domingo, 21 de março de 2010

O 5s da vida





O programa 5s é famoso no meio empresarial, mas acho até que anda meio cafona. Pelo menos parece, porque é dado como certo que todos temos que ter hoje em dia um senso comum de total organização e se não for assim o descarte é garantido. Carta fora do baralho.


Ando aplicando estas regrinhas de ouro, que remexem todas as entranhas. De mim para mim e do resto. Do restolho.

Sigo pensando em tudo o que não presta mais e ainda está aqui por perto. Um amor, um objeto, um amigo, uma situação. Todos empoleirados na minha aura, se amontoando na minha volta e pesando a lombar. Parei e decidi o que é inútil. Joguei fora com vontade porque este caminho liberado irá trazer novas e boas coisas.

Ordenei com veemência meus pensamentos e lancei um mantra na cachola que vai liquidando com os ditos inúteis, estéreis e infelizes. Nada de miolo mole, vagando aforismos para lá e cá. Focada, me apresento.

Expurguei as fantasias que sei, estavam fadadas ao fracasso. Limpa, sem peso morto, vou discernir melhor minhas opções. Mente cristalina, enxergando o fundo me conduz ao meu melhor.

Alimento meu corpo assim como minha mente. Só com ingredientes que me darão força para correr. Sigo em harmonia ensaiando passos de dança enquanto a vida toda flui.

Organizar e liberar, um segredo

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parafusos soltos



Parafusos largados, perdidos na beira da estrada como se inúteis sempre fossem, são a surpresa do ciclista do asfalto.Topar com os metais que outrora tiveram serventia para formar alguma engrenagem importante, faz pensar. Eles são de vários tamanhos e enferrujados, alguns solitários, outros acompanhados de porcas enroscadas na sua estrutura. Feitos um para o outro.

Pode ter sido um elemento importante na segurança dos freios do carro e vou imaginando como esse veículo irá se comportar sem aquele suporte. Será que ficará como nós, que às vezes desenfreados tomamos decisões alopradas com falta de senso de comedimento que deveria nortear nossas atitudes? Aproveitamos que algo está errado na engrenagem e seguimos em frente patrolando tudo. Ao invés de fazer stop em cada esquina, seguimos em roleta russa da vida. Às vezes, é bem bom.

E se o parafuso for do tanque de gasolina e agora todo o combustível se foi e brecamos em qualquer capão? Penso que esta ferragem perdida é semelhante ao nosso estado de espírito ao nos sentirmos esvaziados de sentimentos em nossa alma, perdida e cansada de tantas tentativas. Ficar desprovida dos anseios, por um tempo, fará com que a renovação das emoções se transforme em outra aventura. Esvaziar-se, trará a cura, certamente.

Se o artefato participou da estrutura de prender os faróis na direção correta, já podemos prever que estas luzes não irão iluminar o caminho. Como o ser humano, que anda às escuras para aprender a se orientar, pois não há garantia de se conhecer todos as passagens. A luz irá se fazendo na opção da feitura do nosso destino. Luzes fabricadas pelo nosso desejo de chegar.

E se o objeto que agora jaz abandonado sofrendo dos ventos e fumaças de estradas intermináveis, era quem prendia o ar condicionado do veículo? Poderemos supor que agora vai circular sofrendo de todos os calores da natureza e de sua própria mente e corpo. Implacável e infernal, seguir a rota sem refrigeração.

Este componente, no entanto, não afeta mentes alertas que divagam prazerosamente por entre as situações da vida. Sempre condicionadas em apreciar a brisa, mesmo no sufoco, vêem saída. Almas aquietadas vão fazendo o seu caminho com seus próprios ares.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Homens off




A galera masculina “off” é pra lá de inusitada, pois, pensam eles que já mataram o seu leão da vida.

Este cara é o avesso das mulheres do mesmo naipe que tem na liberdade e independência seu fundamento. Estar em sintonia com o universo, acalmar-se dentro do seu tempo, não é tarefa para esta turba.

