domingo, 16 de agosto de 2026

Vanisa: Não Muito Longe Dali - Contos do Mar

 


O dia nasceu escurecido, com nuvens pesadas e o mar agitado, jogando suas espumas ao revés, deixando a paisagem arrebitada no olhar dos praieiros. Em meio ao entrevero da natureza, havia um clima de expectativa no ar em relação ao dono do imponente veleiro aportado no simplório ancoradouro da vila. Vanisa havia chegado muito tarde do mar na companhia do marujo desconhecido, e por este motivo, todos estavam aguardando o desvendar do mistério.

Os aldeões guardavam uma distância respeitosa de Vanisa, desde o dia em que ela surgira do fundo do mar. Além do respeito, havia uma curiosidade divina em torno dela. Todos resolveram seguir até a ponta do ancoradouro, um lugar mais alto e ermo, com uma ampla vista do horizonte, que apaixonava os mais jovens românticos da vila: os idosos, em passos trôpegos, faziam sua caminhada até o cume para agradecer e as mulheres e crianças aproveitavam a companhia de todos nas brincadeiras.

O tempo severo havia amainado os ânimos quando a Princesa do Mar abriu suas portas e janelas, parecendo, inclusive, ter poderes para cessar o fogo da paixão do mar pelo vento. Ao abrir sua casa, estendeu o olhar para a beira da praia percebendo que havia um movimento fora do comum, para um domingo normalmente silencioso, dedicado às preces e ao convívio com os vizinhos. Naquele momento, percebeu ansiedade nos olhares e uma aglomeração no cume da vila, não enxergando o estranho marujo do veleiro. Desceu apressada para averiguar o que se passava.

Ao se aproximar do local do encontro, encontrou o velho marujo, que a recebeu de braços abertos, atitude que surpreendeu e comoveu a moça. Um certo tumulto sacudiu a pequena turma, que estava ansiosa pela revelação do segredo vindo do alto-mar, trazido pela dupla misteriosa.

O capitão forasteiro tomou nas mãos a cúpula do farol antigo resgatado, na noite anterior, levando-a até o cume da torre que abrigara um antigo lume de orientação dos marinheiros. Os pescadores ficaram estupefatos, com a novidade, pensando, quase que imediatamente, em quem seria o novo morador deste lugar, tão importante no vigiar, e que havia sido abandonado há muito tempo. Todos se voltaram silenciosamente para Vanisa que, enigmática, sentiu que o farol que seria montado não era apenas uma reconstrução, mas um sinal misterioso.

A noite chegou repentinamente, a brisa se agitou, a maresia invadiu como névoa e, finalmente, o feixe de luz atravessou a noite, cortando o oceano com um grande clarão. Não muito distante dali, um par de olhos digitais captou um sinal de alerta, sem saber exatamente a que ele se referia.

sábado, 15 de agosto de 2026

A Luva Mágica de Verônica - Contos de Ficção

 


O dia estava muito iluminado e estranhamente calmo, com o mar verde cristalino encantando os olhos digitais de Verônica que, recentemente, foram lubrificados com a poeira cósmica, que veio apaziguar os desencontros de encaixe. Ela estava bem acomodada e confortável na poltrona da bancada de madeira rústica, frente ao janelão com vista para a praia. Todos os aparelhos e telas eletrônicas estavam devidamente revisados e organizados, compondo o ferramental do qual necessitava para manter a parafernália de sua composição.

A Cyborg, ao ser jogada na praia como descarte de máquina avariada, chegou ao chão em meio a muitos equipamentos, que ela já recolheu e organizou. Afora isso, muitas caixas lacradas acompanharam o bota-fora e estas foram selecionadas sem serem abertas, uma vez que a urgência, era fazer sua engrenagem funcionar minimamente. Depois de alguns percalços e enganos, aparentemente, as funções estão sendo restabelecidas. Com exceção, é claro, de novidades fora do espectro da máquina que andam surgindo. Aliás, hoje, Verônica exibiu um sorriso de quartzo, demonstrando um determinado senso de humor e mistério.

Animada com os últimos resultados de sua experiência de vida, ficou pensativa, olhando as ondas do mar Das quais ela já havia chegado tão perto. Emocionada, a luz do peito se agrandou e, sem querer, focou em uma pequena caixa que estava ao lado dos aparelhos da casa que nunca havia chamado a sua atenção. Se tratava-se de um pacote muito bem embalado, em um papel de seda azul- escuro, com um laço de fita amarelo-brilhante.

