Sempre sem aviso, a vida pára. Um breque
repentino em que ficamos impossibilitados de seguir em frente. Nem um passo
sequer poderemos dar. Estanques e atônitos, impotentes na chamada “correria”.
Nunca estamos preparados suficientemente para enfrentarmos a
hora em que apenas a cabeça está funcionando, e mal, digamos assim.
Por um motivo qualquer a programação estabelecida não foi
cumprida e descontrolados do rumo, ficamos com pensamentos desfocados, indo e
vindo, como animais em jaula procurando uma saída.
É aí que entramos em contatos com a nossa vida de verdade. E
percebemos que chegou a hora de pensar melhor. De analisar o entorno e
descobrir como e porque chegamos ali.
E então a calmaria se
estabelece e iniciamos a delicia de se ver sem controle.
Observar as batidas do coração, o suor frio do susto da
parada e os tremores de um corpo acostumado a andar na coleira, como um bicho
domesticado.
Devagar, vamos entrando em contato com o eu interior e
relaxando no sentido de enxergar melhor a vida em perspectiva e não apenas
transitar célere por ela.
A parada vem te avisar que é chegada a hora de voltar.
Regresse um pouco ao tempo e aproveite a virada dos minutos.
Vai valer à pena.
Escrever para viver e viver para escrever. A inspiração é o meu objeto de desejo a cada amanhecer e assim minha alma fica fortalecida no encontro do silêncio e da natureza marítima. Leiam com bons olhos! Mail para contato: verarenner43@gmail.com Vera Lucia Renner
sábado, 8 de maio de 2010
Parada
domingo, 2 de maio de 2010
Tempos tecnológicos
Quando a tecnologia falha e me deixa, como uma
inválida fosse, fora do ar, sem conexão com o mundo e com meus projetos.
Quando ela me derruba precisamente quando eu mais preciso.
Quando ela me joga ao chão como se eu fosse um ser sem
serventia.
Quando ela me faz de boba a encarar olhares incrédulos e
irônicos como se eu nada valesse, então penso no passado, por incrível que
pareça. Pois é.
Linkados no rabicho de nossos instrumentos atuais de trabalho
nos arrastamos pela via láctea - só pode ser – no infinito onde as correntes
fluorescentes do limbo são o que nos traz à terra. Tudo voa por cima da nossa
cabeça, e ao olharmos para os ventos no céu, não conseguimos enxergar quem nos
aprisiona com tanta propriedade e inteligência.
Não tem poesia nem romance nesta cruzada de fios invisíveis
conectados com o impossível. De tão complicado que é, só sabemos que somos
reféns. E que sem as máquinas poderosas e céleres que vão aonde vamos, somos
ninharia.
E então
o passado vem me provocar.
Em que um dia tinha exatamente 24 horas e as primeiras doze
horas, pareciam ser um tempo de inúmeras tarefas a cumprir, todas elas com
prazo longo para serem executadas e o dia se arrastava lindamente. Não era
necessário correr e nada nos deixava na mão, porque tudo estava na mão. Era só
trocar uma pilha, repor a fita, trocar a lâmpada, consertar o aparelho.
Nossos passos eram mais comedidos, aproveitando a travessia.
Nossos pensamentos eram ordenados com simplicidade de quem tem uma vida inteira
para viver. Nossa fome de tudo era moderada. Não lotava nossos estômagos nem
nossa mente com excessos. Tudo slim. Já naquele tempo sabíamos precisamente o
que significava “slim” - muito antes de chegarmos no agora.
Tempos mais enxutos de tanta coisa a se pensar. Mais magros
de alimentos. Mais romances e amores a dar chance. Tempos de poder pensar em
refazer tudo ou muito. Na velocidade da luz, não temos mais tempo.
sábado, 1 de maio de 2010
Abajur
Um abajur diz muito de si quando apagado e mais ainda quando inicia sua vida, aceso. Ilumina pouco o ambiente e quase sempre aquele pedacinho da casa. Sempre muito delicado, tem mil feitios.
Mas, a melhor feição dele é no escurecer em que sua luz se confunde com o crepúsculo e assim ele vai criando suas próprias sombras mescladas com as nuances do cair da noite. Uma luz que termina em outra, tímida, cautelosa, uma penumbra que vem avisar que é chegada a hora de se aquietar. Uma cruzada para o sossego.
