A lambança, termo bem antigóide que relembra lavação de roupa
suja e que muita vezes é – ou era – usada para cornetear desavenças políticas
tem tido uma versão que eu chamaria “da hora”. O e-mail.
Bela ferramenta essa que nos aprisiona em uma cadeira com os
olhos cravados na tela, dedos fincados no teclado jorrando freneticamente o
conteúdo que ao ser enviado não tem volta. Sem arrependimentos, portanto.
A ferramenta de comunicação que nos une a muitos e poucos,
dependendo de como nos comportamos com ela, é uma arma poderosa de lambança
porque a palavra escrita é lida e interpretada de maneira única e singular por
cada um de nós.
Então veja lá com que vírgulas vais separar tuas idéias e que
sina vais dar a pontuação que divide tuas frases. Não vá apartar o certo do
errado nem acrescentar algum assunto mal visto que poderá levantar suspeita,
porque a suspeita é a amiga íntima da paranóia que derruba amizades, grupos e
comunidades.
A comunicação deveria servir para aproximar pessoas, porém,
se nem a conversa o faz, imagine palavras digitadas em maus momentos quando a
tela recebe letrinhas enredadas umas nas outras sem reclamar da agitação.
E lá vem o receptor da mensagem com a cabeça virada ler o que lhe chegou.
Justo naquela hora que estava relaxado e contente, feliz e
agradecido pelo dia findo, lhe chega de sopetão: a cobrança da conta esquecida
no fundo da gaveta, a doença de um amigo querido, uma reunião bem chata na
sexta-feira, a previsão de chuva no feriadão, um aviso de banco que é vírus,
uma citação do Serasa impossível, uma sugestão de namoro de alguém que nem
conheces, um comentário anônimo no blog.
Um vírus humano que não tem cura.
Escrever para viver e viver para escrever. A inspiração é o meu objeto de desejo a cada amanhecer e assim minha alma fica fortalecida no encontro do silêncio e da natureza marítima. Leiam com bons olhos! Mail para contato: verarenner43@gmail.com Vera Lucia Renner
domingo, 13 de novembro de 2011
Lambança
domingo, 2 de outubro de 2011
Diabão
Eu o conheci em meio a tantos outros
desconhecidos, porém, o que me chamou a atenção foi a fleuma e a intensidade
com que se expressava, se organizando nas falas de forma cordial agressiva se
revelando inteiro nas histórias.
Obviamente, emergia com tal alarido dentro do grupo que ficava difícil
não lhe prestar a atenção.
As narrativas escorriam do bocal tal qual
babugem de animal selvagem com natureza de erradicar o lhe vem de dentro. No
caso da besta fera uma vida transformada em irradiosa e barulhenta narrativa.
O celerado não podia ver platéia de dois e já pulava no palco
para se apresentar, mesmo que ninguém tenha lhe convidado. É seu jeito de ser
no mundo, sempre com destaque e ferocidade onde a simpatia e o carisma se
confunde com o exibicionismo e a carência.
Diabão mergulha de olhos abertos em mares, lagos, rios e
arroios lamacentos uma vez que a escuridão não lhe amedronta. O desafio se
esvanece com porrada na cara.
O insano que eu conheci é um cara absorvente, de simpatia
ilimitada, de humor inigualável e risada fácil escorregando feito lontra por
entrevidas.
Sempre um adorável
pavio curto entrando em cena.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
150 litros de lembranças
Debrucei-me suavemente sobre aquela montanha de papel instalada sobre os meus pés a pedir socorro. Este amontoado sobrevivente amarelado e velho, encerrado em gavetas jamais abertas por um tempo demasiado, suplicavam por um destino glorioso.
Nem lembro como vieram parar ali aqueles álbuns com fotos, recortes, fitas, flores secas, bilhetinhos e cartas que se sobrepunham na minha frente formando uma trincheira. Incomodada com a visão do entulho inútil, me armei de uma tesoura e iniciei a seleção.