Ao desembrulhar o pacote, sentiu que a mão mecânica tinha certa dificuldade de articulação nas juntas, fato em que ela jamais havia reparado, talvez porque, suas mãos foram fabricadas à feição do trabalho que iriam desempenhar. Acomodou-se melhor na bancada e, vagarosamente, como lhe foi permitido, retirou o lindo papel de embrulho, surgindo de dentro da caixa uma luva – apenas uma.

Com determinação, ela vestiu a peça feita com material leve e macio na sua mão mecânica que, surpreendentemente, se moldou com suavidade, estremecendo seu corpo com leveza. Os seus olhos de vidro, que captam com profundidade a luz e forma, brilharam intensamente ao se deparar com um pingente de quartzo alinhavado no punho da luva. Verônica sentiu um circuito sutil atravessar seu corpo, despertando uma memória desconhecida em seu processador.  Comovida com a quentura que permaneceu em suas juntas, retirou a luva, depositando-a de volta na linda embalagem.

 

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

As Fábulas do Blog - de Vera Lucia Renner

 


“Como um acordar de um sono profundo, vieram à mente minhas personagens. Vanisa chegou calma, silenciosa e, com cautela, demonstrou mistério, beleza e natureza. Ao recebê-la de mente aberta, abri uma casa para ela chamada “Contos do Mar”.

Verônica chegou, rangendo parafusos, soltando fumaça e agitada. Rompeu meu descanso avisando que chegava com a verdade e a vitória. Recolhi seus cacos e criei Contos de Ficção.

O coração se revelou depois de uma breve letargia no meio da tarde. Naquele momento calmo e único, vieram me visitar frases soltas, oriundas de muitos sentimentos, alguns controversos. Resolvi transformá-los em desabafos pontuais, criando Contos do Coração.

Não tenho certeza de que estas prateleiras fabulosas se encerrem, porque todos os dias ao olhar o mar diferente, sendo igual, acredito que possam surgir mais páginas em branco para preencher.

É assim, dia após dia, vou enredando o verbo, a pontuação e a fluidez nas fábulas de Contos do Mar, Contos de Ficção e Contos do Coração.”

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O Chorar - Contos do Coração


 “....O chorar anda sempre à espera de acontecer. Fica ali represado, não sabendo de antemão se verterá lágrimas de sangue ou de sal.

Meu chorar vem sempre antes do advir, parecendo existir um rio dentro de mim, pronto para desaguar, sem sequer vislumbrar o motivo.

O chorar não acontece somente na demanda indesejada, porque as lágrimas sempre dão conta do próprio destino que, muitas vezes, as retém.

Passei chorando por alegrias, por falta, por presença, por amor, por pouco, por demais...Diria que, vez ou outra, me tornei um vale de lágrimas.

O chorar vale sempre como uma caprichosa limpeza do olhar: esvazia o excesso de qualquer coisa no coração, alerta o entorno, faz a face brilhar sob a luz da lua.

Chorar sempre se faz presente em todos os olhos e lugares, frequentando os rostos de pobres e ricos descendo pelo sulco do rosto desde o bebê até o velho, que, mesmo cansado de chorar, ainda encontra nas lágrimas o seu consolo.

O meu chorar tem vida própria:  acorda cedo e, tantas e tantas vezes vem apenas espiar como o dia está se apresentando. Mareja meus olhos, anuvia a paisagem e decide: Vou apenas lavar o rosto, depois me recolho....”

 

 


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Quem Segura a Lanterna

 


O dia e a noite vão se sucedendo sem que muito se preste atenção e assim, na claridade, reconhecemos as estradas, refazemos planos, distinguimos uns aos outros, sabemos nos conduzir para qualquer lado que se aponte. Isto acontece porque o brilho está sempre no alto do céu e, quando a noite vem, o susto recolhe. Quem não tem para onde ir; se deita em um chão de estrelas, outros ocupam qualquer lugar que a claridade guiou e - enquanto a obscuridade se vai, seguem em frente sem olhar para trás. Outros ainda abrem a porta de suas casas e por lá se acomodam, só na espreita de que o dia retorne, como sempre o fazem.

