercute a cada dia, a cada passo o sofrimento do Filho de Deus em sua caminhada para salvar a humanidade naquele tempo  remoto.

Na oração se acompanha o difícil caminho do Salvador que resplandecente arrebanha devotos que o seguem fielmente com os olhos sempre voltados para o que acontece no entorno, desde milagres, convertimento, sermões memoráveis e propagação da sua palavra entre os povos.

A trilha ressequida da terra de então recebeu durante a peregrinação camadas de lágrimas de arrependimento, de confissão de pecados, de solidariedade, de aprendizado, ensinamento para os seus fiéis seguidores que espalharam aos quatro ventos a Palavra de Deus Pai que em sua infinita bondade o enviou para nos salvar.

Jesus Cristo chega ao final do caminho duramente percorrido pontilhado de traição, com seu destino selado, pregado na cruz, com a carne dilacerada banhada em sangue deixando entrever seu olhar de amor e ternura infinita. E então, no terceiro dia após sua morte, vestido com brancas vestes e com todas as suas feridas cicatrizadas, ele rasga a atmosfera e sobe para se sentar a direita de Deus Pai. Aleluia.

 

 

 

 


terça-feira, 31 de março de 2026

Onde o Gosto se Perdeu

 

Ela veio devagar, como quem não quer nada, e em completo silêncio invadiu a minha seara. Pensei que não tinha mais jeito mesmo e a deixei entrar.

A cozinha se revelou o primeiro lugar a ser arrebentado porque, de certa forma, eu gostaria muito de vê-la vazia. Seus canos engordurados, como veias doentes, deviam se mostrar antes de desaparecerem nas hábeis mãos do consertador de paredes.

Mas foi ao ver o espaço sumir e se transformar em entulho que percebi que, junto àqueles canos, se foi algo de mim. Uma percepção de que eu mesma estava impregnada de um sebo rançoso, que neste momento se esvaiu nas novas valas abertas e limpas.

De certa maneira, continuei viajando num sonho de ausência. Do que havia por ali, nada fazia mais sentido, e deixei a tralha tomar seu rumo. Acho até que as coisas se foram sozinhas, porque de mim não aguentavam mais nada.

Quebrei as paredes e deixei a luz – antes rara – entrar com força. Transformei o meu ninho antigo em um lugar de refeições que, por ora, está vazio, aguardando o meu novo gosto de arrumar. Ele também se foi, e agora posso andar por aí pensando e procurando o que eu gostaria de ter, qual a minha cor preferida. Está sendo divertido não ter um gosto definido para compor uma casa.

Segui em frente derrubando tudo, me desfazendo e doando. Também meu espírito tomou outro rumo. Sem culpa de esvaziar minha vida prática, sem saber como reerguê-la; sem medo de liberar o que já me serviu. Agora, apenas a liberdade de ser eu mesma. Uma que ficou nem sei onde.

 

segunda-feira, 30 de março de 2026

O Fim do Verão

 


Empurrei levemente a porta da casa localizada aqui na minha esquina que — como muitas no entorno — está fechada e, pelo menos na minha visão, o que menos importa é qual a feição arquitetônica que foi construída. Para mim, todas elas possuem o sombrio estigma de que, neste momento do ano, se encontram desalmadas.

Seus habitantes fecharam a residência hermeticamente — muitas vezes às pressas — e arrastaram em meio à bagagem a vivacidade do lugar, que possui a personalidade do verão, aquele que recebe todo dia fragorosos abraços, alarido de convidados, choro e riso de criança, adolescentes nervosos, adultos estonteados. Este circo composto de sol quente, mar gelado e invasão de ambulantes dança lentamente no olhar dos idosos que, alheios propositalmente a tudo, observam o vai e vem na cadeira de balanço localizada estrategicamente no alpendre.

Lembro bem do exército de pessoas que todo dia desembarcava no portão de entrada no início do pandemônio da temporada. Ali era descarregado todo tipo de traquitana remodeladora, parecendo que aqui, neste fim do mundo, o correto era colocar tudo abaixo e refazer. Não era. A ação intempestiva de última hora vinha acertar as contas com o descaso de meses.

