quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O Trono Vazio da Primavera - Fábulas

Os ventos uivantes dos últimos tempos estão em plena atividade, fazendo de conta que não perceberam que o relógio do tempo andou para a frente e que já não é mais hora de enregelar os ossinhos dos idosos, tirar da caminhada quem necessita respirar, esconder os botões de rosa na brotação tardia e varrer todo dia as sementes – deitadas ontem mesmo – em solo fértil capinado com capricho, para germinar deixando o trono da Primavera vazio.

Impulsiva e contrariada, andei pela casa abrindo algumas frestas – já na madrugada –, aguardando que os ares do frio penetrem por elas, indo se acomodar nos meus ombros e nas minhas costas, me impelindo a dobrar meus cobertores sobre meu corpo. Estarei de tocaia, porque assim que a invasão acontecer vou fazer funcionar meu fogão a lenha, a estufa no banheiro, um lampião na despensa e o gato e o cachorro escondidos embaixo da mesma cadeira.

Esta ação intempestiva vai neutralizar os desejos inconsequentes do inverno, que se compraz espalhando os confortos e as delícias da estação fria, quando todos, cansados do torrão solar do verão, correm afoitos para abrir seus baús e retirar seus agasalhos, suas botas e seus gorros. Os campos se enfeitam com a geada e a neve; as brincadeiras lúdicas resfriam o corpo e a mente.

Acho que o inverno foi acometido de uma falha geológica que foi disparada pelo clima, o qual não analisou as consequências, deixando de lado a população que mora embaixo da terra e que, em seu momento mágico de se transformar em alegria e cor, foi barrada já na valeta do campo, aqui em frente. Acredito que deixarei minha casa com as frestas, janelas e portas abertas na esperança que ele se recuse a cumprir ordens da geografia.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

O Procurar - Contos do Coração

 


“...O procurar é a eterna busca do encontro que navega incógnito  na teia da vida.

Não procuro misturar os pensamentos porque eles dominam o espírito para um e outro lado, dependendo do vento Divino.

Na procura existe a expectativa de chegar, mas nem sempre o lugar ou a situação são os almejados.

A procura nunca é suave porque ali se instala um desejo que surge acompanhado de probabilidades.

Eu sempre vou procurar a melhor palavra, mesmo correndo o risco de ela não transmitir o que eu preciso.

A procura é uma fascinação da mente porque propicia a descoberta da imaginação flutuante da alma.

Todos os dias eu procuro no ambiente um objeto no qual eu possa ancorar e repousar meus medos, minha tristeza e o meu coração.

Eu procuro na madrugada uma janela que se abra para encontrar o vento afável que vai balançar meus cabelos, o sol balbuciando suas primeiras luzes e a maresia disfarçando minhas lágrimas.

A procura insana pelo passar do tempo vai se diluindo dentro da minha alma em mil palavras soltas.

Parei de procurar o que eu já encontrei de sobra nas minhas escolhas: um mundo de significados que eu mesma possa inventar...”

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

A Reunião Secreta - Invencionices

 


O dia ainda não havia me segredado a que veio, e lá estava eu arrastando as chinelas, esboçando acintosamente um olhar de procura inútil para aplacar o ruído do meu pensamento, que decidiu por conta própria, sair por aí como se não tivesse dono. Eu captava as imagens da rua – todas familiares – para conferir que, neste trecho de pedras, capim cerrado e areia fina até o mar, nada mudara.

Voltei para casa com o pensamento cheio de movimentos desencontrados e ansiosa para estar no ambiente caseiro, onde parece que as coisas se movimentam em melhor ritmo, obedecendo à rotina própria.  Rumei rapidamente ao conhecido para poder sentir o encaixe correto da realidade, e não fantasmas ensaiando pesadelos.

