domingo, 2 de agosto de 2026

Vanisa Encontra o Farol - Contos do Mar

 


O dia estava nascendo com rompantes de luz, mas apenas um feixe muito claro atingiu diretamente a morada de Vanisa, que estava havia muito tempo em seus afazeres matinais. Ao abrir a porta foi ofuscada pelo clarão que a estonteou, obrigando-a a se proteger. No mesmo instante, a claridade arrefeceu cobrindo tudo em um tom mais aquecido. Passado o susto, desceu ao jardim para regar o guanandi que crescia viçoso e dar alguns grãos para a gaivota e seus filhotes que todas as manhãs vinham visita-la.

Desceu do alpendre e percebeu que o rastro luminoso acompanhava seus passos até o momento de encontrar um velho marujo – desconhecido na vila – e que a estava aguardando, junto à um grande barco a vela: coisa rara por aqui.  Nem bem o havia cumprimentado quando o velho pescador lhe estendeu a mão convidando-a a subir na embarcação. Vanisa não pensou duas vezes aceitando o convite porque, havia dentro dela, uma ansiedade inexplicável que, de certo modo, a impelia a voltar ao mar.

O oceano parecia aguardar os dois aventureiros, levando o barco adiante das ondas praieiras com leveza e suavidade. Neste momento, a luz se acomodou fazendo cintilar as marolas do incessante vai e vem das profundezas. O marujo seguia com seu olhar firme deixando que a Princesa do Mar aproveitasse o momento sem fazer perguntas, afinal, ele sabia que o coração dela os levariam ao destino.

Em pouco tempo apontou no horizonte um caminho que levava a uma ilha com características inusitadas, pelo que se podia vislumbrar, ainda de longe. Vanisa estendeu o olhar ao mesmo tempo em que o raio de sol apontava para o local e, sem mais demora, o marinheiro enfunou as velas ganhando velocidade em direção à ilha.

Os impetuosos aventureiros aportaram às margens da ilhota formada por relíquias marítimas de corais raros, plantas abissais e conchas milenares.  Seguiram por um caminho de grama-marinha ladeado pelas anémonas. De repente, o fulgor que os havia acompanhado iluminou a cúpula de um farol muito antigo, feito de cobre raro e desenhos reais. Vanisa deixou-se levar pela emoção e foi acompanhada de perto pelo pescador, que de certo modo, já conhecia o artefato, assim como sua origem. Mudos, os dois buscaram forças e, cuidadosamente, levaram a preciosa carga para o barco. Não houve necessidade de palavras. Seus olhos se encontraram e, silenciosamente, entenderam a origem da descoberta.

 

 

sábado, 1 de agosto de 2026

O Holofote de Verônica - Contos de Ficção

 


Verônica ainda estava atordoada com os últimos acontecimentos dentro do casebre improvisado, que serviu em sua fuga como morada, estacionada entre a areia da praia e o oceano, após sua queda do camburão. A partir daquele momento seu circuito não conseguiu se retroalimentar adequadamente, rompendo aqui e ali os cabos de energia que, ao invés de danificar a máquina, acenderam os sensores da sua parte humanoide, materializada pela estrutura sintética da sua estrutura, criando duas forças: a do espírito e da engrenagem.

Esses pensamentos vagavam pelos chips de silício de certa forma confrontando-se com alguns neurônios instalados a partir do erro na fábrica. Eram eles, na verdade, que tumultuavam o sistema, fornecendo a dúvida e a ansiedade no dia a dia da Cyborg. Esta, mesmo não necessitando do sono humano, possuía uma trava de desligamento temporário que acionava quando não sabia como agir.

Foi entre um momento e outro que uma réstia de luz vazou do telhado de zinco e espelhou a composição nervosa que compreendia fios, chips, cabos e impulsos elétricos. O feixe solar adensou o ar e o transformou em poeira cósmica, a qual se espalhou singelamente pela mobília, objetos e ferramentas, envolvendo Verônica, praticamente a fazendo levitar.