Me aproximei, mais curiosa do que o normal e necessário, devo dizer, sendo envolvida imediatamente pelo ar rarefeito que envolvia o prédio, dando a impressão de que talvez esta linda residência sentisse, em sua alma de tijolos e cimento, a ausência dos seus donos.

As paredes externas se encontravam úmidas e já com listras tênues de perda da vivacidade da sua cor. O pequeno portão tinha seu cadeado tão enferrujado que, em um toque apenas, se esfacelou aos meus pés. Recolhi-o, colocando-o no cantinho do jardim para que ficasse em paz, sem ser reconhecido por ter sido fraco frente à maresia inclemente da beira do mar.

Apenas mais alguns passos para perceber que nas venezianas, em um lugar e outro, havia pontos corroídos, como se alguma espécie mais audaciosa tivesse preferido passar o inverno dentro destas paredes abandonadas. E, para mim, se o fizeram, acertaram o alvo. Um lugar abandonado que foi batizado com o sangue da alegria merece ter visitantes com coragem.

 

 

domingo, 29 de março de 2026

O Marlim-Azul e o Passaporte de Vanisa

 


O dia clareou com certa pressa assustando Vanisa que tinha ainda no coração e no corpo, determinado frenesi após o desembarque em pleno oceano gelado por natureza e desejado como sendo a nova rota, tantas vezes imaginada e que agora se apresentava com simplicidade única. Vanisa ajeitou os cabelos brancos e ondulados que caíam pelos ombros enquanto a bruma diáfana da noite anterior ainda a envolvia, o que a deixava, felizmente, livre de qualquer elemento que não fizesse parte da sua imaginação que, aos poucos, descongelava seus sentimentos.

Sentiu que na vila a rotina se movimentava e o cheiro de café se espalhava entre as casas vizinhas parecendo fios de fumaça nas caprichosas chaminés. Ansiosa, Vanisa correu para a rua tropeçando pesadamente numa trouxa que estava ao pé da porta do lado de fora. Estranhou o artefato uma vez que, assim como o caminho que a levou até agora faz parte da profundeza abissal do ambiente marinho não lembrava de haver trazido consigo nenhum pertence.

Esqueceu o cheirinho do café coado no bule antigo, sentou-se em um dos primeiros degraus da casa puxando para si a pequena trouxa que exalava um odor marinho, denso e profundo que a deixou levemente inebriada, porém, voltou a si ao perceber que talvez houvesse ali um recado importante.

Em meio a este acordar novidadeiro e brumoso com o ziguezague de aromas, Vanisa lembrou claramente da última cena antes de pousar seus pés no limbo que, estendeu-se para recebê-la: ao seu lado, postara-se o Marlim-Azul com a elegância de um rei da pesca que lhe alcançou o embrulho que agora repousava no umbral.

Neste momento a curiosidade havia se aguçado e rapidamente desfez o nó que fechava a trouxa perfumada e leve. Ao abrir suas dobras Vanisa não encontrou nenhum objeto que lhe fosse familiar, um caderno com folhas em branco, um lápis com cabeça de borracha, nada com que se familiarizasse. Um pouco decepcionada, estendeu totalmente o pano no chão, o qual restava vazio, porém, em seu lado avesso cintilavam milhares de estrelas que se movimentavam em um bailado lúdico na medida que Vanisa o recolheu, o colocou nos ombros e foi ter com os aldeões. Havia chegado o seu passaporte.

sábado, 28 de março de 2026

O Invisível da Vida

 


Cheguei à cabeceira da ponte carregando no meu coração muitos estilhaços que estavam sangrando mansamente. Ao me deparar tão profundamente comigo mesma tratei de vestir esta tristeza para ter autonomia e desembaraçar-me dela, na medida em que a vida vai cauterizar as bordas das feridas abertas.

Tenho que admitir que eu deixei que elas surgissem no meu peito por não haver percebido, na simplicidade da minha vida, o pendor para deixar minha alma crédula, desidratada. E foi com este jeito capenga que cheguei naquela ponte sem conseguir firmar meu olhar embaçado de lágrimas que se negavam a escorrer pelo rosto. Derramavam-se a esmo por entre rugas da face e estas, buscavam insistentemente o caminho para acessar minha consciência repleta de fragmentos sem propósito.

