Desci a pequena escada do
alpendre de cabeça baixa sem pensar em nada porque estava aguardando para ver
como a paisagem de sempre iria me surpreender. Qual não foi minha surpresa ao
encontrar o vazio completo ao meu redor como se a vida em volta houvesse sumido
ou eu tinha sido transportada com casa e tudo para algum lugar desconhecido.
Fiquei ali, paralisada observando o nada a me rodear, o silêncio ensurdecendo
meus ouvidos e o tempo gelado açoitando meus ossos.
Dei meia volta e entrei na
casa para verificar minhas páginas escritas procurando algum registro do dia
anterior que esclarecesse o motivo de tal amplitude ao meu redor. Corri para
minha bússola torcendo que apontasse um norte e percebi que ela estava tão
estagnada como todos os outros elementos.
Cabisbaixa, como último
recurso procurei o alforje que guarda meu trânsito pela estrada da vida e
também não o encontrei parecendo que naquele dia eu apenas brotei de uma terra
deserta. Ao mesmo tempo pressenti que as minhas referências haviam me abandonado,
meus personagens retiraram suas máscaras assim como se evadiu a troupe que
povoava estas terras. Ao passar meus olhos ao redor percebi que a casa estava
vazia, contendo apenas um vestido branco aos meus pés, o qual rapidamente
vesti, pois não havia percebido que o meu corpo até então restava nu.
Vesti-me vagarosamente
tentando entender a química da vestimenta que não fazia parte do meu costume do
dia a dia tendo a sensação de algo muito suave me envolvendo fazendo com que os
meus passos descessem com suavidade os poucos degraus até aquele chão do nada
que frenteava minha antiga morada e que, ao pisar nesta terra nova, surgiu na
minha frente uma estrada bem construída, igualmente sem vida. Me enchi de
coragem ao perceber que esta estrada foi colocada ali para que eu tivesse a
oportunidade de criar no final do caminho um palco que não terá máscara,
fantasia, distância, ruído, abandono.











