Ando a procura de muita coisa
e nenhuma é física, concreta ou necessária para compor minha casa, minha mesa
de trabalho ou todas estas necessidades cordiais e rotineiras. Porém, existe
bem escondido na minha alma, que anda aberta, uma prateleira de sumiços que
sequer consigo dar-me conta de nomeá-los. Acredito que são partes pequenas que
compõem o mosaico de sentimentos que minuto a minuto fazem parte do todo.
Quem sabe foi a vida que submergiu
meu cenário e, por este motivo, ando por aí com uma mente diáfana, sem
encontrar a mim mesma; sempre perguntando para quem passa se percebeu meu corpo
e alma na calçada, na beira do mar ou se de fato sumi do mapa e ninguém
percebeu.
Eu não esqueci de ninguém,
porém, uma seleção no fundo do meu coração surgiu imponderável e, com precisão,
usei um lápis com ponta de borracha para, lentamente, apagar o que me impedia
de seguir adiante; parecendo que naquele tempo eu era uma outra, que agora, não
existe mais.
A vida mudou de lugar o que já
estava estabelecido criando um labirinto em que não existe a certeza de
encontrar o perdido porque, simplesmente as pedras do caminho desenharam outra
rota, ou talvez um ponto de fuga. As revelações vêm através do caminho tortuoso
da realidade que me faz sair pela vida procurando a outra que se esfumaçou no
tempo tentando ser um revés de mim, impedindo que eu me encontre em um só
caminho ou tantos em um.