Pelo chão foram se espalhando em mil pedacinhos uma boa parte da minha vida, a começar quando eu nem dentes tinha, seguindo adiante em quadros repetitivos. No bafão sinistro da tarefa vou picotando fotos e mais fotos, instalando na sala uma névoa que rescindia a tempos passados. Pensando bem, eu ouvia risadas, choradeiras, música, alegria e tristeza e muita conversa. Eram os fantasmas libertos, cheios de coragem, tomando outro rumo neste dia histórico.
Me surpreendi com a velocidade por mim impressa na seleção da papelada: o que fica e o que vai para corte. O afã era resumir uma vida em apenas um álbum e o grande desafio seria guardar em gavetinhas da memória o que resolvi tirar do mundo físico. Tive o cuidado de colocar na gaveta do esquecimento todas as injúrias, as traições e a mal querência com que me acertaram. Um nicho de neurônios mortos chamado “para sempre”.
Agora, ao meu lado 150 litros de papel picado com a sina acertada.
Na minha mesa, tal qual tela touch screen, ávida e célere, vou montando a seleção da Linha da Vida. Ficou o relevante. A vida passa rápido.
sábado, 6 de agosto de 2011
Pedreiro
Deve haver um veio de demolidor muito forte na personalidade
de um pedreiro pois o decujo está sempre juntando suas armas pesadas, cobertas
de cimento e tinta e de tão usadas se adivinha um caminho pregresso de muitas
paredes derrubadas.
É assim, armado, que o cara entra na vida de quem quer
arrumar seu refúgio. Estranhamente, ficamos animados e começa uma operação
tolerância zero para os pertences. Estes, sob a nova égide do oleiro, são peças
que atrapalham e com seu olhar enviesado vai chutando para todo o canto o que
lhe aparece no caminho.
Melhor vazar a traquitana então.
E, quando os espaços estão nus se cobrem de uma certa
tristeza pois afinal se foi quem lhe dava utilidade de existir. Mas, não tem
jeito, com este maluco dentro de casa só se pode esperar depredação. Então
percebi, certamente tarde demais, que o pior em uma obra não é a sujeira que se
faz acontecer mas sim a espera do fim do suplício.
Mas, engraçado, a cada dia uma nova idéia surge, mais um
prego ali, um furo acolá, empareda um buraco, abre outro e lá se vão os dias em
uma contagem absurda de quem vai fazendo sem pensar antes.
Tal como a vida da gente quando vamos juntando os caquinhos
de acordo com quem está demolindo na frente.
Acho que terei que procurar um amassa barro da alma.
sábado, 16 de julho de 2011
Reforma 1
Ela veio devagar, como quem não quer nada, e em completo silêncio invadiu a minha seara. Pensei que não tinha mais jeito mesmo e a deixei entrar.
A cozinha se revelou o primeiro lugar a ser arrebentado porque de certa forma eu gostaria muito de vê-la vazia. Seus canos engordurados como veias doentes deviam se mostrar antes de desaparecem nas hábeis mãos do consertador de paredes.
Mas foi ao ver o espaço sumir e se transformar em entulho que percebi que junto àqueles canos se foi algo de mim. Uma percepção que eu mesma estava impregnada de um sebo rançoso que neste momento se esvaiu nas novas valas abertas e limpas.
De certa maneira continuei viajando num sonho de ausência. Do que havia por ali, nada fazia mais sentido e deixei a tralha tomar seu rumo. Acho até que se foram sozinhas porque de mim não agüentavam mais nada.
Quebrei as paredes e deixei a luz – antes rara - entrar com força e transformei o meu ninho antigo em um lugar de refeições, que por ora está vazio, aguardando o meu novo gosto de arrumar. Ele também se foi e agora posso andar por aí pensando e procurando o que eu gostaria de ter, qual a minha cor preferida e está sendo divertido não ter um gosto definido para compor uma casa.
Segui em frente derrubando tudo, me desfazendo e doando.
Também meu espírito tomou outro rumo. Sem culpa de esvaziar minha vida prática sem saber como reerguê-la, sem medo de liberar o que já me serviu.
