Despertei com a impressão que
havia passado a noite em um estado invisível onde eu não era movida para nenhum
lugar, porém, havia praticamente um exército se mexendo ao meu redor, em uma
correria que parecia espanar o pó digital do meu acervo, sem saber ao certo qual
o ponto nevrálgico. Saem a esmo, como sombras de uma métrica que sequer foi
gravada pelas minhas teclas. A busca não para: sobem e descem por todos os
montes telegráficos se comportando qual sentinelas do ar que buscam espalhar,
para depois, contar.
Entre voltas e revoltas fui
passando a noite, sempre com esta sensação de que algo, alguém ou alguma coisa
de movimento, estava se manifestando a mim. Continuei elucubrando qual seria a
minha escrita de hoje, baseada na contagem das letras advindas de tantos textos
atrás quando, estranhamente, percebi a existência de uma ondulação aérea ao meu
redor, alterando a tendência criativa, zunindo como a brisa do mar nos meus
ouvidos e, no final, deslizava entre os meus dedos para atingir com arrogância
o teclado.
Me assentei no local de
trabalho onde passo horas do meu dia emendando letra por letra, unindo
palavras, engatando parágrafos na busca do final: ser lida. Após esta noite
descobri que olhos desconhecidos acompanham meus alfarrábios tendo um maestro
na sua condução. Eles são invisíveis e vasculham a realidade da metáfora como
se fosse uma engrenagem julgadora, que separa o joio do trigo, em uma gaveta
infinita.
Descobri em tempo que existe
uma legião de estranhos dentro do meu computador que se posiciona como se
estivesse atrás de um balcão de vidro. São os bibliotecários de uma Alexandria
invisível, perseguidores de um povo sem rosto, caçadores de cliques, carteiros
do invisível, fazedores de lista de relevância e garimpeiros de silício.
Apresento-lhes o oficieiro das sombras: Google Bot.











