quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vou... não vou...Vou!



Se tem uma coisa que a vida moderna nos trouxe é a invasão. Temos os grandes olhos do mundo focados em nós, e, nem que não queiramos, assim é.


Um presente grego da tecnologia que facilita a vida enquanto derruba qualquer tentativa de vivermos ocultos e em paz.

Tantas formas de conexão e tão pouco aproveitáveis por não engrandecer nossas relações porque na verdade nos afasta da palavra, do olhar e do toque.

Um abraço e um beijo são digitáveis e para muitos tem o mesmo valor. Eles vêm enfeitados e coloridos querendo parecer tão deliciosos como se o fossem na realidade.

Carinhos de lábios cheios e abraços de brinquedo surgem a partir de hábeis tecnologias gráficas preenchendo corações solitários. Parece que apenas da máquina surgirão os presentes emotivos que de longe lideram as relações interpessoais de hoje.

Não esquecendo que todas as redes podem ser usadas para chegar até você, mesmo que você não queira. A abordagem aparece através do espaço infinito da tecnologia.

Somos um buraco imenso cavado na internet e por ali embarca o tudo do mundo. Estamos impotentes e entregues e o descarte também pode vir sem aviso prévio, sem bilhete azul.

Hackers da vida de todos


sábado, 7 de novembro de 2009

Xícara de porcelana




Para a casa de praia trouxe todas as porcelanas e cristais que não utilizo na cidade. Ao contrário de tudo que na praia utilizam. Gosto, às vezes, de andar na contramão. Acho engraçado.

Para mim, o mais simples é o que eu já possuo.

Um luxo.

Um café fresquinho numa xícara de porcelana não tem preço. Antiguidades trazem almas transpiradas em família e delicadeza. Uma suavidade no toque que trazem as melhores lembranças à tona. Bom gosto ao acordar.

Adorável.

O café desperta a vida bem calma, delicioso toque quente, de paladar que te faz feliz e viva. E pronta.

Uma xícara de porcelana tem o poder de elevar teus pensamentos, firmar leves gestos e suscitar para sempre coisas boas.

A você, ela se oferece, simplesmente.


Dormir cansado





Hoje em dia a gente passa o dia “mega-cansado” como diz uma amiga querida, e na hora de dormir, estamos alertas.

Porque a batalha no dia vai de ponta a ponta em sentidos divergentes muitas vezes e aja equilibrista para suportar.

Porque será então que dormir cansado virou um objeto do desejo? Pois veja bem que faz parte da lista de coisas deleitáveis do escritor Paulo Mendes Campos.

Eu vou ter de concordar com ele, porque já levanto querendo “me cansar”. E na manhã laceio braços e pernas à exaustão e chego em casa com o corpo moído, mas a mente alerta. Uma coisa de louco, penso, eu me domino na porrada.

Porrada de susto físico para incrementar a cabeça que ora foge daqui pra lá e haja paciência para jogar o laço e trazê-la de volta.

Quem ama dormir cansado – raridade hoje em dia – sabe do que estou falando.

Com as tantas alternativas da vida, a mente, coitada, super ativada a responder “just in time” à tudo que nos é proposto, fica pensando que estará a nos trair se desanimar. E então, vitaminada pelo desafio fica em cima do lance. Nos deixando doidos. À noite, é claro.

E depois, tem as multi-tarefas que estão listadas no cérebro e que não podemos esquecer. Então, como parar, se o trote tem que seguir em passo? Não tem como.

E chega a hora da cama.

Para os amantes, mais uma tarefa de homens e mulheres com dever a cumprir.

Para desnamoradas, a redenção, uma vez que menos esforço.

Amo dormir cansada


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Voltar para casa




Depois de uma viagem real para algum lugar, ou, mesmo uma saída espetacular da realidade, vulgo “viajar na maionese”, voltar para casa é a redenção.

A casa, que ficou vazia de você, aguarda calmamente o momento em que retornas, para lhe devolver a vida. E você entra nela carregada de uma bagagem extra. Trazida de caminhos desconhecidos até então.