Na luz e na escuridão há motivos escondidos e camuflados que permeiam o mundo todo, como se fosse uma nuvem de poeira necessária para que o passo a passo seja constante, escorregadio e sem nenhuma régua para medir. É deste jeito disfarçado que tantos pedaços de tudo vão se perdendo e rondam os caminhos: no claro e no escuro com seus algozes, seus anjos e seus fantasmas.

O feixe estreito da lanterna é o buscador criterioso do espírito que sai à procura da palavra perdida, do peso falso, do horizonte escondido. Um guardião do futuro que solitariamente vai envergar a lucidez do apontamento que flui por detrás das aparências, da penumbra dos desejos, do anoitecer da maldade, da reflexão oculta e do passo em falso. Um farol que vai iluminar o filme da vida e uma luminária ao lado dos sonhos.

 

 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

O Voltar - Contos do Coração

 


“...Voltei cedo demais, pensando que já estaria tudo resolvido. Foi então que eu percebi que existe o inevitável mantra: não tem volta.

A volta que a valsa determina segue o ritmo da inspiração orquestrada pelo diapasão, onde cada passo se encaixa no esmero do som.

Perdi a volta que o mundo dá, distraindo-me com os pés fixos no chão - os ouvidos moucos ao presente e olhos fechados para a maré de mudanças.

Sempre penso em voltar, porém, quando busco o tempo de lá, ele não existe mais; ou talvez, quem sabe, apenas tenha sido uma memória inventada.

Ao voltar atrás, não encontrei o passado à minha espera

mas sim, a recontagem assustadora das passadas que seguiram em frente.

As tantas voltas com que a vida estremece, vez ou outra faz-se necessário prendê-las em um cordão mágico, impedindo que a vida continue girando sem mim....”

domingo, 2 de agosto de 2026

Vanisa Encontra o Farol - Contos do Mar

 


O dia estava nascendo com rompantes de luz, mas apenas um feixe muito claro atingiu diretamente a morada de Vanisa, que estava havia muito tempo em seus afazeres matinais. Ao abrir a porta foi ofuscada pelo clarão que a estonteou, obrigando-a a se proteger. No mesmo instante, a claridade arrefeceu cobrindo tudo em um tom mais aquecido. Passado o susto, desceu ao jardim para regar o guanandi que crescia viçoso e dar alguns grãos para a gaivota e seus filhotes que todas as manhãs vinham visita-la.

Desceu do alpendre e percebeu que o rastro luminoso acompanhava seus passos até o momento de encontrar um velho marujo – desconhecido na vila – e que a estava aguardando, junto à um grande barco a vela: coisa rara por aqui.  Nem bem o havia cumprimentado quando o velho pescador lhe estendeu a mão convidando-a a subir na embarcação. Vanisa não pensou duas vezes aceitando o convite porque, havia dentro dela, uma ansiedade inexplicável que, de certo modo, a impelia a voltar ao mar.

O oceano parecia aguardar os dois aventureiros, levando o barco adiante das ondas praieiras com leveza e suavidade. Neste momento, a luz se acomodou fazendo cintilar as marolas do incessante vai e vem das profundezas. O marujo seguia com seu olhar firme deixando que a Princesa do Mar aproveitasse o momento sem fazer perguntas, afinal, ele sabia que o coração dela os levariam ao destino.

Em pouco tempo apontou no horizonte um caminho que levava a uma ilha com características inusitadas, pelo que se podia vislumbrar, ainda de longe. Vanisa estendeu o olhar ao mesmo tempo em que o raio de sol apontava para o local e, sem mais demora, o marinheiro enfunou as velas ganhando velocidade em direção à ilha.

Os impetuosos aventureiros aportaram às margens da ilhota formada por relíquias marítimas de corais raros, plantas abissais e conchas milenares.  Seguiram por um caminho de grama-marinha ladeado pelas anémonas. De repente, o fulgor que os havia acompanhado iluminou a cúpula de um farol muito antigo, feito de cobre raro e desenhos reais. Vanisa deixou-se levar pela emoção e foi acompanhada de perto pelo pescador, que de certo modo, já conhecia o artefato, assim como sua origem. Mudos, os dois buscaram forças e, cuidadosamente, levaram a preciosa carga para o barco. Não houve necessidade de palavras. Seus olhos se encontraram e, silenciosamente, entenderam a origem da descoberta.