Assim sou eu quando em luz baixa. Minha mente fica pouco esclarecida e jaz quieta atirada em um canto qualquer. Esmaecem minhas idéias e até parece que se foram para sempre.
O fulgor da vida é assim. Às vezes se afina em tons etéreos, quase transparentes ficando nebuloso o juízo. De tanto ir e vir no meu louco pensar desprender-se do farol interior é necessário.
Do tom sombrio mas profícuo da solidão se refletem ponderações para a próxima ocasião.
Sossegue
domingo, 25 de abril de 2010
Pensar
Uma força surpreendente dentro de nós este pensar.
Constante e sem direção, quase sempre ele é quem comanda, mesmo que não queiramos. Toda a sorte de assuntos vão nos assaltando e ficamos impotentes frente à massa encefálica, poderosa dona de nossas idéias e destino.
Nossa vida toda controlada perde toda a empáfia ao se defrontar com nossa concentração de idéias encadeadas ou não, de todo dia.
Parece que temos o domínio da razão mas somos ingênuos em pensar assim, afinal, o nosso pensamento não tem dono e anda louco por aí com toda a sorte de assuntos, por conta própria. Livre, aparentemente sem senhorio, faz estripulias nas direções mais incertas. Ele tem o leme e nós somos apenas passageiros sem rumo.
Apesar de tentarmos sempre o contrário.
Podemos estar em uma festa repleta de familiares e amigos em alegre confraternização e nossa mente vaga como alma penada querendo estar em outro lugar, com pessoas diferentes, sorrisos mais amorosos, discussões mais profícuas. Enfim, nosso espectro está presente porém o eu completo se encontra assombrado, em outro lugar.
Tudo isso nossa mente é quem faz sozinha, diga-se de passagem. Se nosso espírito anda vagando por aí, enfermo ou não, podes ter certeza que tem o dedinho do pensamento que reina absoluto.
Comando em ação eu o chamaria porque dele pode vir nossa alegria e nossa tristeza agindo como um burro embretado na estrada, teimando em não ir por ali.
Em um rumor obscuro ele te diz: vem por aqui
Uma tentação
Pelo menos
Ao ouvir a expressão pelo menos já me aprumo em orelhas porque de lá não vem boa coisa. Para
mim é nada, uma vez que estão diminuindo a oferta. Se for de carinho e de amor,
já viu. Racionada a porção.
E me vou aos pensamentos num frenesi tentando imaginar o que
pode ser tão bom que valha tirar um pouco do significado, do volume ou da
constância.
Se a proposta for de uma negociação comercial, já vamos
sabendo que não seremos providos de tudo e sim de um pouco da importância. Ou,
talvez, um prazo estendido que não nos favorece, absolutamente. Ou, acreditem,
da honra que nos é conferida se aceitarmos aquele trabalho. Pelo menos. Podem ter certeza que quanto a nossa contrapartida teremos
que dar tudo.
Se o amor que recém chegou ao seu coração, é uma alma
interditada pelo destino, ou pela conveniência, lhe diz não poder desfrutar da
vida plena com você, prepare-se pra ouvir um sonoro pelo menos com desvairadas alternativas jogadas como forma de
compensação.
Bom, ninguém pode dar o que não tem.
A expressão é ruim mesmo. Nos dá a sensação de que venha o
que vier, vem pela metade. Nos esvazia a alma ao ouvir seu som ou sua escrita.
Estabelece no rosto, um riso inverso.
Pelos menos, para mim, é nada, uma vez que eu penso sempre em tudo, ou
muito ou no que eu realmente mereço.
sábado, 24 de abril de 2010
Bem capaz
Expressão danada de boa essa que me veio à mente numa manhã
fria de outono. Sei lá porque me deparei a dizê-la em alta voz. Nem comecei a
viver meu dia..porque ela me veio?
As expressões que nos vem de súbito e ditamos fora de regra
são serventia da casa, e as cenas do dia vão despertando lembranças e
conseguimos, num salto, resolver pendengas. Da alma, da existência, enfim, do
entorno.
Como a passagem rápida por aquele casal enamorado que se
delicia em juras de amor num banco da praça, todo dia, faça chuva ou sol, lá
estão eles.
Obviamente vais lembrar do teu “ex”, aquele cachorrão que te
levou aos céus e aos infernos ao mesmo tempo e desta feita execrar o amor
sofrido é a tendência e soltamos um “bem capaz”!!!! Não voltarei a viver
novamente às cegas.