E haja lugar pra encaixar tanta lembrança. Não queremos que nada fique de fora.

Então, vamos fazendo as escolhas.

Os prazeres da mesa irão para o freezer, lugar perfeito para acondicionar em potes imaginários, os especiais aromas e paladares. Pois, de vez em quando, ao abrir o acondicionado eles voarão em nossa memória.

Os vinhos fantásticos sorvidos na melhor companhia de si, da paisagem ou de alguém próximo e de outros, nem tanto, são descritos na caderneta de anotações do médico para relatar na próxima consulta. Precisamos que ele nos diga: no fígado, a senhora não tem nada.

As compras feitas por impulso vão pra caixa fechada, tudo bobagem.

As aquisições elaboradas, como o porta-retrato furtacor, o lenço de seda macio e colorido, a xícara de porcelana, a pashminna, o perfume, terão lugares de honra no closet. Serão as quinquilharias da hora e estarão sempre à mão para serem usadas, trazendo as boas lembranças do encontro em que uma se mostrava à outra, se oferecendo.

As fotos serão reveladas na maneira mais antiga para que, fisicamente, se espalhem pela casa, dando um ar de vida em dia. Vida atualizada. Vida bem bacana.

Os diálogos, as palavras soltas, se transformarão em escritos e quem sabe cada uma, separadamente, com seu significado renda uma crônica, um conto, um poema ou um texto qualquer. Mesmas palavras e vários vieses.

As pessoas – personas conhecidas – neste último caminhar ficarão presas na caixa eletrônica de Outlook com seus e-mails redigidos carinhosamente. E talvez, com o passar do tempo, esquecidos. O telefone fornecido é o celular, esta máquina da surpresa, que te tira de qualquer lugar, em qualquer momento, sem a menor cerimônia. Com certeza ficará relegado ao esquecimento, pois lhe faltará intimidade para acioná-lo, se sentir saudade.

perfume e os ares de onde andaste a esmo vêm impregnados na tua roupa. Porém, partirão impiedosamente ao serem lavados com os perfumes usuais da casa. Sendo assim, está reposta tua rotina de cheiros. Eles ficarão, apenas, na ponta do teu nariz. Fechando os olhos, o recebes de volta.

Os amores conquistados nesta viagem estão no fundo do coração.

casa te aguarda, bem arrumada e limpa para o repouso de todas as emoções.

O coração se deixa ficar, quieto.


De malas prontas







Descobri que estou sempre de malas prontas, não importando a viagem.

Ao meu alcance, a bolsa do dia a dia que carrega em si as esperanças de negócios, de um almoço, uma conversa.

Talvez compras ensandecidas e para isso todo aparato de crédito para deixar tonta qualquer atendente de loja.

Não esquecendo pequenos imprevistos que transformam minha bagagem diária numa malinha bem maneira, podendo eu ficar fora de casa, por um dia, quiça dois, sem aviso prévio. Tão completa de objetos quanto de intenções. Bom saber que se pode sumir. Um dia, uma tarde.


No quarto, de cantinho no plantão, uma bolsa, sempre que dá, jogo um objeto, uma roupa, um chinelinho, um batom, um creme, um livro, um cd. Quem sabe posso fugir pra praia qualquer hora. A hora nunca chega. Mas a fantasia da traquinagem está sempre presente e vou juntando a tralha. Um dia dá.

A mochila é outro item que está na altura dos olhos e no alcance da mão. A dita cuja abriga a completa tecnologia que me leva pra longe me deixando próxima de tudo. No controle. Indispensável para estadias mais longas ela se configura alegremente na minha super companheira de ir e vir. Não fico longe dela porque ela é minha esperança e minha liberdade.

A mala de rodinha, esta, está mais escondida. É para vôos maiores e atualmente, não está sendo usada, mas está muito bem reservada com belos planos para quando eu for a Paris, Nova York ou São Paulo mesmo. Ainda não comecei a colocar dentro dela os objetos. Mas o imaginário pulsa quente e acelera o pensar. Questão de tempo. Pouco tempo. Maravilhoso pensar no ir e vir.


