Resolvi seguir o rastro deste
dia, que surgia em minha frente, percebendo que não havia ruído da natureza.
Surpresa, considerei que o progresso da manhã tenha dado alguma pista que eu
não havia percebido: quem sabe a trilha insana das formigas no gramado, que em
surdo vai e vem milimétrico, não avisa o destino oculto que todo dia envereda.
A paradeira pode ser efeito do voo rasante do bem te vi na minha janela, que pousou,
logo adiante, no mais alto galho de árvore que encontrou para ensaiar o trinado
do dia. Um pouco amuada percebi, que havia algum atraso na espiral do tempo que
para meus ouvidos estavam surdos.
Tão logo o sol desponta no
horizonte marítimo, que me espreita, vou em busca do carretel da minha vida,
começando instintivamente pelo abrir dos meus olhos ao mundo. Venho da noite
onde meu espirito vaga por muitos caminhos e descaminhos, escolhidos a dedo,
para que eu inicie a jornada de composição de mais uma sutil camada do que se diz,
viver.
Sempre volto o olhar para a
natureza que, caprichosa, se modifica sem que saibamos como ela de fato está
reagindo, e a quê. Digna de certa impertinência gosta de não deixar vestígios
que possam alertar qual o norte da aurora, quais feituras o tempo deve cumprir
e se haverá um propósito ou, apenas passar de um lado para outro.
Com a minha alma eivada de
sentimentos, sentei-me frente ao portão ao deparar-me com o rastro dos caracóis
que habitam meu jardim e, cotidianamente se arrastam, deixando um sulco de
sobrevivência para trás. Com alegria recebi do Universo a chave de ouro para
acessar a memória que possui elementos que vão aportar histórias antigas que se
somam ao enredo escrito do futuro eterno.











