A realidade me chama a toda hora mas nem toda hora quero
vê-la, sequer conversar.
São muitos os assuntos e ela me puxa as orelhas desta vez e é
sentindo o bafão na nuca dos fatos em revista, que me lanço no alfabeto.
Tomara que ele me ajude a exorcizar esta missão de letras
compostas que poderão me maldizer por aí.
São histórias acenadas por tantos como eu metidos a confinar
em verbos suas opiniões. Não será diferente comigo e então, vamos lá ver o que
estas mulheres estão me assoprando sem parar.
Mulheres limitadas em um só ideal e este parece, terá de ser
para sempre. Ou quase. Não são poucas as que vejo sem um horizonte diferente do
seu par não conseguindo se enxergar sozinha sem o distinto. E este, ai meu
deus, pode ser qualquer um. Melhor que seja, pois assim não precisará pensar em
fugir, nem vislumbrar novas cenas, acontecimentos inesperados, contornos jamais
vistos.
Preferível ser um “imediato” em prontidão buscando alhures
todas as desculpas que consolidam sua frágil confiança, servindo apenas para
responder a si mesmas. Um ofuscamento em dupla pode solapar uma vida. Ou muitas.
Sem liberdade de ser única. Ser de si para si.
As mulheres são as tais para levar um conjunto no arresto,
mesmo que não pareça de imediato que este seja o ideal. Não tem porem, o gênero
feminino é da luta do grupo, é da ânsia do ter todos em um, mesmo que o
apinhado não seja dos mais ditosos. Não importa se é bom ou ruim. É o que elas
têm. E isso basta.
Muitas mulheres são
famintas do alimento que as empobrece.
Escrever para viver e viver para escrever. A inspiração é o meu objeto de desejo a cada amanhecer e assim minha alma fica fortalecida no encontro do silêncio e da natureza marítima. Leiam com bons olhos! Mail para contato: verarenner43@gmail.com Vera Lucia Renner
sábado, 24 de abril de 2010
Realidade
Salto alto
Não vivemos sem dor e eu acredito que as dores
são do bem.
Mais não seja....
A dor pode ser bacana se estiver concentrada num procedimento
de beleza. Depois disso estarei bela em forma ou sei lá o quê mais. Tudo se faz
pela dor do belo.
Também o treino dos músculos como se fossemos trabalhar no
porto carregando navios, nos deixa acabadas, é uma dor bem quista. Previne
doenças, te deixa forte e ágil.
Uma guria.
Na cabeleira, a chapinha fervente te pela o couro cabeludo,
mas depois da dor, madeixas lisas esvoaçantes são o desvario das hordas
femininas escravas da moda.
Nos pés, saltos altíssimos equilibram o corpo mas não o
cérebro, que aliás não consegue ponderar nada naquelas alturas. Bom, nem é
preciso do pensamento uma vez que nesta hora a figura é que conta. Também não
preciso das falas, apenas das panturilhas malhadas e dos dentes impecáveis
clareados a laser. Imagem é tudo!
No corpicho a roupa mais apertada. O jeans deverá servir
somente se a dita fechar o zíper deitada. Deste jeito está ótimo. Se não, tá
fora. Vale uma legging maldita demonstrando a todos as curvas nem sempre
bacanas das moças. E lá vamos nós assistir o desfile que não nos apetece.
A dor traz felicidade.
Pois não é?
domingo, 18 de abril de 2010
Palavras
Inócuas, muitas vezes, mas sempre tão o tom. A nuance de
todas ditas ensombrece ou ilumina nossa intenção ao proferi-las. O som
do vocábulo nos impulsiona a buscar na inteligência significados, para
explicar, esclarecer ou contar alguma coisa.
Uma questão de sobrevivência abrir o verbo e largar em tantas
direções. Lá se vão aos gorgulhos bafejar o ouvido de alguém ou ferir os olhos
aflitos que conferem um texto. Próximos ou distantes o alvo da nossa
expressão será atingido. Podem ser letrinhas primorosamente digitadas ou falas
arrancadas de lábios amorosos ou raivosos, todas tem destino certo. Comunicar
é a nossa intenção.