Por ter encerrado as conquistas exigidas pela sociedade, orgulhoso traz na coleira esposa e filhos e uma vidinha enquadrada no dia a dia bem tradicional com familião no arresto. Preconceituoso e conservador, homens “off” tem vesgos olhos para a galera libertária.

Completos, os “off” seguem a vida sem olhar muito no entorno. A vida anda em ritmo ditado pela rotina imposta de sábados dedicados ao futebolzinho e cervejada com amigos. Esta agenda, é precedida de uma segunda feira de canastra, uma quarta de jantar de negócios e na sexta, ora, na sexta um happy hour com os colegas do escritório.

Sobrou o domingo que já começa com chimarrão em algum parque da cidade. Necessário levar os filhos na indiada. Na mira, almoço de familião providenciado pelas esposas, boas donas de casa, com barriga na pia e olhos para os quitutes que serão o deleite do macho, mas, também alvo de críticas, pois há que se controlar o peso. Enfim, com este homem não se tem saída.

Final de domingo, é claro, futebol na TV, Faustão e cerveja.

Dorme no sofá. Ninguém é de ferro.

Bom, pode haver exceções......


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Códigos


Passei minha infância na Praia de Torres, de onde tenho as mais gratas lembranças de família, de mar e de criança. Minha casa de hoje na praia rescende a cheiros de outrora e também de acontecimentos que em todo momento me fazem voltar tão para trás que fico pensando em que vida me encontro.

Acho que em outra vida, já.

Muitas vezes tonteio tal a força da lembrança e vai daí que me lembrei dos códigos.

Em Torres, tínhamos uma casa de frente para o mar com varandão e a maresia acompanhava meu nariz em todas as cenas.

Os códigos começaram quando algumas crianças passavam de bicicleta pela nossa calçada e eram atingidas pela água de nossas “bixiguinhas” travessas. Claro que pararam as corridas por ali e a partir deste tempo nossas correrias na quadra era de todas juntas. Código aceito, turminha formada para o resto da vida.

Minha mãe nos deixava ir ao mar de tardezinha e estabeleceu um código: ao pendurar uma toalha branca na varanda, tínhamos que voltar. Eu, magrelinha, nem havia entrado no mar já me via louca de frio e de olho na toalha para poder retornar. Engraçado, para mim, estar refugiada, alguém me chamar, voltar para meu canto já era fundamental.

Liberdade vigiada, diríamos hoje. Até hoje eu a pratico de mim para mim.

Mas os códigos continuaram também acontecendo, mais não seja por ser dada a delírios e inspirações tomando gosto pela surpresa, pela aventura, para o desafio de me deixar ir destemperada, para depois voltar.

Pois é um código moderno, o SMS, quem vive me surpreendendo. Apenas um “plin” e sempre lá está uma mensagem curta e significativa que me faz voar para algum lado. No pensamento, na resposta criativa ou numa viagem, me jogo do “plin” para um caminho divertido e lúdico que reforça minha tendência de arriscar.

O e-mail acompanha de fato estas viradas, no susto e na expectativa de receber aquele aviso, aquele pensamento, aquele “alô” do distante que aproxima tanto, criando laços reais na confissão dos mais diversos sentimentos. A caixa reveladora de tudo. Dos mistérios às mais irrelevantes conversas.

E de surpresa em surpresa, aqui na minha praia de agora, uma vizinha me joga um código tão meu conhecido ao me dizer que em breve, após estar instalada em sua casa, colocará uma toalha azul na varanda, avisando que ela já está a minha espera, para uma conversa, um chimarrão. Só poderia acontecer comigo esta alegria de reviver, mais uma vez, um código infantil.

Presto muita atenção no detalhe.

São códigos imperdíveis!


domingo, 24 de janeiro de 2010

Natureza




Ele sempre surge dentre o verde. Parece que nasceu por ali, que forjou sua vida entre o sol, a chuva, flores e folhas, tendo-as em sua composição. O ambiente natural lhe cai muito bem porque é desta simplicidade da natureza que sua alma foi feita.