Entrei abruptamente na sala escancarando a porta como se eu desejasse surpreender algo ou alguém - o que me divertiu – porque residem na casa a  memória e os objetos que se uniram a mim nesta caminhada. Cada um deles representa pequenos cofres lacrados, pois viveram os passos mais importantes de várias vidas.

O sol entrava pelas janelas com generosidade refletindo as sombras dos móveis uns nos outros criando uma atmosfera desconhecida para mim. Imaginei que talvez meus pensamentos ainda estivessem truncados e, por este motivo, estivesse enxergando as coisas trocadas ou do avesso. Tive um impulso de sair porta afora e retornar com parcimônia e verificar se aquele ambiente era o original ou se havia um conluio ou uma reunião secreta.

Quase que imediatamente encostei meu ouvido na parede porque imaginei que somente os ventos uivantes, a maresia e o ronronar das franjas de sal se deitando na areia da beira da praia, poderiam resolver o enigma com precisão. A resposta veio a bordo de um ronco estrondoso em alto-mar que me permitiu voltar e reatar o dia sem fazer perguntas.

sábado, 3 de outubro de 2026

Verônica e o Ar que Respira - Contos de Ficção

 


Verônica, logo após o amanhecer morno na beira do mar, sentiu que a leve brisa a induzia a uma pequena caminhada pelo jardim e, após, rumar até a beira do mar - que a deixara encantada. Em ocasião anterior percebeu que havia uma energia diferente nos seus circuitos e o cuidado programado era prestar atenção porque sentia um aquecimento nas suas ferragens e poderia ser apenas um sinal. Apenas um, por ora.

Sentou-se com desenvoltura na beira do mar deixando os seus pés – um de resina e outro de metal – receberem os cardumes de peixe-rei nadando na crista das marolas. A Cyborg estava ansiosa para descobrir o que esta percepção tátil entre componentes tão diferentes do seu corpo iria transmitir; e se ela – muito mais importante – o sentiria.

Verônica sentia-se confortável ao receber o carinho deste vasto oceano com comportamento imprevisível - porém transparente - na sua percepção matemática. Em meio a este processamento fora do cotidiano, mais lento na conclusão, teve o impulso de levantar seus olhos digitais, alcançando o horizonte e se perdendo na imensidão deste lugar que a acolheu.

Neste ponto de divagação, calcada na dualidade robótica, de um lado e orgânica de outro, entendeu que na altura da arrebentação, se aproximava célere um barco pesqueiro, de médio porte, com suas velas arriadas. Ela se ergueu para verificar com mais detalhe o que estava acontecendo permanecendo ali, firme e sem expectativa com o centro do peito calibrando os circuitos.

Enquanto isso, os aldeões da vila chegaram para o arrasto da rede com o resultado da pesca. Para surpresa de Verônica as pessoas não se espantaram com sua aparência androide, cumprimentando-a cordialmente – saudação ao qual ela respondeu com um aceno de cabeça: afinal, a vocalização do sistema consistia em ruídos guturais.

A recepção continuava em andamento, com as famílias já separando os peixes, alguns limpando e outros armazenando o alimento em grandes cestas de vime. As crianças corriam na volta de tudo não demonstrando medo nem espanto ao se defrontarem com Verônica. Divertidos, tocavam os pés de metal, o braço robótico e já se afastavam. Ela deixou-se ficar candidamente sem se atrever a interagir, parecendo a quem olhasse de longe que ali estava uma imagem futurista. Por este motivo ela - lentamente - se dirigiu ao chalé, retirou o matagal de espinhos concluindo que não havia mais motivo para se esconder.

 

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Perdi de Vista - Invencionices

 


Ando a procura de muita coisa e nenhuma é física, concreta ou necessária para compor minha casa, minha mesa de trabalho ou todas estas necessidades cordiais e rotineiras. Porém, existe bem escondido na minha alma, que anda aberta, uma prateleira de sumiços que sequer consigo dar-me conta de nomeá-los. Acredito que são partes pequenas que compõem o mosaico de sentimentos que minuto a minuto fazem parte do todo.