Mas, as palavras se confundem no meio das emoções que podem
ser desencontradas, inadequadas para o momento ou simplesmente, sem valor a
quem vá ouvir ou ler. Podem ser difíceis de serem entendidas, e nossa
intenção vira conversa de louco, um dizendo uma coisa e outro entendendo outra.
Um vai e vem de emoções e letras que se desencontram e saltam
em todas as direções como dardos ferinos. Ferimentos de palavras são
incuráveis. Você
disse.
Cegueira
Ficamos cegos de raiva ou de amor. Extremos da
visão e do afeto que nos impossibilita enxergarmos o que está em frente.Não é
prerrogativa de uns e outros.
É de todo mundo.
Levantamos a cabeça para olhar o que nos passa na frente e só
vemos o que se passa em nossa alma. O alheio continuará escondido uma vez que
no excesso vemos a nós mesmos.
Esta ausência de entender vai arrastando corações ao abismo.
Ao fundo do nada, sem esperança de retorno.
E seguimos desvairados pela ausência de convicção e coragem
de ver o que vem do outro.
Blindados para olhar o novo, lambidos pelo passado ruidoso
desmoronando no presente. Justo agora.
domingo, 4 de abril de 2010
Solidão entre tantos
Em grupos, amarrados entre si em um grande fardo, eles vão seguindo a vida. Parece que não podem viver sem estar juntos, mesmo que este amontoamento provoque uma fenda em si, um sofrimento, uma melancolia. Não saber para onde ir, de tanto andar para o mesmo lugar e com o mesmo eco, perdendo o pensamento próprio, a coragem e todas as oportunidades.
Assim é.
A solidão avassaladora de quem está sempre reunido em tantos. E de tanta conversa ao redor, sequer poder ouvir a si mesmo ou a voz sábia do isolamento que chama angustiada e premente de uma atenção.
Ficar só é fundamental para ver-se a si e, principalmente, aos outros.
A solidão animada e contente faz a farra na vida de quem a sabe conduzir. Os diálogos internos são intensos e proveitosos assim como toda companhia vem e passa, deixando um rastro de ensinamentos e muitas idéias a serem pensadas.
Criar laços profundos e perceptivos com nossa essência faz o caminho de quem pensa, um destino construído.
domingo, 21 de março de 2010
O 5s da vida
Ando aplicando estas regrinhas de ouro, que remexem todas as entranhas. De mim para mim e do resto. Do restolho.
Sigo pensando em tudo o que não presta mais e ainda está aqui por perto. Um amor, um objeto, um amigo, uma situação. Todos empoleirados na minha aura, se amontoando na minha volta e pesando a lombar. Parei e decidi o que é inútil. Joguei fora com vontade porque este caminho liberado irá trazer novas e boas coisas.
Ordenei com veemência meus pensamentos e lancei um mantra na cachola que vai liquidando com os ditos inúteis, estéreis e infelizes. Nada de miolo mole, vagando aforismos para lá e cá. Focada, me apresento.
Expurguei as fantasias que sei, estavam fadadas ao fracasso. Limpa, sem peso morto, vou discernir melhor minhas opções. Mente cristalina, enxergando o fundo me conduz ao meu melhor.
Alimento meu corpo assim como minha mente. Só com ingredientes que me darão força para correr. Sigo em harmonia ensaiando passos de dança enquanto a vida toda flui.
Organizar e liberar, um segredo
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Parafusos soltos
Parafusos largados, perdidos na beira da
estrada como se inúteis sempre fossem, são a surpresa do ciclista do
asfalto.Topar com os metais que outrora tiveram serventia para formar alguma
engrenagem importante, faz pensar. Eles são de vários tamanhos e enferrujados,
alguns solitários, outros acompanhados de porcas enroscadas na sua estrutura.