Deste jeito, irreal, a centelha discreta foi se imiscuindo entre a carcaça semiviva de Verônica dando a ela a chance de perceber que as cores às quais ela estava tendo acesso, provinham de uma antena interna, montada de gambiarras enquanto ela juntava seus pedaços espalhados no assoalho. O holofote solar foi acomodando as partículas minúsculas, ora em seus olhos digitais, ora no cérebro de silício e no coração de luz, que superaquece gerando a febre física do amor.

 

 

 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

O Apagar - Contos do Coração

 


“Eu apaguei pouca coisa de mim porque sempre imagino que servirão para reescrever outro capítulo da história, corrigir o que me parecer sem efeito, ou deixar ali como prova do meu caminho. Seja ele qual for, e para onde for. 

O apagador da escola nos quadros de giz, ao invés de tirar as frases da frente dos olhos das crianças, criava um borrão onde a próxima frase não poderia ser lida.

A borracha comum é minha parceira de todo dia porque posso lidar com ela a todo momento em que me arrependo de parte ou de toda frase que me vem à mente.

O apagar da memória é uma atitude quase impossível de realizar, porque ela descarta os fatos recentes e se apega aos do passado. Ao contrário da vontade, o apego é com o antigo e o esquecimento é com o presente.

Sempre que eu tento apagar um infortúnio da minha alma, alguém vem me dizer que se faz necessário analisá-lo, quem sabe, recebê-lo de braços abertos, em algum lugar das minhas emoções.”

domingo, 26 de julho de 2026

Escutando o Silêncio de Vanisa

 


A manhã estava bem adiantada quando Vanisa sentou-se em um canto da sala, em uma pequena banqueta, muito pensativa. Ela não havia aberto suas janelas, a porta estava lacrada, o alpendre não tinha marcas de pássaros nem do mar. Apesar da quietude no interior da casa, na rua o vento uivava como nunca, na vila, tudo deserto, e todas as atividades dos moradores estavam paralisadas. Parecia que algum mago havia batido seu condão, ordenando a quietude involuntária.

No interior do chalé sequer o chiado da chaleira no fogão de barro se ouvia.  A par deste silêncio ela seguia inerte, com seus olhos batendo o assoalho, e a única chance de que algo se mexesse naquele quadro entorpecido eram seus olhos e mãos que seguiam agitadas. Lentamente, ela retomou parte do movimento e se posicionou na porta pelo lado de dentro, analisando todo o rústico e acolhedor ambiente.

Seu primeiro pensamento foi o de que estava morando em um lugar emprestado e que ali dentro nada era de fato seu. Ao mencionar para si mesma esta condição de esvaziamento físico, sentiu o levitar que a morada lhe proporcionava; por ali, tudo, exatamente tudo, havia sido plantado inconscientemente, por ela, pela natureza e pelo povo do fim do mundo.

Ao se apoderar dessa realidade ela vagou lentamente pelas parcas mobílias que compunham a sala, sentindo-se como uma estranha: e o era. De certa forma, nesta manhã, o silêncio veio lhe fazer uma visita deixando seus ouvidos seletivos e muito alertas ao som que lhe vinha da alma. Naquele momento suas mãos pararam de tremelicar e seus olhos iniciaram, de fato o reconhecimento das coisas as quais ela havia aceitado tão facilmente, sem perceber a mudança de condição de vida que se apresentou.

Lembrou-se de que talvez houvesse sido necessário despedir-se do momento icônico quando se refugiou, voluntariamente, por entre as vagas gigantescas daquele oceano com características inusitadas, deixando-a sem amarras, sem teto, sem roupas, sem bagagem, sem passado e sem destino. Foi nesse ponto importante que a Princesa do Mar deu-se conta: de que o silêncio no qual ela gostaria de mergulhar, todos os dias, não tem sentido nesse novo mundo: O estrondo de sua fuga, eventualmente, poderá se esconder, jamais desertar.