 

 

sábado, 1 de agosto de 2026

O Holofote de Verônica - Contos de Ficção

 


Verônica ainda estava atordoada com os últimos acontecimentos dentro do casebre improvisado, que serviu em sua fuga como morada, estacionada entre a areia da praia e o oceano, após sua queda do camburão. A partir daquele momento seu circuito não conseguiu se retroalimentar adequadamente, rompendo aqui e ali os cabos de energia que, ao invés de danificar a máquina, acenderam os sensores da sua parte humanoide, materializada pela estrutura sintética da sua estrutura, criando duas forças: a do espírito e da engrenagem.

Esses pensamentos vagavam pelos chips de silício de certa forma confrontando-se com alguns neurônios instalados a partir do erro na fábrica. Eram eles, na verdade, que tumultuavam o sistema, fornecendo a dúvida e a ansiedade no dia a dia da Cyborg. Esta, mesmo não necessitando do sono humano, possuía uma trava de desligamento temporário que acionava quando não sabia como agir.

Foi entre um momento e outro que uma réstia de luz vazou do telhado de zinco e espelhou a composição nervosa que compreendia fios, chips, cabos e impulsos elétricos. O feixe solar adensou o ar e o transformou em poeira cósmica, a qual se espalhou singelamente pela mobília, objetos e ferramentas, envolvendo Verônica, praticamente a fazendo levitar.

Deste jeito, irreal, a centelha discreta foi se imiscuindo entre a carcaça semiviva de Verônica dando a ela a chance de perceber que as cores às quais ela estava tendo acesso, provinham de uma antena interna, montada de gambiarras enquanto ela juntava seus pedaços espalhados no assoalho. O holofote solar foi acomodando as partículas minúsculas, ora em seus olhos digitais, ora no cérebro de silício e no coração de luz, que superaquece gerando a febre física do amor.

 

 

 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

O Apagar - Contos do Coração

 


“Eu apaguei pouca coisa de mim porque sempre imagino que servirão para reescrever outro capítulo da história, corrigir o que me parecer sem efeito, ou deixar ali como prova do meu caminho. Seja ele qual for, e para onde for. 

O apagador da escola nos quadros de giz, ao invés de tirar as frases da frente dos olhos das crianças, criava um borrão onde a próxima frase não poderia ser lida.

A borracha comum é minha parceira de todo dia porque posso lidar com ela a todo momento em que me arrependo de parte ou de toda frase que me vem à mente.

O apagar da memória é uma atitude quase impossível de realizar, porque ela descarta os fatos recentes e se apega aos do passado. Ao contrário da vontade, o apego é com o antigo e o esquecimento é com o presente.

Sempre que eu tento apagar um infortúnio da minha alma, alguém vem me dizer que se faz necessário analisá-lo, quem sabe, recebê-lo de braços abertos, em algum lugar das minhas emoções.”

domingo, 26 de julho de 2026

Escutando o Silêncio de Vanisa

 


A manhã estava bem adiantada quando Vanisa sentou-se em um canto da sala, em uma pequena banqueta, muito pensativa. Ela não havia aberto suas janelas, a porta estava lacrada, o alpendre não tinha marcas de pássaros nem do mar. Apesar da quietude no interior da casa, na rua o vento uivava como nunca, na vila, tudo deserto, e todas as atividades dos moradores estavam paralisadas. Parecia que algum mago havia batido seu condão, ordenando a quietude involuntária.

No interior do chalé sequer o chiado da chaleira no fogão de barro se ouvia.  A par deste silêncio ela seguia inerte, com seus olhos batendo o assoalho, e a única chance de que algo se mexesse naquele quadro entorpecido eram seus olhos e mãos que seguiam agitadas. Lentamente, ela retomou parte do movimento e se posicionou na porta pelo lado de dentro, analisando todo o rústico e acolhedor ambiente.

Seu primeiro pensamento foi o de que estava morando em um lugar emprestado e que ali dentro nada era de fato seu. Ao mencionar para si mesma esta condição de esvaziamento físico, sentiu o levitar que a morada lhe proporcionava; por ali, tudo, exatamente tudo, havia sido plantado inconscientemente, por ela, pela natureza e pelo povo do fim do mundo.