Depois de divagar um pouco firmei a vista e por mais que eu quisesse encetar meu passo a ponte ora se transformava em uma pinguela, um pequeno passadiço, um acesso sobre cordas, as vezes uma balsa. Esta última visão me chamou a atenção: parecia ser a passagem correta.

Vou embarcar com os troncos recém trançados com corda antiga, confortável para me transportar ao lugar do nunca, um momento de calmaria, deixar ir em pequenas ondas ou atracar em uma encosta inóspita. Mil variações surgiram desta pequena grande jangada de um rio qualquer. Foi assim que deixei no lodo de entrada do pequeno porto a tristeza que me foi enviada quando em desaviso do perigo.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Vanisa, Café e a Nova Vida

 


Vanisa desceu os degraus da morada escolhida que separava em curta distância das primeiras ondas do mar que, neste momento, lambia seus pés nus como se fosse um recado de encantamento à sua figura surgida – para eles – do nada. Vanisa trazia um olhar opaco, a mente vazia e a alma em transe da pouca vida que deixou para trás. Jovem em anos, com um coração de passagem.

Sacudiu a cabeça em negação aos pensamentos que se acotovelavam dentro de si buscando o horizonte, onde a vida dela há de acontecer, onde o limite que ora se impõe a sua existência será fugidio, enfogueirado nos tempos de calor, ondulados com a maré revolta, em perfeita costura entre o céu e o mar em eterno movimento, evidenciando claramente que a escolha da Nova Vida a natureza permitiu.

Foi sem surpresa aparente que percebeu o entorno favorecendo a comunhão única com o tempo que por aqui possui outro significado, com o clima que não permite que ninguém se aborreça por seu caráter indômito e surpreendente e a abóboda celeste reunindo todos os cânticos da massa viva deste porto escolhido.

Animada com o frescor da madrugada que a recebia resolveu conferir a composição física do lugar que surgiu sendo praticamente induzida a se encantar e desejar tornar-se parte do que se apresentava. Poucos móveis, rústicos como o seu atual figurino, mesas, cadeiras confortáveis e rangendo a favor do tempo longo de fabricação o que arrancou um sorriso benevolente e grato de Vanisa.

Na cozinha integrada tal qual uma antiga casa de marinheiro, tudo o que se faz necessário é uma chaleira pronta para chiar na madrugada, ferramentas que destrinchem o alimento do dia, redes de pesca alinhadas prontas para se enredar em hábeis mãos, talvez, um dia, nas suas próprias. O cenário almejado, lúdico, limpo e iluminado estava completo mesmo com o mais difícil por vir.

terça-feira, 24 de março de 2026

O Boneco

 


De manhã, não muito cedo, resolvi enveredar para o lado serra aqui do fim do mundo porque, volta e meia, gosto de arrulhar por entre quem se movimenta, largando um pouco o estado de coisas da natureza, que se move diferente a cada dia, aguçando-me a mufa para sua mudança que nunca tem destino certo nem palavra correta. Hoje vou procurar a mesmice de um dia longe do meu esconderijo, até para me imiscuir por ali, sem que me percebam.

O caminho vai se desdobrando em vários percalços e a paisagem muda conforme eu avanço, demonstrando que talvez um outro pequeno mundo se encontre ali adiante. Mais um pouco no caminhar e já vou percebendo que ali o relógio possui ponteiro acertado; não corre livre como o meu, que se arvora dono das horas, pulando para frente e para trás, às vezes estancando em algum momento e retornando ao tique-taque quando lhe convém.

Os minutos do dia neste quadrado de gente são escravos da hora que vai se desdobrando, abrangendo a vida dos que ali ficam presos por um tempo diferente para cada um. Deparei-me com um grupo onde havia alguém que, distante de mim, pareceu querer se sobressair enquanto todos interagiam sem afetação. A figura tinha um jeito patético de correção no vestir, portando uma feição e um palavreado escolhido a dedo, e uma posição como se estivesse em um picadeiro.