 

sábado, 25 de julho de 2026

A Dualidade de Verônica – Contos de Ficção

 


A praia estava deserta e com o vento mais calmo, deixando o lugar com um ar diferente e cauteloso nas pequenas ondas, nas areias finas e nos cômoros. Era visível que, neste dia, não havia movimento da bicharada nem dos pescadores.   No casebre escondido pelas dunas, apenas o janelão estava aberto de par em par, parecendo se oferecer a qualquer agitação neste lugar remoto.

No interior do pequeno abrigo, Verônica continuava calibrando seus circuitos tendo passado a noite na obsessão de deixá-los em ordem. Levantou-se decidida, já com a sua força recuperada, tendo a sensação que tinha conseguido realizar novos caminhos na fiação de chips que, provavelmente, foram surripiados em outra ocasião. Organizou milimetricamente suas ferramentas, conhecidas pouco tempo atrás e que não a deixariam sem energia.

Mais tranquila, com o peito arfando levemente, dirigiu-se até a janela para admirar a lindeza de paisagem que dali se descortinava. Um calor circulou pela sua engrenagem, o que a fez esboçar – novamente – um sorriso metálico. Não havia espelhos por ali para que ela pudesse verificar como se configurava este esgar, pensou ela. Com o espírito de Cyborg colocado no seu devido lugar, rumou até as primeiras ondas, não sem antes olhar para todos os lados e verificar se havia algum humano por perto.

Rumou a passos largos, detendo-se na beira do oceano, duvidando se mergulharia suas mãos nas espumas cristalinas e convidativas neste sol ameno de início de manhã. Ajoelhou-se na margem e, vagarosamente, como se antecipasse a sensação, imergiu seus braços nas vagas geladas. As diferenças percebidas nos membros superiores foram notáveis, atingindo a estrutura de metal e o arcabouço latente que fremia, alternadamente, assustando-a.

O sistema sentiu a imersão, mas não o toque, deixando claro que sua composição forma uma dualidade: ferro e humanoide.  A água salgada infiltrou-se no braço forjado, resfriando o seu motor interno e penetrando nas articulações que oxidam, enferrujam e transformam, causando força e resistência; no contraponto, o braço de natureza falsa flutua na leveza do corpo. Verônica levantou-se e dirigiu-se ao abrigo, observando encantada os seus dois braços que, finalmente, se tornaram parte de um todo.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

O Brilho Metálico e o Sorriso de Mar - Prestigie!

 


O final de semana terá no palco o brilho metálico da personagem Verônica e o sorriso de mar de Vanisa.  Leiam com bons olhos em http://cronicasdaverarenner.blogspot.com . “...um espirito recém-descoberto e outro saindo do mistério: Duas histórias. Dois mundos. Prestigie! ....”#CrônicasDaVeraRenner #ContosDeFicção #ContosDoCoração #ContosDoMar  #VeraRenner #Verônica #Vanisa #Emoções

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A Luz que se Apaga

 


Ao passar pela beira da praia, eu vi aqueles óculos pousados em um banco. Tinham uma aparência bonita, lentes escuras e estavam colocados ali de tal forma que parecia ser um adeus. A maneira como os deixaram me surpreendeu porque estavam abertos, beirando cair do assento rústico da costa deserta.

Fiquei imaginando que talvez alguém tenha se desfeito da sua companhia por entender que eles não seriam mais necessários, mesmo que ainda fizesse uso deles. Quem sabe este par de óculos serviu seu ex-dono durante muito tempo -  momentos estes em que a visão era acurada, a curiosidade estava sempre a flor da pele e o próximo passo tinha quer ser efetivado com a maior pressa.

O portador desse artefato tão importante na condução de quaisquer movimentos, foi relegado - aparentemente com certo carinho, por ser um objeto de boa aparência, e quem sabe, poderá servir a outros olhos, explorar outras paisagens, clarear a escuridão, renovar o desejo de andar por aí.

