Vou procurar uma linha torta
para que eu possa sair do caminho sempre que me aprouver, sempre que eu não
souber o que fazer, sempre que for traída, sempre que tomar o caminho certo sem
perceber que, sorrateiramente, ele possui desvios. Vou fazer esta procura
começando pelos muitos lápis apontados em ponta fina que existem na minha
escrivaninha, todos ali, de prontidão, para o momento em que sobram
pensamentos. Quem sabe os deixo, em algum instante, a ponta rompida aguardando o
tema que a escrita tortuosa poderá desenvolver.
Nos dias frios minha alma
borbulha na quentura de tantos assuntos que sequer as lufadas do vento gelado
do mar arrefecem. Por estarem se soltando de mim, em grande confusão, decido
procurar um horizonte que esteja intermitente como a minha inspiração. Assim
como ela segue, límpida e cristalina, em direção à grafia certeira, lá no
aberto do mar, o fio da navalha do horizonte se estabelece. Vez ou outra a
rotina se inverte, o mar se enche de sombras, e a minha inspiração se apaga, como
a luz do vagalume.
Pensei melhor e deixei de lado
toda a ferramenta que me daria poderes de enfrentar a linha torta. Resolvi
colocar os pés no chão enfrentando as trilhas de muitas voltas da minha
caminhada. Refiz o mapa da rotina e ao invés de cursar o linear caminho,
escolhi aqueles que, em tantas curvas à frente se escondem por detrás de um
casario, de uma esquina repentina, de um bloqueio inexplicável. O que encontrei
de fato foram as diferenças que o meu espírito procurou uma vez que se faz
necessário oxigenar a rota estabelecida como diária.











