terça-feira, 28 de julho de 2026

O Apagar - Contos do Coração

 


“Eu apaguei pouca coisa de mim porque sempre imagino que servirão para reescrever outro capítulo da história, corrigir o que me parecer sem efeito, ou deixar ali como prova do meu caminho. Seja ele qual for, e para onde for. 

O apagador da escola nos quadros de giz, ao invés de tirar as frases da frente dos olhos das crianças, criava um borrão onde a próxima frase não poderia ser lida.

A borracha comum é minha parceira de todo dia porque posso lidar com ela a todo momento em que me arrependo de parte ou de toda frase que me vem à mente.

O apagar da memória é uma atitude quase impossível de realizar, porque ela descarta os fatos recentes e se apega aos do passado. Ao contrário da vontade, o apego é com o antigo e o esquecimento é com o presente.

Sempre que eu tento apagar um infortúnio da minha alma, alguém vem me dizer que se faz necessário analisá-lo, quem sabe, recebê-lo de braços abertos, em algum lugar das minhas emoções.”

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