Acerquei-me curiosa para entender melhor o palavreado diante da plateia pequena e qualificada. O que soprou na ventarola da manhã foram palavras rebuscadas, retóricas e pobres de sentido para o lugar e o momento. De repente, eu enxerguei o que nem procurava: ali estava o Boneco, ventríloquo de si, sem eco, sem conexão, apenas retratando sua solidão entre muitos.

domingo, 22 de março de 2026

Aconteceu no Fim do Mundo - O Conto

 


O navio jogou-se ao mar com bravura partindo daquela encosta inóspita enfiando sua nobre focinheira na primeira onda gigante que por ali batia com força. A embarcação foi construída contra todos os prognósticos dos técnicos do mar que, com braços hercúleos, rasgaram o rochedo na construção da plataforma que fechou o casco do monstro marinho. Parecia, à primeira vista, que havia uma intenção oculta.

Enquanto isso, a bruma de sal, o nevoeiro da madrugada, a umidade colante no ambiente estranho, a marujada com ouvidos moucos e lábios colados simplesmente tiraram as amarras que o prendia ao abismo e o fizeram deslizar sem destino - sem âncora, sem marujo, sem comandante, sem velas, sem capitão, sem bússola. Apenas o casco brilhava na densa cerração deixando resplandecer o misterioso camarote, até então, sem sombra de vida.

A maré, neste momento, revolta e barrenta percebeu que havia muito mais que um gigante de ferro sem rumo e aparentemente sem alma. Acionou sua intuição marinha, baixou suas ondas abrindo as comportas do oceano para o labirinto cristalino do fundo do mar e um outro mundo ficou em alerta onde grandes e pequenos, ferozes e calmos, escondidos e exibidos, com escamas ou sem, estancam junto a maré. A nau navegante afundou serenamente seu ventre na massa oceânica que silenciava em torno do que parecia ser um segredo.

Sem a propulsão das grandes embarcações singrava a nômade do vento, vazia de movimento no convés, na proa e na popa sequer deixando um rastro espumoso para trás. Se ouvia apenas um marulhar das águas, dos viventes do sal e o farfalhar das plantas. O mar transformou sua surpresa em encantamento quando se defrontou com a parição de Vanisa sobre uma camada de limo.

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

O Alforje do Inverno

 


O mar rugiu em altos prados por dias com suas ondas se desencontrando em seu leito e, volta e meia, correndo até a beirada dos cômoros carregando alguns elementos do seu corpo marítimo que retornam misturados com materiais intrusos.

Aproveitando o destempero resolveu destinar uma lição exemplar aos enxeridos com o propósito de devolução ao lugar de origem ficando a cargo da altiva vegetação dos abismos atuar exemplarmente na restituição dos oferecidos do sal.

Estes dias me deixaram na escuta pensando que talvez o mar tenha resolvido falar mais alto para que eu o ouça plenamente, o que me fez sentir prestigiada. Afinal, não ando querendo ouvir tudo de todos, mas, para ele sempre terei escuta em “alto decibel” mesmo que eu tenha que me acercar de sua margem.

Estava flanando nestes pensamentos quando senti uma brisa forte gelada que falou com meus ossos em uma conversa direta o que me acendeu uma suspeita que, talvez, tenha sido uma bondade do rigoroso em me alertar soprando cândida e friamente que ele chegará por aqui no fim do mundo em breve trazendo em seus braços as camadas insolentes do seu patrão – o clima severo – a quem ele serve fielmente.

Decidi enfrentar o sorriso esfriado mostrando dentes de gelo, barba polvilhada de neve, cabelos eriçados pela umidade, olhos lacrimosos do vento inclemente, botas já rotas do longo caminho do outono até aqui. Ao enfrentar esta figura, percebi a presença no braço direito de uma bolsa volumosa e muito antiga com alguns fiapos soltos.

Compreendi que deveria abrir o alforje e qual não foi a minha surpresa ao encontrar ali todo aparato para me aquecer: desde lenha para lareira, passando por um bule de café, outro de chá, uma lata de biscoitos, mantas, gorros de lã trançados nas cores que aprecio, meias de lã e botas novas para trilhar caminhos por aí. O sorriso estanque pelo vento sibilante segredou-me - Cheguei. Eu sou o Inverno.

terça-feira, 17 de março de 2026

Fio de Pérola

 


Depois do ontem assentei meu corpo no lugar de costume com o pensamento aéreo, como eu gosto de ser - mesmo que dedos apontem para mim como qualquer coisa ou coisa nenhuma. Não me importo com tantas palavras nulas ao meu redor porque já faz algum tempo que decidi que teria ouvidos moucos para muitos, para poucos e para muito poucos.  Relevar o insignificante facilita para encontrar algumas verdadeiras razões que favoreçam e provoquem o modo pensar.