Passo acelerado, cabeça baixa, pensamentos cerrados no que está por vir em seguida. Sempre tem vento a balançar seus cabelos brancos e a brisa forte também o faz franzir o nariz, característica tão peculiar desde sempre em sua feição. Os olhos vão ao longe e voltam ao chão, na espreita ansiosa.

Na boca, um esgar nervoso. E na mente uma interlocução adoidada de si para si, falta-lhe o ar e sufoca-lhe a garganta.

Na fantasia, a emoção de mais um encontro em que muitas e tantas palavras serão ditas e tantos pensamentos saltearão. Ele sabe, porém, que após dizê-las nem em mil anos serão todas faladas. E compreendidas.

No atropelo, tenta pensar direito no que lhe vai no coração volteando argumentos e revelações que transbordam atrapalhadas, desconexas, e em meio a tanto esforço recomeça a pensação. É preciso chegar logo. O resgate desta loucura está próximo e a redenção virá.

As passadas são curtas e rápidas com olhar focado no caminho.

Levanta os olhos ao chegar.

E então, a mente relaxa, o sangue começa a fluir normalmente, o coração se acalma, as mãos param de tremer.

Sorrindo, ele a abraça.


sábado, 9 de janeiro de 2010

Arrivals



É sempre a mesma coisa ao chegar. O ar, denso, pesado de sal e maresia parecem querer te avisar que é chegada a hora do tempo bom. É o momento para dar asas à imaginação, deixar rolar a vida e docemente esquecer tudo.

Tudo mesmo. O bom e o ruim, porque com a mente vazia, enxergamos o que está na nossa frente. As cores diferentes da paisagem, o desconhecido a desfilar insistentemente te provocando como a te avisar que agora vai. Vai andar o tempo certo das coisas. A cadência e o calor são teus sócios na empreitada.

Assim é a chegada diante do mar. Inquieto na espera de lamber todos os pés e molhar todos os corpos. Ardentes ou não. Cansados ou cheios de energia.

A combinação do ar e do clima são drogas pra lá de sedutoras para deixar qualquer um feliz no encontro de si e da natureza. E por dentro de nós não encontramos nada, somente o vazio da chegada e a espera de surpresas.

Afinal, recomeçar exige preparação e abandono do antigo.

As coisas podem acontecer a partir de um dia de sol, ou de chuva, pois todo dia de folga é dia de celebrar.

Talvez alguma conversa sem a menor importância e sentido bafeje teu silêncio voluntário, contaminando as idéias que estão sensatamente a descansar.

As palavras adormecem no regaço do cérebro porque o paraíso solicita

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Socorro sem palavras




Reunir-se em muitos, às vezes, é surreal porque a situação pode trazer em seu bojo armadilhas da linguagem e da atitude que parecem impossíveis de acontecer. Mas acontecem. Bagagens reunidas no absurdo geram interlocução nem sempre claras.

Tudo pode acontecer no paralelo da comunicação de quem não tem coragem de enfrentar a realidade e vai se esquivando dos adventos e arrancadas das nossas relações fraternas e de amor.

A palavra em alta voz fere como dardos se assim o quisermos. E calam tão fundo que jamais vamos esquecer da “imagem” falada. Da palavra dita por acaso com toda intenção de ofender, com todo cuidado de bafejar a falta de educação espalhando a maledicência.

A palavra, sublime, tem dois lados. Famigerado o que as utiliza para o sinistro.

A palavra escrita fere a fogo quem dela não souber se servir. No conjunto então...Ai meu Deus. Nos diálogos a compreensão não é prova concreta de entendimento comum. Cada um entende os fonemas de uma forma e a expectativa da grafia é maravilhosa por tantos estilos e formas de expressão existentes. Despejar a ira ou o amor em frases alonga teu prazer ou tua fúria. Relatar a realidade – sonho e fantasia - é uma arapuca que quase todos nos metemos. Praticamente todos os dias.