I miss you





Eu sinto falta de tanta coisa. Todas elas são coisas pequenas. São as que mais me falta fazem.
Uma carta, um bilhetinho, um telefonema, já bastam para colocar a vida num compasso bem bacana. Sendo bem cafona, vou dizer que sinto falta da fala ao telefone. Da linha fixa, estou me referindo. Esta tecnologia esquecida.

Sinto falta do “trimmmm...trimmmm....trimmm” e da desvairada corrida da cozinha pra sala para atender o amor que te chama e já tava na hora, ou do amigo para te contar o mais recente babado, ou pra te perguntar como vais ou para nada, enfim. Ou o filho, quiçá, que com sorte lembrou de você nas distâncias calorentas do nordeste. O telefone faz parte das minhas mais remotas alegrias. Continuo amando seu toque, como um fetiche da boa notícia. Nem sempre advirão.

Ao telefone acontece esta coisa antiga, que se chama - conversa - que nos faz sentar bem confortavelmente , colocar as pernas para cima e vicejar um bate-papo de fazer inveja às comadres dos tempos idos. Cada vez mais rara a prática. Nesta conversa, os olhos podem migrar nas paisagens através das janelas de casa ou do escritório. As risadas te fazem jogar cabeça e cabelos para trás numa entrega inusitada e feliz com frouxos de riso que me dão muita nostalgia. No diálogo, sempre surgem novas teorias e até soluções para os mais variados problemas. Na sucessão sem pressa dos acordos, se pode falar o que quiser e a mente vai abrindo as gavetas e soltando palavras presas, sufocadas, que agora alegres, enriquecem a linguagem, capricham nos sinônimos e na criatividade. Expressar-se verbalmente é também uma forma de colocar os demônios variáveis para fora.

Muita descontração e risada acontecem nos telefonemas de horas e o assunto vai de um lado para outro, veloz. Normalmente a conversa termina sem se saber direito com qual tema iniciou. No fim, uma sensação gostosa de passar um tempo na paz e com quem você gosta de verdade.

Mas, agora, tudo é diferente, ninguém mais tem – ou quer ter - tempo pra perder de pernas para o ar, no sofá, na busca do aconchego da voz, da emoção e da falta que todos sentem uns dos outros.Mais fácil se esconder atrás das tecnologias infames que pedem rapidez, concisão e pressa. Pressa de terminar. Portanto, de outrora abertos na arte da locução, voltamos os olhos e a mente para baixo, para a dinâmica dos dedos voando nos teclados diversos.O olhar, focado na máquina, a confabulação se demonstra solitária e monótona, sem a alegre intervenção do outro. Conversa de doido, em que apenas um fala e o outro nem em sombras te imagina. Incrível, nunca falamos tanto e dissemos tão pouco....


sábado, 24 de outubro de 2009

Porque hoje é sábado




Parece que a natureza previu meu estado de alma neste sábado, e, enfurecida e solidária, fechou os céus de negras nuvens e derramou, por mim, todas as lágrimas.

Meus olhos, secos e atônitos, assistem a tormenta tão gentilmente tomada de mim, pelo clima.

Esvazio meu estar através da natureza que nos últimos sábados foi tão generosa com sol morno, nuvens brancas e céu azul anil dirigindo meu caminho. Seja ele para que lado vá. Se para o fim, se para o começo.

Se para o fim me dirigi, deve estar lá a minha sina. Mas, tenho pra mim que o fim é sempre um começo.

E inicio, novamente, um caminhar. Mais um, apenas.

sábado, 17 de outubro de 2009

Levantei o nariz




Levantei o nariz e fui espiar a rua. É sábado. O mundo ainda está aí, pensei. Difícil acreditar que tudo anda mesmo que você pare. As cores estão mais desmaiadas ou são meus olhos desviados do momento que olham e não vêem?

