domingo, 8 de novembro de 2026

O Transbordar - Contos do Coração

 

"....O transbordar não tem freio porque ele sempre chega impulsionado por um exagero, uma falha da natureza, uma revolta do coração, um sofrimento repentino.

De tudo em volta, o transbordar chega sempre devagarinho assumindo a escala invisível de tudo o que nos rodeia: desde a natureza pacata até a revoltada , havendo – inclusive – a manipulada.

Tudo pode transbordar quando a tampa é empurrada para o lado deixando o conteúdo exposto: pode ser a tampa de uma caixa de segredos, a tampa de uma panela de ferro fervilhando comida ou a tampa frágil do coração que, por qualquer motivo, se desloca no tempo certo.

Uma casa pode transbordar a solidão que sente dos antigos moradores, da juventude de anteontem, do cheiro de comida viva, do perfume das roupas de cama banho e mesa antigas. Pode, finalmente, morrer de saudade quando não mais houver o que transbordar.

Um lugar pode estar vazio e, ao mesmo tempo, transbordar emoções tristes que somente podem ser guardadas na simplicidade da vida.

Um caminho escolhido está sempre pronto para receber passos curtos e cautelosos, uma vez que logo adiante, poderá se unir ao transbordamento de uma transformação espiritual..."

 

 

 

sábado, 7 de novembro de 2026

O Redemoinho do Alfabeto - Invencionices

 


Levantei o nariz e corri cegamente para a beira do mar porque algo me dizia que eu deveria, hoje sem falta, buscar junto ao meu vizinho o preenchimento de todas as palavras que andam me faltando na cachola. Aparentemente, ao levantar-me da cama jorraram para fora todas as minhas lembranças boas, meus amigos – poucos -, todos os textos em que professei alegria mesmo fingindo, todas as vezes em que me manifestei com otimismo, todas as vezes em que tentei acreditar e todas as lamentáveis vezes em que jurei ir em frente, mesmo sabendo que não havia aonde ir.

Eu era a força motriz da ciranda das múltiplas letras que se acotovelavam na ponta dos meus dedos buscando um lugar estrito para se colar em qualquer ponta de internet, qualquer farrapo de som aleatório, qualquer canto e que a voz fosse ouvida. Agachava-se sempre o letreiro a qualquer diapasão, bem ou mal administrado.

Parece-me que talvez tenha havido uma revolta do alfabeto que de uma hora para outra recebeu a ordem do redemoinho e tratou de se misturar de tal maneira que os bons entendedores jamais repetirão o que ali está posto. Para este vazio mental não tenho alternativa a não ser colocar em modo secreto a  escrita de palavras que vão carregar a verdade e o sentido da vida. Por enquanto, apenas o sentido que a mim pertence.

 

 

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Verônica Entre Muitos - Contos de Ficção

 


O chalé de Verônica estava mais sombrio internamente porque a Cyborg resolveu organizar a casa e fechá-la por um tempo, ao sentir a necessidade de outros ares, mesmo que fossem ares de cidade. Pretendia colocar seu mecanismo em ordem e – mais recentemente – os sentimentos, que estavam aflorando em seu coração de forma inusitada e intempestiva e que ela, por enquanto, não sabia como lidar e muito menos se comportar.

Já havia algum tempo que Verônica havia descoberto um pequeno botão na nuca que a colocava em modo de sono, sem medo de ser surpreendida uma vez que o controle de despertar estava muito bem azeitado. Este ponto era importante para lhe dar segurança ao se esconder em qualquer lugar do caminho. Tomou a estrada com o cérebro fervendo de inquietações porque partia de um lugar seguro, criado por ela, quando se encontrava em pedaços.

Alcançou a rua em solene silêncio, tanto das suas peças costuradas com mil parafusos e cabos, quanto a sua voz, que ultimamente soava menos gutural do que há algum tempo atrás. Ao erguer seu olhar digital para o horizonte encontrou um panorama totalmente diverso do que estava acostumada: de sua bancada era sempre o mar que a espreitava. Sacudiu a cabeça afastando tais pensamentos que não deveriam fazer parte agora da sua jornada. Estava focada em descobrir como o mundo composto de cimento, luz artificial, solidão entre muitos e valores fracos estava se comportando.

Ao entrar na cidade percebeu em toda a estrutura uma agitação vinda de uma brisa cinzenta e de um odor acre, deixando suas dobradiças com mais dificuldade de movimento. Encontrou, em seguida, um beco com uma construção antiga parecendo ter sido um caminho importante nessa estrutura geográfica. O coração sintético de Verônica, mesmo sob uma camada de metal e lógica, estremeceu levemente. O lugar em que havia se refugiado fazia parte do corredor da fábrica de robôs na qual ela havia sido fabricada. Verônica entendeu que este caminho de volta surgiu dentro dela para que ela tivesse a certeza de suas escolhas. Uma vida simples, perto do mar, convivendo em uma aldeia que ela considera a joia da sua vida.