E dali, não paramos mais de lembrar tudo o que não precisamos
mais praticar e se abrem as cortinas das possibilidades da vida.
Bem capaz que vou acordar cedo para malhar.
Bem capaz que deixarei de malhar cedo.
Bem capaz que vou perder a alvura dos dentes com o café.
Bem capaz que vou deixar de tomar café.
Bem capaz que vou emagrecer só porque está na moda.
Bem capaz que vou estragar minha saúde engordando demais.
Bem capaz que volto àquele lugar.
Bem capaz que não vou estar lá.
Bem capaz que volto pra ele.
Bem capaz que não o darei ouvidos.
Bem capaz que vou sair neste dia lindo.
Bem capaz que vou ficar em casa neste dia lindo.
Bem capaz que vou namorar de novo.
Bem capaz que vou deixar de namorar de novo.
Bem capaz que falarei com ele novamente.
Bem capaz que vou deixar assim.
E desdobram-se assim mil possibilidades de se viver todo dia. Aproveite!
Realidade
A realidade me chama a toda hora mas nem toda hora quero
vê-la, sequer conversar.
São muitos os assuntos e ela me puxa as orelhas desta vez e é
sentindo o bafão na nuca dos fatos em revista, que me lanço no alfabeto.
Tomara que ele me ajude a exorcizar esta missão de letras
compostas que poderão me maldizer por aí.
São histórias acenadas por tantos como eu metidos a confinar
em verbos suas opiniões. Não será diferente comigo e então, vamos lá ver o que
estas mulheres estão me assoprando sem parar.
Mulheres limitadas em um só ideal e este parece, terá de ser
para sempre. Ou quase. Não são poucas as que vejo sem um horizonte diferente do
seu par não conseguindo se enxergar sozinha sem o distinto. E este, ai meu
deus, pode ser qualquer um. Melhor que seja, pois assim não precisará pensar em
fugir, nem vislumbrar novas cenas, acontecimentos inesperados, contornos jamais
vistos.
Preferível ser um “imediato” em prontidão buscando alhures
todas as desculpas que consolidam sua frágil confiança, servindo apenas para
responder a si mesmas. Um ofuscamento em dupla pode solapar uma vida. Ou muitas.
Sem liberdade de ser única. Ser de si para si.
As mulheres são as tais para levar um conjunto no arresto,
mesmo que não pareça de imediato que este seja o ideal. Não tem porem, o gênero
feminino é da luta do grupo, é da ânsia do ter todos em um, mesmo que o
apinhado não seja dos mais ditosos. Não importa se é bom ou ruim. É o que elas
têm. E isso basta.
Muitas mulheres são
famintas do alimento que as empobrece.
Salto alto
Não vivemos sem dor e eu acredito que as dores
são do bem.
Mais não seja....
A dor pode ser bacana se estiver concentrada num procedimento
de beleza. Depois disso estarei bela em forma ou sei lá o quê mais. Tudo se faz
pela dor do belo.
Também o treino dos músculos como se fossemos trabalhar no
porto carregando navios, nos deixa acabadas, é uma dor bem quista. Previne
doenças, te deixa forte e ágil.
Uma guria.
Na cabeleira, a chapinha fervente te pela o couro cabeludo,
mas depois da dor, madeixas lisas esvoaçantes são o desvario das hordas
femininas escravas da moda.
Nos pés, saltos altíssimos equilibram o corpo mas não o
cérebro, que aliás não consegue ponderar nada naquelas alturas. Bom, nem é
preciso do pensamento uma vez que nesta hora a figura é que conta. Também não
preciso das falas, apenas das panturilhas malhadas e dos dentes impecáveis
clareados a laser. Imagem é tudo!
No corpicho a roupa mais apertada. O jeans deverá servir
somente se a dita fechar o zíper deitada. Deste jeito está ótimo. Se não, tá
fora. Vale uma legging maldita demonstrando a todos as curvas nem sempre
bacanas das moças. E lá vamos nós assistir o desfile que não nos apetece.
A dor traz felicidade.
Pois não é?
domingo, 18 de abril de 2010
Palavras
Inócuas, muitas vezes, mas sempre tão o tom. A nuance de
todas ditas ensombrece ou ilumina nossa intenção ao proferi-las. O som
do vocábulo nos impulsiona a buscar na inteligência significados, para
explicar, esclarecer ou contar alguma coisa.