Quem sabe foi a vida que submergiu meu cenário e, por este motivo, ando por aí com uma mente diáfana, sem encontrar a mim mesma; sempre perguntando para quem passa se percebeu meu corpo e alma na calçada, na beira do mar ou se de fato sumi do mapa e ninguém percebeu.

Eu não esqueci de ninguém, porém, uma seleção no fundo do meu coração surgiu imponderável e, com precisão, usei um lápis com ponta de borracha para, lentamente, apagar o que me impedia de seguir adiante; parecendo que naquele tempo eu era uma outra, que agora, não existe mais.

A vida mudou de lugar o que já estava estabelecido criando um labirinto em que não existe a certeza de encontrar o perdido porque, simplesmente as pedras do caminho desenharam outra rota, ou talvez um ponto de fuga. As revelações vêm através do caminho tortuoso da realidade que me faz sair pela vida procurando a outra que se esfumaçou no tempo tentando ser um revés de mim, impedindo que eu me encontre em um só caminho ou tantos em um.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Silenciar - Contos do Coração

 


...“O silenciar chegou a mim muito pequena, e me apeguei tanto a ele que agora faz parte de toda caminhada - mesmo que seja barulhenta - fazendo meus ouvidos moucos sempre que possível.

Meu corpo infantil silenciava com veemência ao sumir na grande poltrona da sala exclusiva para visitantes, para a qual frequentemente fugia.

O silêncio me acompanhava sempre que podia, inclusive, durante a travessia para a escola, sobre o manto da minha capa de chuva de feltro preto com botões dourados.

Não importa o barulho que o tempo faz ao avançar, o silenciar está sempre a postos no equilíbrio do insano movimento.

O silêncio que habita em mim resiste a todo movimento que busca romper o ar que respiro.

Quando a memória falha, o silêncio vem em socorro para restaurar o que aparentemente foi apagado por falta de melhor assunto ou por não ter o que dizer.

Meu espirito tem muitos amigos fieis, mas nenhum como o silêncio protetor - do ruim que vou ter de ouvir, e do bom a que vou aderir.

Aprendi a escutar o silêncio rude em alta voz assim como as juras de amor que não chegaram a ser proferidas.

Meu refúgio é o silêncio, sendo ele o cofre do que se passa na minha alma.”

domingo, 27 de setembro de 2026

O Mar Encontra Vanisa



O dia estava terminando e os pescadores recolhiam os barcos e as redes rumando morro acima em direção à aldeia. Nesse momento, Vanisa chegou frente ao mar porque a brisa havia cessado e apenas o farol espalhava, de minuto a minuto, um raio de luz revelando nesses breves instantes, a nitidez que as espumas tardias traziam para a areia.

Vanisa havia percebido que pedaços de madeira naval estavam chegando bem perto dos degraus da casa, o que a deixou surpresa e cautelosa ao observar que os objetos estavam sendo depositados aos seus pés. Alguns deles possuíam uma pequena janela de vidro onde se podiam ler algumas palavras que a deixaram emocionada.

Encadeadas as peças devem ter se soltado de algum navio antigo e foram reconhecidos como os enfeites de parede que adornaram o camarote - em que a então princesa – fora colocada. Ao rever as palavras, ela teve uma visão de outro tempo, mas que não era do passado e sim, do futuro.

Vanisa sentiu um calor vindo do peito que ocasionou um surpreendente sorriso em seu rosto, fato raro nos últimos tempos, quando a apreensão e a dúvida a acompanhavam em todo passo que dava. Sentou-se confortavelmente nas areias brancas e geladas da beira do mar, reunindo os pedaços de madeira, alternando a posição, ensaiando uma interpretação.