 

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Vou Fugir - Crônicas

 


Quando me dei conta, o meu corpo havia fugido para algum lugar que eu, na minha ingenuidade não identificava decidindo se evadir de mim, desnudando-me, literalmente, da minha presença física: esta que - convenhamos - se faz necessária em todos os momentos, mesmo para aqueles em que somos invisíveis. O fato é que ali estava eu, apenas espírito, livre de qualquer incômodo deste mundo que de tão prático, ficou sem alma.

Lá se foi a cangalha de osso e carne, resmungando caminho afora não havendo a certeza de quem abandonara quem. Assim se iniciou um trajeto para quem tinha pernas para caminhar e outro asas para voar.  Ficou entendido que era ali naquele momento que uma vida se dividiu em duas partes deixando um rastro de reflexão, para ambos.

Ao andar com um feitio desconjuntado e fazendo ruídos esquisitos o corpo fugitivo foi avançando na vida achando que, agora sim, estaria livre de qualquer agressão etérea que vez ou outra se instalava em suas entranhas o desestabilizando de forma tão engenhosa que nada nem ninguém descobria o motivo. Assim, aquela montanha de energia física se desfazia como pó. O corpo ficou por ali, recolhendo alguns ciscos de força antiga; recolheu seus passos vigorosos, silenciando o motor da vida que corria lá fora.

De outro lado o espírito indômito que habitara aquela casa se alimentou por algum tempo da ilusão de poder andar sozinho por aí, pensar, escrever o que lhe desse na veneta sem o corpo físico atrapalhando.  Porém, a realidade mostrou-se diferente dos seus sonhos porque lhe faltaram os dedos para a escrita, os olhos para a leitura, os lábios para sorrir e as lágrimas para correrem soltas. Ficou claro que o corpo pediu uma trégua para a alma que estava correndo muito rápido, obrigando a ambos a se recolher. O casulo foi a solução.

sábado, 31 de outubro de 2026

O Vazio de Vanisa - Contos do Mar

Em algum lugar numa ponteira do oceano, aquela pequena aldeia, antes viva, reluzente e cheia de movimento, se encontrava em um estado diferente, dividida claramente pela natureza que baixou um bloco de nuvens por sobre a área, separando a aldeia do ancoradouro e, quem olhasse de cima para esta parte da terra, teria frente aos seus olhos um povoado instalado nas nuvens.

Além disso, o tempo parecia ter estancado em algum momento remoto da vida porque - na outra ponta do mar - o chalé de Vanisa permanecia fechado com aparência sinistra, mesmo que o local se apresentasse com uma linda cor sépia tendo ao seu redor uma coroa de folhagens praianas parecendo estar desmaiadas: mas na espera.

O dia havia recém começado depois dessa visão desoladora da aldeia mas não se sabia se começava ou terminava. Os aldeões, em sua maioria, andavam aos sussurros, apontando a pequena casa na ponta do monte sem ter a coragem de investigar a fundo o que estava acontecendo. O respeito e a paciência eram as qualidades deste povo cheio de tradições e respeito pela natureza, que ditava as regras junto ao Oceano.

Todos perceberam que havia um aroma que vinha do mar que tinha a maresia na sua essência com um aroma de flores. Passado um pouco de tempo, parece que a natureza resolveu pôr-se de pé e atuar de maneira solidária com os habitantes do pequeno lugar. E assim, com uma lufada de vento importante e um perfume indescritível de flores marítimas, abriu - de um só golpe - todas as janelas da casa da Vanisa. Animados com o condão divino de uma brisa amiga, todos correram para ficar no entorno da casa da Princesa do Mar, aguardando que houvesse uma restauração do ambiente.

O mar, que havia recuado, parecia chorar alegres lágrimas de cristal que se derramaram na crista das marolas que chegavam mansamente na beira da praia. Como por encanto, surge das mais altas vagas marítimas a Vanisa, com um semblante tranquilo e risonho, seus grandes olhos azuis brilhavam intensamente seus longos cabelos; brancos e encaracolados refulgiam como se portassem uma luz própria. A Princesa do Mar surgiu com uma túnica de seda nova, muito delicada em tons esmaecidos de verde-mar e rosa-antigo. Os aldeões entenderam que ela surgiu do vazio para preencher com outras cores o coração de todos.


sábado, 24 de outubro de 2026

O Olhar Adiante - Reflexão

 


 “....Um dia para refletir, ponderar e escolher. Para olhar além do que está diante dos nossos olhos e compreender que toda escolha carrega ideias, valores e consequências. Que não nos faltem liberdade para pensar, serenidade para refletir e consciência para escolher. Porque ampliar os pensamentos também é ampliar os horizontes...” Leiam com bons olhos em http://cronicasdaverarenner.blogspot.com Escrever para Viver e Viver para Escrever. #CrônicasDaVeraRenner #Fábulas #ContosDeFicção #ContosDoCoração #ContosDoMar #VeraRenner #Verônica #Vanisa #Emoções #Invencionices LINK NA BIO