Uma questão de sobrevivência abrir o verbo e largar em tantas
direções. Lá se vão aos gorgulhos bafejar o ouvido de alguém ou ferir os olhos
aflitos que conferem um texto. Próximos ou distantes o alvo da nossa
expressão será atingido. Podem ser letrinhas primorosamente digitadas ou falas
arrancadas de lábios amorosos ou raivosos, todas tem destino certo. Comunicar
é a nossa intenção.
Mas, as palavras se confundem no meio das emoções que podem
ser desencontradas, inadequadas para o momento ou simplesmente, sem valor a
quem vá ouvir ou ler. Podem ser difíceis de serem entendidas, e nossa
intenção vira conversa de louco, um dizendo uma coisa e outro entendendo outra.
Um vai e vem de emoções e letras que se desencontram e saltam
em todas as direções como dardos ferinos. Ferimentos de palavras são
incuráveis. Você
disse.
Cegueira
Ficamos cegos de raiva ou de amor. Extremos da
visão e do afeto que nos impossibilita enxergarmos o que está em frente.Não é
prerrogativa de uns e outros.
É de todo mundo.
Levantamos a cabeça para olhar o que nos passa na frente e só
vemos o que se passa em nossa alma. O alheio continuará escondido uma vez que
no excesso vemos a nós mesmos.
Esta ausência de entender vai arrastando corações ao abismo.
Ao fundo do nada, sem esperança de retorno.
E seguimos desvairados pela ausência de convicção e coragem
de ver o que vem do outro.
Blindados para olhar o novo, lambidos pelo passado ruidoso
desmoronando no presente. Justo agora.
domingo, 4 de abril de 2010
Solidão entre tantos
Em grupos, amarrados entre si em um grande fardo, eles vão seguindo a vida. Parece que não podem viver sem estar juntos, mesmo que este amontoamento provoque uma fenda em si, um sofrimento, uma melancolia. Não saber para onde ir, de tanto andar para o mesmo lugar e com o mesmo eco, perdendo o pensamento próprio, a coragem e todas as oportunidades.
Assim é.
A solidão avassaladora de quem está sempre reunido em tantos. E de tanta conversa ao redor, sequer poder ouvir a si mesmo ou a voz sábia do isolamento que chama angustiada e premente de uma atenção.
Ficar só é fundamental para ver-se a si e, principalmente, aos outros.
A solidão animada e contente faz a farra na vida de quem a sabe conduzir. Os diálogos internos são intensos e proveitosos assim como toda companhia vem e passa, deixando um rastro de ensinamentos e muitas idéias a serem pensadas.
Criar laços profundos e perceptivos com nossa essência faz o caminho de quem pensa, um destino construído.
domingo, 21 de março de 2010
O 5s da vida
Ando aplicando estas regrinhas de ouro, que remexem todas as entranhas. De mim para mim e do resto. Do restolho.
Sigo pensando em tudo o que não presta mais e ainda está aqui por perto. Um amor, um objeto, um amigo, uma situação. Todos empoleirados na minha aura, se amontoando na minha volta e pesando a lombar. Parei e decidi o que é inútil. Joguei fora com vontade porque este caminho liberado irá trazer novas e boas coisas.
Ordenei com veemência meus pensamentos e lancei um mantra na cachola que vai liquidando com os ditos inúteis, estéreis e infelizes. Nada de miolo mole, vagando aforismos para lá e cá. Focada, me apresento.
Expurguei as fantasias que sei, estavam fadadas ao fracasso. Limpa, sem peso morto, vou discernir melhor minhas opções. Mente cristalina, enxergando o fundo me conduz ao meu melhor.
Alimento meu corpo assim como minha mente. Só com ingredientes que me darão força para correr. Sigo em harmonia ensaiando passos de dança enquanto a vida toda flui.
Organizar e liberar, um segredo
O Vazio de Vanisa - Contos do Mar
Em algum lugar numa ponteira do oceano, aquela pequena aldeia, antes viva, reluzente e cheia de movimento, se encontrava em um estado difere...
-
A traição impera de certa maneira no nosso dia começando pelo tempo que prometeu ficar de céu azul e se vendeu aos ventos e chuvas, desa...
-
Na primeira vez me chamou a atenção um pé de sapato solitário perdido na beira do mar. Era de homem, e devia estar no fundo do oceano al...
-
Descobri que estou sempre de malas prontas, não importando a viagem. Ao meu alcance, a bolsa do dia a dia que carrega em si as esperanças...











