“Eu apaguei pouca coisa de mim porque sempre imagino que
servirão para reescrever outro capítulo da história, corrigir o que me parecer
sem efeito, ou deixar ali como prova do meu caminho. Seja ele qual for, e para
onde for.
O apagador da escola nos quadros de giz, ao invés de tirar as
frases da frente dos olhos das crianças, criava um borrão onde a próxima frase
não poderia ser lida.
A borracha comum é minha parceira de todo dia porque posso
lidar com ela a todo momento em que me arrependo de parte ou de toda frase que
me vem à mente.
O apagar da memória é uma atitude quase impossível de
realizar, porque ela descarta os fatos recentes e se apega aos do passado. Ao
contrário da vontade, o apego é com o antigo e o esquecimento é com o presente.
Sempre que eu tento apagar um infortúnio da minha alma,
alguém vem me dizer que se faz necessário analisá-lo, quem sabe, recebê-lo de
braços abertos, em algum lugar das minhas emoções.”

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