Escrever para viver e viver para escrever. A inspiração é o meu objeto de desejo a cada amanhecer e assim minha alma fica fortalecida no encontro do silêncio e da natureza marítima. Leiam com bons olhos! Mail para contato: verarenner43@gmail.com Vera Lucia Renner
sábado, 27 de setembro de 2014
Distância
domingo, 14 de setembro de 2014
Ofensas
domingo, 7 de setembro de 2014
Virtual
sábado, 6 de setembro de 2014
Mentira
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
O anônimo
domingo, 31 de agosto de 2014
Papelada
De ventas altas se fizeram aqueles dias, fungando todos os fantasmas desde os mais corriqueiros até os mais densos, aqueles que se assemelham a nós mesmos nos piores momentos. Fugir era a minha intenção e quase o fiz, mas houve algo que me prendeu e perdi as forças por conta daquele olhar matreiro, divertido, carinhoso, mas um pouco sem graça que olhava, mas não enxergava, tentava chegar perto e se perdia.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Sabiá
sábado, 23 de agosto de 2014
Alvo
Era sempre ali no fundão que parecia haver a resposta, era por ali, naquele entorno desfigurado que se assistia o desfile acontecendo, sempre com assuntos ocultos, mas também sempre presente no ar. A intenção era descobrir o que havia chegado para acontecer, porque os atos promissores se desdobraram com força, mesmo que vez ou outra houvesse certa desaprovação e as querelas se chocassem áridas, resultando em um enlevo dissonante, descartadas em outro momento, como se medo houvesse. Parecia que a alegria sempre andava mal acompanhada.
As más companhias do pensamento chegavam a alguma conclusão, porém, um ditado se antepunha derrubando os argumentos. Tudo fazia sentido nas fracas teorias que não se sustentavam, justo neste entreato de tentativas de descobrir com urgência o que vinha – ou o que havia – por trás daquele pano pomposo.
Mas o olhar apagado surgiu ao
longe, vindo da bruma da consciência provocando um conforto necessário naquela
exata hora de apuração da verdade, da realidade tomando corpo e se desfazendo
do imaginário, largando fora o brilho da apresentação altaneira e concedendo,
finalmente, um troco a todas as indigestas promessas jogadas sem dó e que foram
engolidas sofregamente para que a alma não secasse.
Cada palavra lufada ao pé da orelha eclodia depois como algozes no tempo e no
espaço, tornando a dúvida e a boa intenção companheiras inseparáveis no seu
propósito, mas distintas no fato.
sábado, 9 de agosto de 2014
Fatura
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Sorrindo
Dia morno
na caminhada lomba acima espanando o mofo, a injúria enrustida e certa
indolência com tudo. Mas toda subida tem sua descida e sempre em grande estilo
porque descer é mais rápido, mais perigoso e muito, mas muito mais arriscado.
Então, acelerei na baixada sem querer, mas fui parada pela prepotência uníssona
dos rostos que me transpassavam arreganhando uma boca e um semblante
desproporcional ao meu interior, confesso, sorumbático.
Eu queria
ficar ali, de cabeça baixa lambendo o chão, mas como sempre acontece nestes
casos, o entorno suga teu intento, a luz forte e quente te avisa que não será
esta a hora de se agachar ou de se enterrar um pouquinho só e muito menos
usufruir um tiquinho de solidão necessária para renascer mais adiante. Não,
neste dia luminoso eles vem te alevantar pelos chifres e te fazer encarar o que
vem pela frente.
Forçada,
comecei a observar os rostos de quem passava por mim e presenciei exatamente o
que eu queria viver ali, nas ruas, mas ao contrário. Todos os rostos desviados
tinham um singular esgar na boca que eu entendi como um leve sorriso – que não
eram a mim dirigidos - como se aquela pessoa estivesse pensando em algo bom,
interessante ou engraçado.
Todas elas
com esta atitude tinham um smarthphone na mão e
caminhavam por cima de tudo e de todos, com a visão acima da linha do horizonte
e tão etéreas que poderia afirmar estarem somente na imaginação.
Dali para
frente me ficou impossível não pensar que é uma ingratidão para passantes de
ruas imensas negarem o cruzamento do olho no olho, trocar um sorriso, recusar
um flerte imperioso com alguém interessante ou subtrair a tentação de
espontaneamente cumprimentar um desconhecido simplesmente. Não é mais possível
encontrar a incógnita tão estimulante, não se faz leitura de quem passa na rua
e não se encontram mais as almas se cruzando no universo.
O olho e o
espírito focado no que vem de fora, criado e manipulado para as massas tornaram
os indivíduos espantalhos do dia que riem sozinhos por aí, sem presenciar o
calor da oferta dos amores reais que agora são fantasmas perambulando
solitários pelas ruas.
domingo, 27 de julho de 2014
Secreto
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Romance
Variados, subalternos, loquazes ou simplesmente simples eles vem e vão, assim como a brisa que deita seu vento pequeno na floração do dia e muda a aragem ao se apresentar esperançoso, futurístico, e por isso mesmo desastroso. Muitas vezes rompe as fronteiras das improbabilidades como lhe assopra a intuição, grande amigona que às vezes é escanteada e desacreditada. Vai ver que é para dar passagem à ilusão, outra danada parceira de conluios romanceados.
Com este clima tudo se enverdeja e se esclarece elevando o pensamento para milhões de bobagens que deixariam rubra qualquer pessoa de bom senso. Mas não para quem tem o hábito de romancear sempre o que se apresenta tendo uma capacidade de trazer para dentro da rotina certa, determinadas inadequações.
Assim a vida vai dando corda cega uma vez que a ordem é não estancar, não desistir, ir sempre além, mesmo que depois tenha que costurar as feridas, calcificar os ossos, atirar-se ao chão na busca das tantas palavras desperdiçadas nas muitas conversas. Diálogos deliciosos que vão para frente e para trás numa dança de presente e passado como se grandes cúmplices fossem. Deitar o olhar ao mar em agradecimento por ele ter sido uma testemunha calada e confidente do interlúdio, faz parte do fim e do começo.
Parece que de pronto tudo está se estabelecendo a favor, porém um ruído mínimo no fundo do pano incomoda sem que se possa lhe dar o devido valor ou sequer mensurar se vem para estragar ou se é um alerta de perigo iminente. Por risco quero dizer cair-se em ciladas floreadas, deixar-se levar pela quentura de um olhar mais atrevido, do beijo roubado em susto, do abraço imprevisto e desajeitado e dos encontros que se desfazem como sorvete derrubado em asfalto quente. Tempos ardentes fazem parte da promessa do amor que, inadvertidamente, pode chegar travestido de inverno rigoroso, promessas falsas e catastrófico final, mesmo que estejamos aproveitando o calor.
O carrossel não para uma vez que
lhes foi dado o açoite e as mãos que o conduzem, embora frágeis no início, se
fortalecem para servir de anteparo a tudo que foi arremetido em sua direção. Um
destino certo desviado na chegada.
O Apagar - Contos do Coração
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