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O Convite - Crônicas

 


Eu andava pela casa em passos trôpegos, flanando entre a dor e a tristeza, quando recebi aos meus pés através da soleira da porta, o despacho de um envelope que - à primeira vista - parecia ser um convite, mas não um bilhete comum. Ao resgatar a peça do tapete macio da sala, percebi que estava impregnado de um aroma de sândalo, a carta tinha uma textura de cetim com suas dobras bordadas em letras assimétricas e uma grafia desconhecida.

A lentidão do meu corpo em se movimentar expressava o esforço incomum para organizar os pedacinhos do meu espirito que resolveu se dissolver por um segundo, seguindo caminhos diversos e deixando que o meu íntimo vagasse a esmo. 

Lembrei dos últimos tempos em que nada ao redor havia se movimentado, e, quanto mais o silêncio invadia a vida, mais eu tinha certeza que em nenhum momento houve algum sussurro que sugerisse a chegada de um recado com arabescos dourados, chamando a atenção. Fiquei ali, com a missiva em mãos, sentindo a frieza do momento que se esforçava em ser importante.

A ocasião delicada chegou sem aviso, entrou na porta sem fazer ruído, sentou-se no canto da dor como se exigisse a participação em um banquete em que corpo e alma estão no limiar suspenso da busca de sentido para a existência de chagas na sacudidela do vento intermitente, como se fosse um acaso. Meus passos se encontram em trava secreta recusando qualquer fantasia do desconhecido que se ofereça.

 

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O Sofrer - Contos do Coração



"...O sofrer está sempre em todos os lugares, em todas as frestas, escondido, quieto, só na espreita de surgir em algum momento para te ferir, te curar ou te render.

O sofrer nunca é solitário, porque na sua cauda reverberam pedacinhos mínimos da vida, da alma, não esquecendo que ele faz parte do todo.

O sofrer é uma linda estrada florida, pavimentada com pedrinhas de brilhante e uma paisagem deslumbrante no final. Porém, a verdade está sempre escondida atrás de uma árvore, embaixo da terra, nas pegadas dos sapatos. Difícil prever em quais locais ela vai te surpreender.

O sofrimento é teimoso, porque ele bate na porta tantas e tantas vezes até que, por um descuido qualquer ou um dia determinado, a porta fica entreaberta. É por ali que ele vai se esgueirar e se esconder atrás daquele acontecimento de muito tempo passado e ficar lá. Animado, em poder entrar na vida de alguém, vai se agilizando na alfinetada do dia.

O sofrer é muito antigo e muito popular, porque não há nenhuma pessoa que não o tenha visitado vez ou outra. Por isso, ele também pode ser um processo de alerta, de segurança e de mudança. Fique atento..."

 


sábado, 10 de outubro de 2026

Verônica e os Sentimentos - Contos de Ficção

 


Era um desses dias em que a chuva se espalhava, ora calma ora com rajadas que fazia o casebre de Verônica vibrar perigosamente, encontrando a Cyborg de prontidão para qualquer eventualidade: seja de recolher tudo em algum canto, para escapar de águas revoltas, ou retirar o mais importante e se abrigar em algum capão ao redor, que aliás, estavam se proliferando rapidamente em razão do movimento das dunas.

Ao tentar organizar o pequeno espaço de uma forma mais segura e sem espalhar tantas ferramentas como costuma fazer, reparou em uma caixa empoeirada, colocada embaixo da sua bancada de trabalho e ali esquecida, desde o primeiro dia em que foi jogada do camburão. Lembra de ter arrebanhado os estilhaços de suas ferragens não finalizadas, mas nunca imaginou que poderia haver algo ali que necessitasse ou que fizesse falta.

Sentou novamente frente ao janelão de frente para o mar para ficar de olho no movimento do clima, que neste dia estava duvidoso em sua segurança. Espalhou todo o conteúdo da caixa misteriosa separando alguns chips inúteis, algumas presilhas enferrujadas, fios desencapados e cabos partidos ao meio. Percebendo a inutilidade do lixo eletrônico em sua frente, foi separando cada um deles e colocando na lixeira ao seu lado.

Ao final da tarefa feita rapidamente, rolou entre os seus dedos uma peça pequena que deveria compor a engrenagem do pescoço causando certo pânico e que a levou a examinar se ali estava de fato faltando algo. Correu para verificar no Manual de Verônica as características de montagem da parte superior do corpo, não encontrando nada que a pudesse prejudicar.