Agora apenas a liberdade de ser eu mesma. Uma que ficou nem sei onde
domingo, 10 de abril de 2011
Assuntos
Cheia de assunto vergo minhas falas com sofreguidão apenas
encontrando um eco ao longe, desinteressado e ausente do conteúdo a que me
proponho, me parecendo com nitidez, que minha cabeça esbraveja solitária.
Houve um tempo, que até parece outra vida, onde as palavras
eram o mote principal de encontros, e a ira e a audácia caminhavam em cabeçadas
uníssonas, sempre se fazendo acompanhar pela risada espontânea, pela ironia
inteligente, pela graça de propor e pela alegria de simplesmente estar.
Nunca
desisto de procurar uma chance de enxergar nas caraminholas insistentes, aquele
achaque que me bafeja a testa e que me faz, airada, pensar
Talvez tudo tenha se perdido nas areias da
praia iluminadas pelo sol de outono, que agora recolhe ávida todo o brilho da
natureza para si, uma vez que cansada de ser espezinhada e agredida por todo o
tipo de pisante. Vai ver que os cascudos do mar, novos moradores, e as aves
mais gordas estejam me ouvindo e pedindo silêncio ao meu interior barulhento.
Pode não parecer à primeira vista, mas desconfio que a
insegurança e o medo eternizam o motivo do esconde-esconde, tais como os
caranguejos que voltam para a beira do mar tranqüilos, pois chegou a hora de
vagar para o lado e para trás. Mesmo.
domingo, 3 de abril de 2011
Fuga
Eu jurava que todos estavam ali, ao alcance da minha vista,
mas quando dei por mim, as hipóteses, os argumentos e minhas certezas se
adonaram de si e sumiram. Ficou em mim uma certa vergonha por ter andado
invasiva e sonhadora ao pensar assuntos.
Na minha conversalhada eu lembro bem de não ter perguntado
nada, que me veio tudo de pronto, com as afirmativas se alinhando ao meu
pensamento então sóbrio, tenso e incluso.
Muitos dos eventos foram se acumulando no decorrer do período
sem que eu pudesse detê-los, talvez porque eu mesma não o quisesse ou porque me
sentisse curiosa e animada. Dar um destino ao que me passa pela frente sem que
eu peça. A sutileza aparente do celerado demonstra que não preciso procurar
para acontecer.
E me vem à memória encontros estranhos, declarações
suspeitas, intenções não declaradas. Mas o que mais me entorta a mente é a
fuga. A saída da intenção do não ocorrido, a fala suspensa, o olhar que entrega
a alma.
A animação não cessa mesmo depois de eu haver desistido. O
silêncio se instala, a presença se evapora e a saudade persiste.
Os
novos caminhos advém, sem culpa ou vergonha de existir, simplesmente.
domingo, 20 de março de 2011
Coma
Deitado na maca com seu corpo em mil pedaços
facetados tinha apenas a pele guerreira lhe ajuntando como se fosse ela, neste
momento, o único elo de esperança. A morte, bafiando a nuca do coitado
estirado com os sentidos já amornados ouviu a recusa de seu convite, por ora.
Seu olhar de azul celeste se agrandou, apertou, movimentou-se
no entorno e lentamente seus cílios se sobrecarregaram tanto que ele foi
obrigado a seguir o pedido do corpo, quentinho do trauma. Cerrou os olhos e se
foi.
Não sem
antes dar uma espiada na vida que lhe queria passar a perna e se aperceber que
talvez fosse melhor negociar.
É nesta hora do coma que a matéria e scangalhada do pobre se
abre às mil parafernálias médicas terrenas. Tanto osso quebrado, tanto desvio
do esqueleto, tanto sangue para drenar. Os músculos, outrora fortes se deixam
ficar derreados porque seu bravoso dono não está ali para lhes dar alma e
treino forte para se fortalecerem.Todo o bucho assim se comporta, sem coração
batendo pelo seu sangue quente e ousado, estômago e afins na carência do
alimento que seu dono aguerrido costumava lhes servir. Todos lhe sentindo a
falta, ora veja. Todos em compasso de espera do indivíduo que agora está sob o
comando de máquinas, fios, cabos, sinais em telas, seringas, agulhas, plaquetas
de aço, porcas e parafusos. Uma vida por mil cabos.