Feitos um para o outro.
Pode ter sido um elemento importante na segurança dos freios
do carro e vou imaginando como esse veículo irá se comportar sem aquele
suporte. Será que ficará como nós, que às vezes desenfreados tomamos decisões
alopradas com falta de senso de comedimento que deveria nortear nossas
atitudes? Aproveitamos que algo está errado na engrenagem e seguimos em frente
patrolando tudo. Ao invés de fazer stop em cada esquina, seguimos em roleta
russa da vida. Às vezes, é bem bom.
E se o parafuso for do tanque de gasolina e agora todo o
combustível se foi e brecamos em qualquer capão? Penso que esta ferragem
perdida é semelhante ao nosso estado de espírito ao nos sentirmos esvaziados de
sentimentos em nossa alma, perdida e cansada de tantas tentativas. Ficar
desprovida dos anseios, por um tempo, fará com que a renovação das emoções se
transforme em outra aventura. Esvaziar-se, trará a cura, certamente.
Se o artefato participou da estrutura de prender os faróis na
direção correta, já podemos prever que estas luzes não irão iluminar o caminho.
Como o ser humano, que anda às escuras para aprender a se orientar, pois não há
garantia de se conhecer todos as passagens. A luz irá se fazendo na opção da
feitura do nosso destino. Luzes fabricadas pelo nosso desejo de chegar.
E se o objeto que agora jaz abandonado sofrendo dos ventos e
fumaças de estradas intermináveis, era quem prendia o ar condicionado do
veículo? Poderemos supor que agora vai circular sofrendo de todos os calores da
natureza e de sua própria mente e corpo. Implacável e infernal, seguir a rota
sem refrigeração.
Este componente, no entanto, não afeta mentes alertas que
divagam prazerosamente por entre as situações da vida. Sempre condicionadas em
apreciar a brisa, mesmo no sufoco, vêem saída. Almas aquietadas vão
fazendo o seu caminho com seus próprios ares.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Homens off
A galera masculina “off” é pra lá de inusitada, pois, pensam
eles que já mataram o seu leão da vida.
Este cara é o avesso das mulheres do mesmo naipe que tem na
liberdade e independência seu fundamento. Estar em sintonia com o universo,
acalmar-se dentro do seu tempo, não é tarefa para esta turba.
Por ter encerrado as conquistas exigidas pela sociedade,
orgulhoso traz na coleira esposa e filhos e uma vidinha enquadrada no dia a dia
bem tradicional com familião no arresto. Preconceituoso e conservador, homens
“off” tem vesgos olhos para a galera libertária.
Completos, os “off” seguem a vida sem olhar muito no entorno.
A vida anda em ritmo ditado pela rotina imposta de sábados dedicados ao
futebolzinho e cervejada com amigos. Esta agenda, é precedida de uma segunda
feira de canastra, uma quarta de jantar de negócios e na sexta, ora, na sexta
um happy hour com os colegas do escritório.
Sobrou o domingo que já começa com chimarrão em algum parque
da cidade. Necessário levar os filhos na indiada. Na mira, almoço de familião
providenciado pelas esposas, boas donas de casa, com barriga na pia e olhos
para os quitutes que serão o deleite do macho, mas, também alvo de críticas,
pois há que se controlar o peso. Enfim, com este homem não se tem saída.
Final de domingo, é claro, futebol na TV, Faustão e cerveja.
Dorme no sofá. Ninguém é de ferro.
Bom, pode haver
exceções......
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Códigos
Passei minha infância na Praia de Torres, de
onde tenho as mais gratas lembranças de família, de mar e de criança. Minha
casa de hoje na praia rescende a cheiros de outrora e também de acontecimentos
que em todo momento me fazem voltar tão para trás que fico pensando em que vida
me encontro.
Acho que em outra vida, já.
Muitas vezes tonteio tal a força da lembrança e vai daí que
me lembrei dos códigos.
