O
Repetir parece um eco tão sonoro que atravessa o mundo por trilhas difíceis,
fáceis ou inexistentes aos próprios pés, batendo no outro lado do mundo e
voltando da mesma forma.
Repetir
parece um mantra tão conhecido que todos sabem de cor, e todas as coisas vão se
avolumando tão iguais que não existe cego que não o pratique.
A
repetição muitas vezes parece um bálsamo do pensamento, que gira em torno de si
mesmo - muitas vezes confuso - entrando em um movimento de claro e escuro, de
voltas e revoltas, de idas e vindas, quando, finalmente, encontra o desistir.
Repito
sempre as mil voltas na cama quando algum clarão de outro mundo vem me agitar,
me fazendo repetir as orações, umas vezes
aprendendo e muitas mais reaprendendo.
Gosto
quando se repete na minha imaginação um minuto qualquer da minha infância, uma
vez que volta a mim a inocência, meu olhar altivo, meu jeito reservado e muitas
outras coisas que jamais se repetirão.
Quando
a noite se repete e me colhe em seu negro manto e o silêncio me cobre como se
fosse um cobertor quente no inverno começo a reescrever o dia seguinte nas
linhas da penumbra.
Repetir
- no espírito - faz o coração vicejar em uma teia invisível, para que no
alvorecer todas as descobertas sejam feitas.
Eu
sempre estou repetindo a última chegada que a Vida me oferece, talvez por não
saber mais por onde ir.











