Em algum lugar numa ponteira do oceano, aquela
pequena aldeia, antes viva, reluzente e cheia de movimento, se encontrava em um
estado diferente, dividida claramente pela natureza que baixou um bloco de
nuvens por sobre a área, separando a aldeia do ancoradouro e, quem olhasse de
cima para esta parte da terra, teria frente aos seus olhos um povoado instalado
nas nuvens.
Além disso, o tempo parecia ter estancado em algum
momento remoto da vida porque - na outra ponta do mar - o chalé de Vanisa
permanecia fechado com aparência sinistra, mesmo que o local se apresentasse
com uma linda cor sépia tendo ao seu redor uma coroa de folhagens praianas
parecendo estar desmaiadas: mas na espera.
O dia havia recém começado depois dessa visão
desoladora da aldeia mas não se sabia se começava ou terminava. Os aldeões, em
sua maioria, andavam aos sussurros, apontando a pequena casa na ponta do monte
sem ter a coragem de investigar a fundo o que estava acontecendo. O respeito e
a paciência eram as qualidades deste povo cheio de tradições e respeito pela
natureza, que ditava as regras junto ao Oceano.
Todos perceberam que havia um aroma que vinha do
mar que tinha a maresia na sua essência com um aroma de flores. Passado um
pouco de tempo, parece que a natureza resolveu pôr-se de pé e atuar de maneira
solidária com os habitantes do pequeno lugar. E assim, com uma lufada de vento
importante e um perfume indescritível de flores marítimas, abriu - de um só
golpe - todas as janelas da casa da Vanisa. Animados com o condão divino de uma
brisa amiga, todos correram para ficar no entorno da casa da Princesa do Mar,
aguardando que houvesse uma restauração do ambiente.
O mar, que havia recuado, parecia chorar alegres
lágrimas de cristal que se derramaram na crista das marolas que chegavam
mansamente na beira da praia. Como por encanto, surge das mais altas vagas marítimas
a Vanisa, com um semblante tranquilo e risonho, seus grandes olhos azuis
brilhavam intensamente seus longos cabelos; brancos e encaracolados refulgiam
como se portassem uma luz própria. A Princesa do Mar surgiu com uma túnica de
seda nova, muito delicada em tons esmaecidos de verde-mar e rosa-antigo. Os
aldeões entenderam que ela surgiu do vazio para preencher com outras cores o
coração de todos.

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