A palavra não vista quase sempre abriga a mágoa, e, o destino da mesma, é ferir o outro. Parecer supérflua e vacilante, levemente indiferente, a atitude se consolida através da rejeição programada milimetricamente. Tão definitivas e inaudíveis que põe em choque a quem se referem. Quase sempre conquistam seu objetivo que é demonstrar desprezo.

Mas, preste atenção: ninguém destrói quem tem sensibilidade para perceber, esquecer e perdoar. De repente, fico pensando que em tantas palavras, fiquei eu com saudade do tempo que não vivi: “o sinal de fumaça” dos índios...Chamativo, silencioso, atencioso, objetivo e muito esclarecedor. Socorro sem palavras.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Espelho





Todo mês vou lá. E me olho no espelho.

E assim se vão anos em que os rumos da minha vida refletida é partilhada, encaminhada e monitorada em lupa.

Poderia ser qualquer reflexo, num e noutro lugar, ou também eu comigo mesma, batendo cabeça.

Estes encontros com meu espectro em perspectiva, em que não há limite na confissão do dia, na abertura do sofrimento e da alegria, vão rasgando meus propósitos, aventando possibilidades e sacaneando meus medos.

Dar-se a ver em ângulos tão alternados como o que nos oferece a vida, exige talento quase sobre-humano no entendimento das redes neurais e neuróticas de cada um.

Limar com freqüência nossas ferragens corroídas é obra de sacrifício, e não é para qualquer um.

A vida muda quando estamos de frente aos nossos parafusos a mais, ou a menos, ou até um pouco frouxos.

A coragem de organizar a parafernália da mente, é nossa.

A tarefa, é do espelho
.


domingo, 29 de novembro de 2009

Mulheres "on"






Mulheres “on” acordam com uma carga pesada por cima que inclui o próprio cônjuge e agregados.

Também aos domingos.

Tudo pode ser: filho, cachorros, empregada e todas as tarefas domingueiras, mesmo com o maior sol, e claro, muitos compromissos.

Nada supera uma mulher “on” em um domingo de manhã, acordando com um filho na cama desde há muito, um cachorro lambendo sua cara, e o marido, pedindo que faça o café da manhã.

Que romance!

A faina inicia pela louça do dia anterior a lavar, a sujeira do animal a limpar e, quiçá, ainda sair para a cadela fazer seu exercício.

Também se faz necessária a caminhada matinal resfolegante, porque tem que se manter a saúde e a forma, e, no arresto, vem o decujo esposo arrastando correntes.

Na seqüência, banho das crianças, e disparar ordens de comando para todo o exército familiar. Que coisa. Que mulher!

E segue o baile do domingão, porque é necessário, absolutamente, almoçar na casa dos pais carregando toda a família, inclusive a cadela.

Ou com amigos.

Ou na Igreja.

Ou no condomínio.

Ou na própria churrasqueira. Uma tarefa para homens. Maridos.

Indômita, ela não esmorece na corrida do domingo perfeito. Afinal, é responsável pelo bem estar familiar, pela união, pela grata performance domingueira.

Demos viva às mulheres "on"!

Mulheres “off”






Um mulher “off” acorda pela manhã sorrindo.

Principalmente se é domingo.

Se espreguiça como uma gata manhosa, e pensa: o que eu vou fazer hoje?

Devagar, vai atingindo um estágio de consciência muito peculiar às mulheres sem compromisso. Isto é, um estado letárgico.

Todos os movimentos após o acordar são fluídos e prazerosos.

Não tem nada muito importante, afinal, é domingo, e domingo de sol.

A mulher “off” começa seu dia de domingo após a cama, perambulando mansamente pela casa, apreciando seu cantinho, bem maneiro e arrumado com o que lhe é do gosto e conveniência.

E organizado.

Com café passado na hora sendo sorvido na xícara de porcelana e pernas para cima, a mente em sonhos é obrigatória.

Mas, sem compromisso.

Uma mulher “off” faz seu exercício por prazer, encontra seus amigos por opção, e trabalha no domingo porque será mais fácil enfrentar a segunda-feira.

A caminhada é leve, a escrita flui e os demônios desaparecem.