Nos últimos tempos tenho apenas olhado com o coração, portanto, o colorido é mais intenso e as imagens são exacerbadas. As decisões também, todas no pulso da paixão. Descomedida correria de ponta a ponta, um pouco sem saber pra onde ir, mas tendo a certeza do objetivo.

Interessante a experiência de sair fora de si e enfrentar a perspectiva de uma oportunidade diferente. Estas provas nunca são coerentes mas te dão a dimensão da tua capacidade de resistência frente a vida. Mudar o rumo e seguir por um colorido caminho ditado pelo coração não parece provável aos olhos de ninguém. E, realmente, não o é.

Eu tenho a convicção de que temos em nossas mãos os melhores rumos e escolhas para seguir. Como num roteiro turístico em que cuidadosamente vamos traçando, em mapa, as trilhas e locais mais lindos para percorrer.

Quando se toma o rumo do coração é assim que acontece. A melhor passagem será a que vamos percorrer sem sobressaltos, apenas acompanhados da certeza do que está por vir. E a alegria nos faz paciente companhia.

Teremos todos os sábados enfeitados de sol e temperatura amena com paisagens de céu azul e montanhas a nos acompanhar. A rotina da folga vem entremeada de deliciosas esperas e sustos incontidos. Saborear os minutos, um a um, faz parte de se ter a vida e o destino nas mãos.

E então, o coração se recusa a seguir delirando. Não se sabe direito porque motivo, mas, resolve que não é assim que se vive. E passa o poder à visão dos olhos, que, estes sim, enxergam com os pés no chão.
Neste momento, desistimos do coração. Mas não da vida.


sábado, 3 de outubro de 2009

Café Atlântida


Não há ventos calorentos no voal de seda que descortina o entorno do Café Atlântida, nem a diáfana de pessoas, iniciando o dia de trabalho, sabedoras do alegre estar que irá se desenvolver por ali.

O lugar, criado com cuidadoso requinte praiano está em sofrimento pela ausência da massa carinhosa que dá vida ao ambiente. Uma vida para poucos. Uma existência que morre no inverno para renascer no verão.

As madeiras que fazem parte da construção rangem lamentosas ao sabor do vento agora constante, de primavera. Já sentem o tempo sobre si e se indagam se está longe o momento de serem acarinhadas por olhos e harmoniosos corpos de verão.

A vegetação já dá sinais, brotando suas sementes com a certeza de dar vida ao lugar ao florescerem. Vitaminadas, enfrentam as chuvas e a atmosfera enlouquecida da mudança de estação para se tornar uma flor, um arbusto ou uma copa de árvore que amavelmente fornecerá sombra aos freqüentadores.

As mesas e cadeiras espanam sua poeira e se organizam ficando todas na maior compostura. Igualmente todos os móveis entram no clima.

O microfone, propagador dos tons musicais que alimentam as festas do Café Atlântida, se empina soberbo na espera do Claus&Vanessa e de tantos outros que espalham seus trinados por ali.

A calçada entremeada de inços aguarda as passadas ligeiras de jovens e nem tanto, solapando seus espaços e arrasando com a erva daninha, dando sobrevida ao passeio.

Esperamos todos, com o coração na mão, pela estação em que tudo é esquecido. O verão sempre é tempo de renovar, de se alegrar, de olhar para o horizonte e vislumbrar o novo.
Inspirar ventos quentes expirando o frio da alma.


domingo, 27 de setembro de 2009

Proposta




Adoro propostas. Ainda bem, porque vivemos delas e elas decidem nosso destino. Gosto até das indecorosas, porque me fazem rir. Seja qual fôr o perfil dela.

A proposta comercial vem nos apresentar como profissionais competentes e fazedores de tudo o que está sendo relatado. Um acordo comercial antecede um trabalho que será um sucesso em suas tratativas. O cumprimento das regras estabelecidas para ambos resulta em soluções eficazes e todos ganham. Ganha ganha, uma bela proposta.