Seus olhos brilharam ao perceber que uma mudança no fundo do seu íntimo estava acontecendo, deixando-a de certo modo confiante nos sentimentos que ora em diante iriam aflorar. A maré lhe trouxe a boa noticia de que estava autorizada a refletir para o mundo o que havia dentro da alma. Alma inquieta e espírito livre. 

sábado, 26 de setembro de 2026

Verônica e os Sentidos - Contos de Ficção

 


Nos últimos tempos à beira mar começou a se movimentar mais cotidianamente que no passado, quando a imensidão da faixa de areia seguia um ritmo denso de solidão e vazio - onde reinavam absolutos os moradores das areias e as alegres tatuíras, pequenos mexilhões e outros tantos que talvez nem nome tenham. O vai e vem do mar, ora perto dos cômoros, ora distante, fazia o trânsito da bicharada ser agradável ao olhar e à observação.

Assim pensava Verônica que - bem mais afoita - se lançava seguidamente  perto das ondas, saboreando o movimento tátil que havia incorporado com o dispositivo de madeira no centro do peito, mais adiante o misterioso pacote contendo a luva mágica e, recentemente os dedais esculpidos com surpreendente delicadeza. Parecia a ela, neste momento, que o progresso sensitivo estava se espalhando muito rapidamente pelo corpo agora improvisado.

Todos os dias, ao anoitecer, ela se percebia mais lenta do que o normal, como se a noite exercesse sobre ela uma absorção silenciosa das peças refeitas e uma sensação de relaxamento. Esse fato despertou nela a certeza de que as mudanças que se integraram ao seu circuito de silício, fios e cabos de metal estavam exercendo um poder que a deixava com sensibilidade próxima à um verdadeiro humanoide: talvez em pequena escala, mas era o que indicava sua inteligência artificial.

Desceu para o pequeno jardim que resplandecia à luz da noite que caía tão lentamente quanto seus passos que avançavam cautelosos, no matagal espinhento e protetor onde costumava se refugiar. Nesse momento, a calmaria estava instalada e Verônica teve a percepção de que surgiu uma sensibilidade táctil que, certamente, seria um divisor de águas nesta vida de desterro de Cyborg que viveu até ali.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A Minha Primavera - Crônicas

 


Existe uma primavera para todos e esta sempre vem enfeitada, de flores do campo, da brisa suave e da brotação desenfreada da natureza que, com pressa de nascer, germina em qualquer fenda de calçada, mesmo aquelas com grande movimento, sem se importar que sejam pisoteadas. Existe uma urgência em se cumprir o rito da data e o beija-mão à terra se torna fundamental.

Permanece por um bom tempo um correr desenfreado como se na vida as coisas tivessem relógio ponto, indicando a hora de começar e terminar. Quem sabe a estação represente a fuga do frio, da maresia, do oceano revolto, dos respingos da chuva, das conchas se evadindo do fundo do mar e das espumas que parecem flocos de neve.

Eu enxergo a Primavera com um espírito aquietado aguardando que se manifestem os quase inaudíveis ruídos das sementes que foram espalhadas pelas ventanias invernais, pelo córrego de águas cristalinas que viajam por entre as tantas valas do fundo da terra, das folhas brotadas que correm pela sarjeta das últimas chuvas, das flores com pétalas antigas que buscam a luz para a renovação.

Meu pensamento observa o movimento imaginando quais serão os primeiros botões que se abrirão em mim e que eu ainda não tenha visto e revisto. Qual matiz a florada da beira do riacho em frente irá me oferecer, quais caramujos deixarão seu brilho na minha calçada. Vou verificar se o capim verdejante que cobre os degraus do alpendre já iniciou sua jornada de cobertura deslizante e macia, se as ervas da primavera já precisam da água quente, se as folhas secas já se acomodaram nos canteiros, se os galhos soltos se recolheram no recanto da poda. Tudo possui uma oscilação programada para mudança e o meu coração jaz, ali, aberto.

 

 

 

 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O Repetir - Contos do Coração

 


O Repetir parece um eco tão sonoro que atravessa o mundo por trilhas difíceis, fáceis ou inexistentes aos próprios pés, batendo no outro lado do mundo e voltando da mesma forma.