Por ora.

Afinal, é domingo e não há com o quê se preocupar.

Ah, esqueci de dizer que a mulher "off' sorve aos golinhos uma champagne geladíssima...mais ou menos em qualquer hora do dia..ora, isso importa?


sábado, 28 de novembro de 2009

Infancia



A vida de hoje é marcada pela nossa onipotência. Nunca em tempo algum me defrontei comigo mesma em tal fissura de decidir.De esbravejar contra o destino e forçar o caminho. Os consultores de RH não me deixarão mentir porque são os especialistas em pontuar tudo o que o desgraçado do profissional tem que fazer para chegar no topo, na excelência, no ISO, no funcionário padrão. E subir, subir, subir....até cair.

Na vida. É a tal de regra para todo lado.

E a liberdade, arrotada com estrondo aos quatro ventos, nos faz sentir onipotentes e donos da nossa vida e caminhos e, em todos os conselhos recebidos, o pecado mortal é deixar a vida acontecer. Não se deixe manipular pela vida. Você tem que dominá-la. Enxergue-se! Aí, surtei. E lembrei, carinhosamente.

Dos meus sete anos, e minha ida à escola ( naquele tempo se ia à escola SOMENTE , aos sete anos. Até então, brincava-se de bonecas e vadiava-se o dia inteiro.) Era inverno rigoroso, minha mãe me acordava invariavelmente de manhã bem cedo, adentrando meu quarto e abrindo as janelas com estrondo, dizendo: “tá na hora, o dia está lindo temos que aproveitar”. Engraçado, não importava o clima, o discurso era sempre igual. Talvez achasse que fosse me animar. Mas não tinha jeito. Eu sentava na cama, atordoada e muda.

Então, minha mãe vinha e me erguia me fazendo estar em pé. Levanta um braço e depois o outro e uma perna e depois a outra me livrando do delicioso pijama de pelúcia, quentinho e de tão velho, meio furado. E o processo continuava até eu estar vestida com o uniforme austero do colégio de freiras.

Eu não dizia palavra. Deliciada, me deixava comandar. Após vestida, a ida ao banheiro, a babá se encarregava da higiene, de prender meus cabelos rebeldes uma vida toda, num lindo rabo de cavalo. E a me chamar de “andeja” porque eu fazia cara feia ao vê-la me desembaraçar os fios sem piedade e com pressa. Ainda calada, apenas me deixava levar, saboreando cada momento sem decisão própria. Fico nostálgica em pensar naquele tempo em que amorosamente era preparada para viver o dia. Nossa onipotência no comando da vida, não nos deixa viver.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vou... não vou...Vou!



Se tem uma coisa que a vida moderna nos trouxe é a invasão. Temos os grandes olhos do mundo focados em nós, e, nem que não queiramos, assim é.


Um presente grego da tecnologia que facilita a vida enquanto derruba qualquer tentativa de vivermos ocultos e em paz.

Tantas formas de conexão e tão pouco aproveitáveis por não engrandecer nossas relações porque na verdade nos afasta da palavra, do olhar e do toque.

Um abraço e um beijo são digitáveis e para muitos tem o mesmo valor. Eles vêm enfeitados e coloridos querendo parecer tão deliciosos como se o fossem na realidade.

Carinhos de lábios cheios e abraços de brinquedo surgem a partir de hábeis tecnologias gráficas preenchendo corações solitários. Parece que apenas da máquina surgirão os presentes emotivos que de longe lideram as relações interpessoais de hoje.

Não esquecendo que todas as redes podem ser usadas para chegar até você, mesmo que você não queira. A abordagem aparece através do espaço infinito da tecnologia.

Somos um buraco imenso cavado na internet e por ali embarca o tudo do mundo. Estamos impotentes e entregues e o descarte também pode vir sem aviso prévio, sem bilhete azul.

Hackers da vida de todos


O Apagar - Contos do Coração

  “Eu apaguei pouca coisa de mim porque sempre imagino que servirão para reescrever outro capítulo da história, corrigir o que me parecer se...