Ao se apoderar dessa realidade ela vagou lentamente pelas parcas mobílias que compunham a sala, sentindo-se como uma estranha: e o era. De certa forma, nesta manhã, o silêncio veio lhe fazer uma visita deixando seus ouvidos seletivos e muito alertas ao som que lhe vinha da alma. Naquele momento suas mãos pararam de tremelicar e seus olhos iniciaram, de fato o reconhecimento das coisas as quais ela havia aceitado tão facilmente, sem perceber a mudança de condição de vida que se apresentou.

Lembrou-se de que talvez houvesse sido necessário despedir-se do momento icônico quando se refugiou, voluntariamente, por entre as vagas gigantescas daquele oceano com características inusitadas, deixando-a sem amarras, sem teto, sem roupas, sem bagagem, sem passado e sem destino. Foi nesse ponto importante que a Princesa do Mar deu-se conta: de que o silêncio no qual ela gostaria de mergulhar, todos os dias, não tem sentido nesse novo mundo: O estrondo de sua fuga, eventualmente, poderá se esconder, jamais desertar.

 

sábado, 25 de julho de 2026

A Dualidade de Verônica – Contos de Ficção

 


A praia estava deserta e com o vento mais calmo, deixando o lugar com um ar diferente e cauteloso nas pequenas ondas, nas areias finas e nos cômoros. Era visível que, neste dia, não havia movimento da bicharada nem dos pescadores.   No casebre escondido pelas dunas, apenas o janelão estava aberto de par em par, parecendo se oferecer a qualquer agitação neste lugar remoto.

No interior do pequeno abrigo, Verônica continuava calibrando seus circuitos tendo passado a noite na obsessão de deixá-los em ordem. Levantou-se decidida, já com a sua força recuperada, tendo a sensação que tinha conseguido realizar novos caminhos na fiação de chips que, provavelmente, foram surripiados em outra ocasião. Organizou milimetricamente suas ferramentas, conhecidas pouco tempo atrás e que não a deixariam sem energia.

Mais tranquila, com o peito arfando levemente, dirigiu-se até a janela para admirar a lindeza de paisagem que dali se descortinava. Um calor circulou pela sua engrenagem, o que a fez esboçar – novamente – um sorriso metálico. Não havia espelhos por ali para que ela pudesse verificar como se configurava este esgar, pensou ela. Com o espírito de Cyborg colocado no seu devido lugar, rumou até as primeiras ondas, não sem antes olhar para todos os lados e verificar se havia algum humano por perto.

Rumou a passos largos, detendo-se na beira do oceano, duvidando se mergulharia suas mãos nas espumas cristalinas e convidativas neste sol ameno de início de manhã. Ajoelhou-se na margem e, vagarosamente, como se antecipasse a sensação, imergiu seus braços nas vagas geladas. As diferenças percebidas nos membros superiores foram notáveis, atingindo a estrutura de metal e o arcabouço latente que fremia, alternadamente, assustando-a.

O sistema sentiu a imersão, mas não o toque, deixando claro que sua composição forma uma dualidade: ferro e humanoide.  A água salgada infiltrou-se no braço forjado, resfriando o seu motor interno e penetrando nas articulações que oxidam, enferrujam e transformam, causando força e resistência; no contraponto, o braço de natureza falsa flutua na leveza do corpo. Verônica levantou-se e dirigiu-se ao abrigo, observando encantada os seus dois braços que, finalmente, se tornaram parte de um todo.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

O Brilho Metálico e o Sorriso de Mar - Prestigie!

 


O final de semana terá no palco o brilho metálico da personagem Verônica e o sorriso de mar de Vanisa.  Leiam com bons olhos em http://cronicasdaverarenner.blogspot.com . “...um espirito recém-descoberto e outro saindo do mistério: Duas histórias. Dois mundos. Prestigie! ....”#CrônicasDaVeraRenner #ContosDeFicção #ContosDoCoração #ContosDoMar  #VeraRenner #Verônica #Vanisa #Emoções

Vanisa: Não Muito Longe Dali - Contos do Mar

  O dia nasceu escurecido, com nuvens pesadas e o mar agitado, jogando suas espumas ao revés, deixando a paisagem arrebitada no olhar dos pr...