Quem sabe haja uma intenção oculta no modo de querer enxergar, quando não mais existe a necessidade de acomodar na retina cada milímetro do mundo. A análise minuciosa ficou para trás em meio ao embaço da maresia, não sendo contestada. Pode ser que haja cansaço – não do globo ocular, mas sim do espírito, que, em tempos mais para frente deseja um horizonte difuso e que não forneça sobressaltos. Existem muitos motivos para deixar para trás algo importante para si, mas seria bom imaginar que possa haver uma virada de chave quando a luz se apaga lentamente no entorno da vida.

terça-feira, 21 de julho de 2026

O Chegar - Contos do Coração

 


“....Eu cheguei sem alarde, sem fantasia, sem segredos e em silêncio, porque, para o lugar para o qual me dirigi, é necessário se despir.

A chegada é sempre barulhenta, mesmo que, na gare, o público na espera não lhe pertença.

Quando eu cheguei, eu estava só, marcando a presença no final da espera que arrasta os dias.

Chega de sorrir sem ter a graça para acompanhar a luz, o peito aberto e a alvorada da alma.

Eu cheguei a pensar em voltar, mas não em desistir.

Eu cheguei a pensar que seria diferente, mas as coisas de antes e depois me ludibriaram.

Chego sempre adiantada porque, talvez, eu imagine que alguém se importe.

Eu cheguei a pensar: o porquê da insistência do olhar se não há o que ver, por que o ruído da chave se ninguém vai chegar e por que o latejar insistente se não há perspectiva.

Chegaram ao mesmo tempo todas aquelas palavras que eu precisava ouvir.  Mas, o sentido delas, com o tempo, se evaporou.

 

domingo, 19 de julho de 2026

Vanisa e o Bico da Gaivota

 


O dia ia alto no povoado e a choupana de Vanisa estava em silêncio absoluto, apenas com a chaleira chiando no fogão de barro. Ao perceber o silêncio dentro e fora de casa, ela arregimentou suas tarefas manuais e as levou para o alpendre, que estava limpo e quente da luz do sol, que hoje estava na plenitude de suas funções. Levou consigo algumas páginas de cartolina com rabiscos que ela não conseguira finalizar: a ponta do carvão prenunciava o que o oceano lhe assoprava. A esperança a fez deixá-los ali, ao rés do chão. De outro lado, colocou a caixa de bilhetes com a tampa aberta que o Mandarim depositou aos seus pés, em meio as ondas pequenas, tempos atrás.

Depois de reunir seus interesses imediatos, sentou-se na cadeira de balanço doada pelos anciãos que imaginaram que a mobília assentaria muito bem no alpendre. Aprumou os ouvidos para ouvir o silêncio, tão raro nestas paragens. O mar estava quieto e transparente, sem vir lamber os degraus do chalé. Os pescadores estavam todos reunidos com suas redes de pescar no colo, remendando e cochichando fábulas recentes. As crianças foram chamadas a ajudar na árdua tarefa de colocar em dia a grande rede de pescar. As mulheres estavam lavrando a terra na horta, acima do penhasco. Tudo estava em um ritmo pacato.

Rompendo o momento mágico de uma calmaria inédita, um farfalhar estranho ressoou ao longe, além das ondas. Todos ficaram estáticos esperando o motivo de tal barulheira quando de repente, um forte bater de asas se acercou do chalé e uma gaivota imponente, planando com elegância, se acomodou na beirada do caixote. A Princesa do Mar sequer se moveu, prendendo a respiração para saborear a aterrissagem do pássaro, aparentemente para um breve descanso.