Não acaba aí a vida em suspense do herói. É neste momento que
começa a negociação e seu espírito é buscado e conduzido pela equipe mais
perfeita do Universo. Começa o tratamento, propriamente dito.
O corpo desfeito como uma carcaça vislumbra um sopro de vida
neste lugar onde gravitam os socorristas que estimulam a brasa de vida que
persiste no espírito deste homem. Assim lhe são feitas muitas perguntas, deste
modo lhe são dadas muitas opções e também muito tempo para pensar. Ele se sente
bem cercado de cuidados de todos os níveis passando de sala em sala, de
hospital em hospital com vários profissionais que, juntos, ajustavam sua vida.
Negociavam com ele. Que oportunidade! A tarefa agora estava quase cumprida, e
sua cura dependia de querer viver.
Não só de existir em si, mas de conhecer quais seus
propósitos reais neste lugar chamado Terra, de sua utilidade para sua família,
amigos, filhos e humanidade de uma maneira geral. Abdicar de seus sonhos
buscando outros em seu lugar. Escolher outra perspectiva porque lhe sobra muito
tempo. Adiantar planos antigos e colocá-los em prática. Visualizar que existem
outros caminhos fora os já trilhados. A decisão era sua. Ficar ou comparecer ao
Juizo Final. Abriu os olhos.
domingo, 6 de março de 2011
Céus e terras
Com passadas cadenciadas, olhar afundado ao chão, seguia
sempre do mesmo jeito, todos os dias, contorcendo seus pés nas areias macias,
em alguns momentos, em outros lisa e dura como pedra. Aliviava todo o corpo
tenso ao tocar este chão, diferente a cada dia enquanto o espírito nublava e
arejava.
A cabeça pendia de um lado e outro, vagarosa, acompanhando o
vagar insuspeito do pensamento. Os ombros fortes se negavam a seguir o ritmo do
olhar se deixando ficar firmes mas parecendo inconsoláveis. Assim toda a massa
física se comportava.
Seguia lento no pé ante pé, absorto, e não via nada do que
acontecia ao redor. Tão inexpugnável que poderia acontecer o que fosse, que do
fundo da beira da praia aquele olhar não levantava.
A visão descarada se projetava como um ímã nas profundezas do
solo como se ali estivesse o seu vôo, calculado milimetricamente como tão bem
fazia entre nuvens. Seu corpo no costume do vôo solo, ouvindo o silêncio azul
dos céus, brincando de esconde-esconde com nuvens em polvorosa querendo se
esvair em águas, absorto em sofisticação tecnológica e comandos determinantes
que resolviam todos os seus caminhos.
Agora, são tatuíras que passeiam em sua frente e mariscos lhe
ferem os pés. Magnetizado cada vez mais pela superfície praiana, adentra por
entre caranguejos, galopa no dorso de cavalos marinhos, nada em cardumes,
descansa no casco da tartaruga gigante. Se esconde de si mesmo nas algas e
corais e foge das mães-d’água. Um exílio projetado que parece não ter fim.
Finalmente, ergue o
olhar e diz: Oi !
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Proteção
Tenho mais paixão pelas palavras do que pela
escrita, com acessos contínuos de trazê-las à berlinda, usando-as para me
deliciar com seus significados, retorcendo um pouco e surpreendendo do tanto
que podem mudar nosso pensamento e atitudes. Portas e janelas se abrem ao novo,
inusitado, diferente.
A portabilidade é uma dessas novas palavras da moda. De
repente temos o direito adquirido de levar a outro protetor tudo o que
recebemos por anos a fio de facilidades e de apego mútuo por aquela senha
gravada na nossa mente e de todos os que queremos bem. O passaporte do contato.
Por ele nos conectamos com o mundo, negociamos desarrufos,
matamos com força de sabre a saudade e chegamos, em segundos, aonde queremos
estar. Do outro lado do nosso fiel servidor sempre tem alguém ou “aquele”
alguém que de pronto atende o chamado. Uma ligação desesperada, outra morrendo
de amor, ou, muito engraçada. Vazar as palavras desta forma se torna
imprescindível para se estar junto, apesar de que as falas ao vivo, com todos
os seus tons, sobre-tons e surpresas estejam tão fora de moda.
