O dia e a noite vão se
sucedendo sem que muito se preste atenção e assim, na claridade, reconhecemos
as estradas, refazemos planos, distinguimos uns aos outros, sabemos nos
conduzir para qualquer lado que se aponte. Isto acontece porque o brilho está
sempre no alto do céu e, quando a noite vem, o susto recolhe. Quem não tem para
onde ir; se deita em um chão de estrelas, outros ocupam qualquer lugar que a
claridade guiou e - enquanto a obscuridade se vai, seguem em frente sem olhar
para trás. Outros ainda abrem a porta de suas casas e por lá se acomodam, só na
espreita de que o dia retorne, como sempre o fazem.
Na luz e na escuridão há
motivos escondidos e camuflados que permeiam o mundo todo, como se fosse uma
nuvem de poeira necessária para que o passo a passo seja constante,
escorregadio e sem nenhuma régua para medir. É deste jeito disfarçado que
tantos pedaços de tudo vão se perdendo e rondam os caminhos: no claro e no
escuro com seus algozes, seus anjos e seus fantasmas.
O feixe estreito da lanterna é
o buscador criterioso do espírito que sai à procura da palavra perdida, do peso
falso, do horizonte escondido. Um guardião do futuro que solitariamente vai
envergar a lucidez do apontamento que flui por detrás das aparências, da
penumbra dos desejos, do anoitecer da maldade, da reflexão oculta e do passo em
falso. Um farol que vai iluminar o filme da vida e uma luminária ao lado dos
sonhos.