Mais calma examinou a peça com cuidado quando percebeu que havia um entalhe muito bonito com uma inicial e o desenho de uma onda do mar. O trabalho havia sido feito com muito capricho deixando Verônica imaginar que, talvez, este pequeno rotor havia sido colocado em meio ao seu sistema pelo operário que trabalhou na sua composição.

Verônica alongou o olhar para o mar tentando imaginar qual teria sido a intenção de um operário cibernético internalizar uma centelha de afeto no seu sistema fabricado justamente para ser uma máquina insensível. Caminhou lentamente até a beira do mar - revolta naquele momento – mas não sentiu medo; ao contrário, sentiu seu chassi vibrar com a energia da fúria marinha o que a fez compreender, que em alguma parte dos seus circuitos, um desvio de engenharia contrariava a frieza com que foi construída

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Vanisa e Seus Ancestrais - Contos do Mar

 


Nos últimos tempos, Vanisa intuiu que existe em seu espírito uma energia diferente, um impulso alegre desde que o dia começa até quando termina. Quase sempre, ao trilhar os caminhos lúdicos que a levam até a aldeia, sente um leve arfar no coração e, lá chegando, observa o brilho dos aldeões na sua passagem, mesmo que eles se mantenham distantes. Ela não se aproxima, mas oferece a todos um largo sorriso, uma simpatia inerente à sua figura e seus grandes olhos azuis distribuem silenciosamente o afeto resguardado, pressentindo que, pressente, que em algum momento, as coisas poderão ter outro tom, mesmo que agora pareçam avançar lentamente.

O dia estava morno, com uma densa maresia cobrindo os montes, levando-a a buscar um xale tricotado pelas artesãs, suas vizinhas, o que a confortou termicamente e também acolheu sua alma ainda fria. Mesmo andando com calma, por qualquer motivo apressou o passo ao passar pelo caminho que possui densa vegetação na sua borda por ser um lugar mais isolado e longe do mar. Depois de dar os primeiros passos tropeçou em uma garrafa vazia com feição muito antiga, talvez datada de uma era anterior àquela em que estava vivendo.

Tomou nas mãos o que parecia ser uma relíquia marítima, examinando detidamente seus contornos, se admirando-se de que, internamente, ela possuía uma transparência que refletia uma luz verde clara mesmo não portando nenhuma tampa. Cautelosa, sentou-se em uma pedra cheia de limo que estava na beira do caminho, com a intenção de entender e interpretar o achado.

Vanisa sentiu um pulsar estranho em todo o corpo quando resolveu focar seus sentidos, seus olhos e seu coração naquele objeto com aparência estranha: afinal, ele havia migrado do fundo do mar para se colocar à vista neste caminho deserto e mais oculto da vila.  Sentindo uma vertigem a Princesa do Mar interpretou o conteúdo da garrafa como sendo um vácuo que renovava sua alma antiga,  e a branda sinergia da natureza marítima, à qual havia sido guindada por seus ancestrais.

 

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O Trono Vazio da Primavera - Fábulas

Os ventos uivantes dos últimos tempos estão em plena atividade, fazendo de conta que não perceberam que o relógio do tempo andou para a frente e que já não é mais hora de enregelar os ossinhos dos idosos, tirar da caminhada quem necessita respirar, esconder os botões de rosa na brotação tardia e varrer todo dia as sementes – deitadas ontem mesmo – em solo fértil capinado com capricho, para germinar deixando o trono da Primavera vazio.

Impulsiva e contrariada, andei pela casa abrindo algumas frestas – já na madrugada –, aguardando que os ares do frio penetrem por elas, indo se acomodar nos meus ombros e nas minhas costas, me impelindo a dobrar meus cobertores sobre meu corpo. Estarei de tocaia, porque assim que a invasão acontecer vou fazer funcionar meu fogão a lenha, a estufa no banheiro, um lampião na despensa e o gato e o cachorro escondidos embaixo da mesma cadeira.

Esta ação intempestiva vai neutralizar os desejos inconsequentes do inverno, que se compraz espalhando os confortos e as delícias da estação fria, quando todos, cansados do torrão solar do verão, correm afoitos para abrir seus baús e retirar seus agasalhos, suas botas e seus gorros. Os campos se enfeitam com a geada e a neve; as brincadeiras lúdicas resfriam o corpo e a mente.

Acho que o inverno foi acometido de uma falha geológica que foi disparada pelo clima, o qual não analisou as consequências, deixando de lado a população que mora embaixo da terra e que, em seu momento mágico de se transformar em alegria e cor, foi barrada já na valeta do campo, aqui em frente. Acredito que deixarei minha casa com as frestas, janelas e portas abertas na esperança que ele se recuse a cumprir ordens da geografia.

O Transbordar - Contos do Coração

  "....O transbordar não tem freio porque ele sempre chega impulsionado por um exagero, uma falha da natureza, uma revolta do coração, ...