Depois de tanta conversação e fidelidade inescapável nos
códigos adquiridos surge outro protetor que nos oferece a mesma coisa
conservando o mesmo número. O poder da sedução moderna joga pesado, e, um pouco
sem pensar, nos atiramos nos braços do distinto que nos promete tudo e muito
mais. Relegamos sem medo nosso futuro das comunicações a este mundo hightech
que se apresenta cheio de promessas de mais simplicidade, mais interatividade,
mais e mais. Tantas juras. Vou fazer a portabilidade do amor no meu coração.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Castelo de Cartas
Uma a uma as cartas foram sendo jogadas, indecisas algumas,
apostadas com vigor outras e tímidas também. Porém, em sua maioria, a sorte
pendia para os apostadores agressivos que jogavam suas fichas com sofreguidão e
a desordem de quem não respeita as regras, quaisquer que sejam elas.
Foram sendo colocados muitos reis e um nadinha de súditos,
parecendo a todos que o coringa estava submerso neste baralho estranho, onde
apenas as cartas autoritárias tinham vez.
A jogatina era pesada, com apostas determinantes a qualquer
preço, sem pensar, sem olhar o semblante do outro jogador, sem a astúcia das
cartas na mesa assim como as do centro e nas mãos dos parceiros.
Me chamou a atenção as rainhas de muito baixo escalão que
seguiam orgulhosas sem ao lado olhar, construindo seus castelos a partir da
destruição de palácios, atravancando a operação pelo bel prazer do orgulho e da
prepotência. Altivas, o valor das cartas careciam de inteligência e a soberba
imperava e seguia incólume, encostando sempre no líder da mesa – o Ás de Ouros
– que apesar da fama de herói era o mais pobre coitado do carteado.
Todos os reis agrupados mais se degladiavam e se concediam
glórias entre si, do que propriamente jogavam suas cartas com habilidade e
presteza. Assim era impossível entrever a situação no tabuleiro que também
abrigava excelentes jogadas com personalidades talentosas. Ocultas. Enfim
o jogo chega ao fim. O
Coringa surge apenas para capar o Ás de Ouros.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Marionete
O cabo ligado em cordas disfarçadas de seda
movia todos os seus membros, acionando braços e pernas sem vida de si, mas
outorgada a outrem como se fosse um ímã. A sensação de ser um títere, cuja
personalidade se foi há muito, ou talvez nunca tenha se estabelecido, foi
relevante para que a dança de marionete se fundasse.
Em um levante de dedos todos os comandos em alta com a cabeça
se agitando e sendo obrigada a enxergar a demanda do autor. A situação
se movimentou em muitos e certa fraqueza assolou o articulista que começou a
derrear comandos, deixando o marionete por sua própria conta. Acovardou-se,
o pobre, na batida ligeira de todos enredados. Fugiu.
Atirado ao solo, sem as amarras que lhe montavam a carcaça e
livre dos cabos que lhe concediam o movimento autorizado, recuperou sozinho sua
identidade roubada, por um período, com seu próprio consentimento, diga-se a
verdade.
Um pouco resvalado e ainda com a sensação da linha de força a
lhe enlaçar, lá se foi o marionete. Em direção a si mesmo, por enquanto.
O Apagar - Contos do Coração
“Eu apaguei pouca coisa de mim porque sempre imagino que servirão para reescrever outro capítulo da história, corrigir o que me parecer se...
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A traição impera de certa maneira no nosso dia começando pelo tempo que prometeu ficar de céu azul e se vendeu aos ventos e chuvas, desa...
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Na primeira vez me chamou a atenção um pé de sapato solitário perdido na beira do mar. Era de homem, e devia estar no fundo do oceano al...
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Descobri que estou sempre de malas prontas, não importando a viagem. Ao meu alcance, a bolsa do dia a dia que carrega em si as esperanças...