São tantos os motivos que decidem a quem vais dirigir um pensamento para registro que, em meio a este caos interessante de todos os dias, vou recolhendo algumas pérolas que necessitam ser retiradas do colar uma vez que, visivelmente avariadas, a elas apenas resta parar em algum outro colar que não o meu.

E foi deste modo interessante que iniciei meu dia retirando do meu pescoço um colar de pérolas que sempre uso, deixando-os entre os dedos. Ali está guardada a melhor ocasião, a palavra da hora certa, o sentimento adequado e o lugar que me importo. Mas me importo de verdade. Reparei que havia um movimento sem brilho que a mim chegava e, foi sem nenhuma malicia que me dei conta que deixei entrar no meu acervo de coisas e loisas determinadas pérolas que não possuíam a qualidade das que eu colecionava por puro instinto.

Me deu a impressão que eu havia  me distraído ao olhar para o outro lado quando estas pérolas deformadas se enroscaram no fio tão sub-repticiamente como acontece quando nos perpassa uma mentira, um agouro cinzento, uma palavra malsã acompanhada de um sorriso aguado. Decidi correr até a beira do mar e deitei na sua espuma um punhado de pérolas intrusas.

domingo, 15 de março de 2026

Conversa Mole

 


O sol não somente se levantou hoje em frente ao me quadrante que, predestinado pelo senhor do clima, resolveu andar com pés de fogo em todo lugar. Não abriu sua janela mansamente como é  de costume, mas escancarou sua luz de forma intempestiva. Sem sequer olhar para os lados estancou em minha frente vociferando junto aos meus ouvidos abalados pela vida e pelo tempo, rasgando o céu com letras incandescentes para me avisar que hoje não terei chance de elucubrar segredos soturnos atuais, de ontem e de amanhã como tanto me comprazo em elucidar. O Astro Rei fincou pé avisando que a partir de agora até o fim do dia somente letras cursivas e malemolentes haverão de surgir.

Assustada resolvi conferir a veracidade desta ação tão inusitada pois percebi o esfogueamento do mar que em sua linha do horizonte passava de uma linha reta para um traço trêmulo de massa liquida. A paisagem se prostrava em prece para que não houvesse um enfraquecimento das forças do renascer diário, variando o horário aqui e ali, talvez para dar uma dinamicidade no caminho da existência de cada um.

Ao sentir a ameaça de um derretimento das minhas ideias, histórias e fabulas que deitei ao longo do tempo no acervo variado de escrita, corri para o lugar em que estão empilhadas com uma determinada organização que, a bem da verdade, as vezes se invertem, tomam-se de vida própria só para me provocar o sentimento de esquecer e, assim me fazer virar tudo do avesso. Elas estavam no lugar, porém seu conteúdo estava misturado com letras muito enevoadas e sem sentido, semelhantes a um mar preguiçoso quando se esparrama e derrete na areia fofa levando para si esta conversa mole.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Ondas de Gratidão: 151.000 Histórias Compartilhadas

 


"Escrever é lançar garrafas ao mar, sem nunca saber ao certo em quais mãos elas vão chegar. Hoje, recebi a notícia de que já somos mais de 151.000 por aqui.

Nos últimos dias, mil novas janelas se abriram para as minhas crônicas. Tem sido um tempo de recolhimento para mim, cuidando da saúde e da alma, mas ver que minhas palavras continuam caminhando sozinhas por aí me traz um ânimo renovado.

Obrigada a cada um que para um instante para ler, sentir e mergulhar nestas histórias comigo. O mar continua lindo, e a escrita, mais viva do que nunca."

A Paixão de Cristo

O momento final da Paixão de Cristo começa bem antes para os que tem fé e vivem com os olhos voltados à liturgia da religião e que possui no...