Em Torres, tínhamos uma casa de frente para o mar com
varandão e a maresia acompanhava meu nariz em todas as cenas.
Os códigos começaram quando algumas crianças passavam de
bicicleta pela nossa calçada e eram atingidas pela água de nossas “bixiguinhas”
travessas. Claro que pararam as corridas por ali e a partir deste tempo nossas
correrias na quadra era de todas juntas. Código aceito, turminha formada para o
resto da vida.
Minha mãe nos deixava ir ao mar de tardezinha e estabeleceu
um código: ao pendurar uma toalha branca na varanda, tínhamos que voltar. Eu,
magrelinha, nem havia entrado no mar já me via louca de frio e de olho na
toalha para poder retornar. Engraçado, para mim, estar refugiada, alguém me
chamar, voltar para meu canto já era fundamental.
Liberdade vigiada, diríamos hoje. Até hoje eu a pratico de
mim para mim.
Mas os códigos continuaram também acontecendo, mais não seja
por ser dada a delírios e inspirações tomando gosto pela surpresa, pela
aventura, para o desafio de me deixar ir destemperada, para depois voltar.
Pois é um código moderno, o SMS, quem vive me surpreendendo.
Apenas um “plin” e sempre lá está uma mensagem curta e significativa que me faz
voar para algum lado. No pensamento, na resposta criativa ou numa viagem, me
jogo do “plin” para um caminho divertido e lúdico que reforça minha tendência
de arriscar.
O e-mail acompanha de fato estas viradas, no susto e na
expectativa de receber aquele aviso, aquele pensamento, aquele “alô” do
distante que aproxima tanto, criando laços reais na confissão dos mais diversos
sentimentos. A caixa reveladora de tudo. Dos mistérios às mais irrelevantes
conversas.
E de surpresa em surpresa, aqui na minha praia de agora, uma
vizinha me joga um código tão meu conhecido ao me dizer que em breve, após
estar instalada em sua casa, colocará uma toalha azul na varanda, avisando que
ela já está a minha espera, para uma conversa, um chimarrão. Só poderia
acontecer comigo esta alegria de reviver, mais uma vez, um código infantil.
Presto muita atenção no detalhe.
São códigos
imperdíveis!
domingo, 24 de janeiro de 2010
Natureza
Ele sempre surge dentre o verde. Parece que
nasceu por ali, que forjou sua vida entre o sol, a chuva, flores e folhas,
tendo-as em sua composição. O ambiente natural lhe cai muito bem porque é desta
simplicidade da natureza que sua alma foi feita.
Passo acelerado, cabeça baixa, pensamentos cerrados no que
está por vir em seguida. Sempre tem vento a balançar seus cabelos brancos e a
brisa forte também o faz franzir o nariz, característica tão peculiar desde
sempre em sua feição. Os olhos vão ao longe e voltam ao chão, na espreita
ansiosa.
Na boca, um esgar nervoso. E na mente uma interlocução
adoidada de si para si, falta-lhe o ar e sufoca-lhe a garganta.
Na fantasia, a emoção de mais um encontro em que muitas e
tantas palavras serão ditas e tantos pensamentos saltearão. Ele sabe, porém,
que após dizê-las nem em mil anos serão todas faladas. E compreendidas.
No atropelo, tenta pensar direito no que lhe vai no coração
volteando argumentos e revelações que transbordam atrapalhadas, desconexas, e
em meio a tanto esforço recomeça a pensação. É preciso chegar logo. O resgate
desta loucura está próximo e a redenção virá.
As passadas são curtas e rápidas com olhar focado no caminho.
Levanta os olhos ao
chegar.
E então, a mente relaxa, o sangue começa a fluir normalmente,
o coração se acalma, as mãos param de tremer.
Sorrindo, ele a abraça.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Arrivals
É sempre a mesma coisa ao chegar. O ar, denso, pesado de sal e maresia parecem querer te avisar que é chegada a hora do tempo bom. É o momento para dar asas à imaginação, deixar rolar a vida e docemente esquecer tudo.