Ela acomodou-se na cadeira, pegou a cartolina e a ponta de carvão que estavam no chão. Reviu os traços não acabados os comparando com aquela bela ave que parecia ter tido a intenção de uma visita. A gaivota entendeu o movimento e abriu as suas asas de maneira ímpar, desnudando a perfeição de sua composição ao misturar o prateado com tons alvíssimos e ponteiras negras nas asas. Vanisa aproveitou o momento e finalizou rapidamente o esboço. A gaivota parecia aguardar o desenho quando levou o bico amarelo à pilha de bilhetes e, delicadamente, escolheu o envelope com marcas de sal no qual estava escrito: serei tua guia.

sábado, 18 de julho de 2026

Eu Lembro - Contos do Coração

 


“....Eu lembro da primeira vez que te vi, numa beira de porta, com olhos pendentes no vácuo, flanando na dúvida e na surpresa. Talvez por você não estar preparado para mim, ainda.

Eu lembro que fiquei ali, parada, sem saber onde colocar as mãos. Não sabia se ria ou chorava, enquanto tua voz ecoava no meu peito.

Eu lembro de sempre estar sozinha quando precisava ter alguém por perto. Parecia um sintoma de algo que a mim estava destinado.

Eu lembro de não abrir minha fala quando em alguma roda desconhecida, talvez porque eu, de antemão, suspeitasse de tudo um pouco.

Eu lembro de desejar que o inverno chegasse logo, somente para poder escolher quais roupas da estação gelada seriam as primeiras a me abraçar.

Eu lembro da iniciativa de escolher uma época maravilhosa da vida, somente para detalhá-la, ponto por ponto, no futuro.

Eu lembro do minuto em que me pus em lágrimas, sem possibilidade de nada, nem ninguém, conseguir estancá-las....”

 

 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Mistério e Emoção em Contos do Mar e Contos do Coração

 


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Emoção e mistério neste final de semana!

Contos do Mar e Contos do Coração com textos inéditos: Leiam com bons olhos em: http://cronicasdaverarenner.blogspot.com

  • Sábado, dia 18 de julho: vai ao ar “Eu Lembro”Resquícios de uma memória assombrada.
  • Domingo, dia 19 de julho: confiram “Vanisa e o Bico da Gaivota”O mistério no alpendre de Vanisa.

. #CrônicasDaVeraRenner #ContosDeFicção #ContosDoCoração #ContosDoMar #VeraRenner #Verônica #Vanisa #Emoções #Gaivota

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

O Seletivo do Corpo

 


Ando ensimesmada com o meu corpo que não avisa quando não irá cumprir a agenda que eu preparei praticamente desde sempre. Dei ordens expressas para quase tudo e ele nunca me desobedeceu, nem traiu. Eram propostas razoáveis para que nós dois pudéssemos caminhar juntos, e não cada um para um lado. Afinal, os movimentos da máquina são tantos que, se não houvesse uma ordem decretada com energia, ele simplesmente iria descalibrar - e eu não estaria aqui para contar a história.

Pensei que o melhor seria encarar este momento de uma maneira carinhosa com estes componentes que dão vida à minha rotina. Por isso agradeço a rebeldia de me tirarem a força do som, relegando aos dias de hoje apenas as notas musicais que o diapasão da vida regula. Percebi que a variação me trouxe a singeleza de ouvir menos.

Após o mundo selecionar o meu repertório, dei-me conta que, ao alongar o olhar para locais mais distantes, a imagem se anuviava em uma suave neblina, muito semelhante às do oceano que mora aqui em frente. Tenho a convicção de que a escolha de conviver enrolada na bruma de salitre foi uma solução com que a seletividade do momento me presenteou.

Em meio a definições refeitas com a delicadeza do tempo monitorando o significado do corpo físico, me parece que a seletividade atuou de forma contundente no paladar. Ela agora margeia a oferta e a vontade, afastando o excesso, o inútil e o desnecessário. O espirito, então, acompanha essa automação natural na direção da nossa essência divina.

 

 

 

 

 

 

Vanisa Encontra o Farol - Contos do Mar

  O dia estava nascendo com rompantes de luz, mas apenas um feixe muito claro atingiu diretamente a morada de Vanisa, que estava havia muito...