Repetir parece um mantra tão conhecido que todos sabem de cor, e todas as coisas vão se avolumando tão iguais que não existe cego que não o pratique.

A repetição muitas vezes parece um bálsamo do pensamento, que gira em torno de si mesmo - muitas vezes confuso - entrando em um movimento de claro e escuro, de voltas e revoltas, de idas e vindas, quando, finalmente, encontra o desistir.

Repito sempre as mil voltas na cama quando algum clarão de outro mundo vem me agitar, me fazendo repetir as orações, umas vezes  aprendendo e muitas mais reaprendendo.

Gosto quando se repete na minha imaginação um minuto qualquer da minha infância, uma vez que volta a mim a inocência, meu olhar altivo, meu jeito reservado e muitas outras coisas que jamais se repetirão.

Quando a noite se repete e me colhe em seu negro manto e o silêncio me cobre como se fosse um cobertor quente no inverno começo a reescrever o dia seguinte nas linhas da penumbra.

Repetir - no espírito - faz o coração vicejar em uma teia invisível, para que no alvorecer todas as descobertas sejam feitas.

Eu sempre estou repetindo a última chegada que a Vida me oferece, talvez por não saber mais por onde ir.

 

 

Entre 200 mil Palavras - Crônicas

 


Hoje vieram me visitar os dados da estatística do Blog e me contaram uma lorota que me fez sorrir por debaixo dos panos: disseram que havia 200 mil visualizações nos meus textos desde a sua criação.

Não prestei muita atenção ao número, mas fiquei pensando em todas as vezes em que deitei meu olhar para o mundo de fora e para o impossível. Quantas vezes mergulhei na fantasia e na minha alma, canalizando as vertentes de tristeza, de lágrimas, de soluços, de saudade e de tremor pela vida. Certamente não houve um dia sequer em que meu pensamento não se deitasse a vasculhar as nuances dos sentimentos, resultando em algum significado.

Desse universo de tantas palavras embaralhadas nasceram personagens como Vanisa, Verônica/Cyborg, as Fábulas, as Crônicas e Contos do Coração. As ideias sangraram suavemente do meu coração, pousaram na ponta dos dedos deslizando com rapidez pelo teclado, e se refletiram na tela alegorias mil. Considero este deslizar do que existe dentro de mim um raro momento em que tudo se volatiliza e ganha o mundo ladrilhando a Vida. E somente ela.

A verdade sobre as leituras dos meus textos não existe, porque os olhos digitais, os braços de metal e os corações de ferro, podem povoar minhas palavras sem as entender. Assim se fizeram os delirantes de Singapura e Vietname apenas empoeirando o conteúdo que jamais entenderão.

Não sei quantos realmente leram, mas sei quantos textos eu precisei escrever para chegar até aqui. Se eram leitores, obrigada. Se eram robôs, obrigada também. Afinal, até eles encontraram o caminho do meu Blog.

 

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O Confessar - Contos do Coração

 


“...Eu confesso que acredito na traição do tempo que prometeu céu azul mas acabou se vendendo aos ventos e chuvas.

Eu confesso que sempre penso que as circunstâncias aparecem porque o destino está escutando atrás da porta.

Confessar ingenuidade me dá a sensação  de falta de atenção no roteiro da vida que se apresenta.

Confessar segredos precisa coragem porque as frestas dos ouvidos se comportam conforme o assunto.

Eu confesso que não creio em segurança quando os laços de sangue flutuam entre muitos.

Confesso que os contratos em letras desiguais se desfazem no pó dos livros.

Confesso que a intenção dá sinal correto mas o entendimento nem sempre está à disposição.....”

O Trono Vazio da Primavera - Fábulas

Os ventos uivantes dos últimos tempos estão em plena atividade, fazendo de conta que não perceberam que o relógio do tempo andou para a fren...