Tudo mesmo. O bom e o ruim, porque com a mente vazia, enxergamos o que está na nossa frente. As cores diferentes da paisagem, o desconhecido a desfilar insistentemente te provocando como a te avisar que agora vai. Vai andar o tempo certo das coisas. A cadência e o calor são teus sócios na empreitada.
Assim é a chegada diante do mar. Inquieto na espera de lamber todos os pés e molhar todos os corpos. Ardentes ou não. Cansados ou cheios de energia.
A combinação do ar e do clima são drogas pra lá de sedutoras para deixar qualquer um feliz no encontro de si e da natureza. E por dentro de nós não encontramos nada, somente o vazio da chegada e a espera de surpresas.
Afinal, recomeçar exige preparação e abandono do antigo.
As coisas podem acontecer a partir de um dia de sol, ou de chuva, pois todo dia de folga é dia de celebrar.
Talvez alguma conversa sem a menor importância e sentido bafeje teu silêncio voluntário, contaminando as idéias que estão sensatamente a descansar.
As palavras adormecem no regaço do cérebro porque o paraíso solicita
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Socorro sem palavras
Reunir-se em muitos, às vezes, é surreal porque a situação
pode trazer em seu bojo armadilhas da linguagem e da atitude que parecem
impossíveis de acontecer. Mas acontecem. Bagagens reunidas no absurdo geram
interlocução nem sempre claras.
Tudo pode acontecer no paralelo da comunicação de quem não
tem coragem de enfrentar a realidade e vai se esquivando dos adventos e
arrancadas das nossas relações fraternas e de amor.
A palavra em alta voz fere como dardos se assim o quisermos.
E calam tão fundo que jamais vamos esquecer da “imagem” falada. Da palavra dita
por acaso com toda intenção de ofender, com todo cuidado de bafejar a falta de
educação espalhando a maledicência.
A palavra, sublime, tem dois lados. Famigerado o que as
utiliza para o sinistro.
A palavra escrita fere a fogo quem dela não souber se servir.
No conjunto então...Ai meu Deus. Nos diálogos a compreensão não é prova
concreta de entendimento comum. Cada um entende os fonemas de uma forma e a
expectativa da grafia é maravilhosa por tantos estilos e formas de expressão
existentes. Despejar a ira ou o amor em frases alonga teu prazer ou tua fúria.
Relatar a realidade – sonho e fantasia - é uma arapuca que quase todos nos
metemos. Praticamente todos os dias.
A palavra não vista quase sempre abriga a mágoa, e, o destino
da mesma, é ferir o outro. Parecer supérflua e vacilante, levemente
indiferente, a atitude se consolida através da rejeição programada
milimetricamente. Tão definitivas e inaudíveis que põe em choque a quem se
referem. Quase sempre conquistam seu objetivo que é demonstrar desprezo.
Mas, preste atenção: ninguém destrói quem tem sensibilidade
para perceber, esquecer e perdoar. De repente, fico
pensando que em tantas palavras, fiquei eu com saudade do tempo que não vivi:
“o sinal de fumaça” dos índios...Chamativo, silencioso,
atencioso, objetivo e muito esclarecedor. Socorro sem palavras.
O Avesso de Vanisa
O dia amanheceu quente, com um sol quase a pino já na madrugada, acordando tudo o que a natureza deu vida. O morno do dia deixou os aldeõe...
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A traição impera de certa maneira no nosso dia começando pelo tempo que prometeu ficar de céu azul e se vendeu aos ventos e chuvas, desa...
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Na primeira vez me chamou a atenção um pé de sapato solitário perdido na beira do mar. Era de homem, e devia estar no fundo do oceano al...
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Descobri que estou sempre de malas prontas, não importando a viagem. Ao meu alcance, a bolsa do dia a dia que carrega em si as esperanças...