Uma proposta de amizade. Muito se fala em amizade e ter amigos já virou uma obrigação. Ai do coitado que não tem amigos. Ele será um pária. A dita cuja amizade é condição si ne qua non para uma vida saudável. Inicia devagar e termina de repente. Ao conhecer uma pessoa, vais tomando pé e descobrindo assuntos em comum acontecendo uma empatia. Dia após dia, pelas circunstâncias da vida os encontros serão mais freqüentes e a amizade vai se instalando. Quando a vida muda, mudam também os personagens que até então te acompanhavam. É assim, é pra frente que se anda.

Proposta de vida. A proposta de vida é uma sinuca. De bico. Amarramos nossos objetivos dando no leme a direção e vamos corrigindo a rota. Até que um furacão nos deite de borco, um raio nos parta ao meio e o vento nos varra da nave. Proposta de vida é isso. Preste atenção! É turbulento e mutante.

Proposta de amor. A mais linda porque é o amor a mola mestra de nossa vida. Somos movidos a afeto e por isso, em muitas circunstâncias, é tão difícil ser frio. Você pode receber uma oferta de amor e entendê-la de forma diferente do que foi sugerida. Cada pessoa lê sua amorosidade de maneira diversa. É encantador e sofrido também. Porisso, tantos desencontros de amor. Escolhas amorosas são armadilhas que poderão vir bem a calhar ou poderão vir a ser o teu inferno. Vai te pegar?  Não, não vai


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Poupando vida




Volta e meia nos defrontamos com situações que te tiram do bate estaca rotineiro e como a vida anda pra frente apesar de a gente ter, às vezes, a impressão que ela anda de lado ou pra trás, tudo nos acontece.

Do melhor e do pior.

Todo mundo, a todo momento, tem que tomar decisões e entre esse ou aquele e lá vamos nós tropeçando na nossa vida e na dos outros. Os caminhos são escolhidos depressa porque a fila anda, a moda passa, e a dúvida não se solidariza com ninguém.

Porém, quem poupa vida anda com tanta cautela que só pode tropeçar e cair. Só pode dar errado. Pensar mil vezes antes, revisar outras tantas o objetivo.

Ficar por aqui ou não
Encarar ou fugir.
Viajar nos sentimentos ou partir pro mundo.
Guardar para o futuro ou gastar.
Correr atrás ou deixar pra lá.

Enquanto fazemos conta de cabeça do que está por vir se lançarmos nossas flechas, a vida segue lépida e faceira.

Sem você. É claro. Resolveu que ia poupar vida. Pra quê? Pra aproveitar depois? Depois quando? Quando os amores foram embora, cansados da espera. Os filhos se enjoaram da demora. Os amigos..que amigos? Eu jurava que estavam aqui ontem.

Para curtir bem a performance lutadora de nossos dias aproveite tudo o que te acontece.

Se for ruim, faça ser bom e se for bom, aproveite!


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Hordas humanas



A análise dos caminhantes dentro de um shopping Center passa por várias fases e dependendo do seu humor, vais reparar neles ou não.

Cada monumento ao consumo tem seu próprio público, e suas fases estão refletidas em cada canto luminoso.

Acredito muito que o shopping atrai todo tipo de pessoa, desde aqueles que necessitam de algo quanto aqueles que ali vão se perder na multidão, se tornar incógnitos misturando-se na massa, como uma necessidade imperativa do seu estado de espírito.

Talvez esse comum mortal deixe sua solidão caseira para trás com a expectativa de encontrar o mundo ali, na construção caprichada e luxuosa, muitas vezes.

Ver refletida sua imagem em vitrines deslumbrantes podendo se jogar dentro do cenário, fazendo parte dele e não mais se sentir um excluído. Abandonar por horas sua vida sem graça e deixar-se levar pelo sonho e pelo capricho da edificação. Tão longe da sua realidade.

Um shopping Center é um lugar perfeito para ocultar uma verdade. Tão fácil na sociedade de hoje se igualar a todos e adotar atitudes e falas contundentes para poder parecer, sem ser.

As hordas humanas que vagueiam pelas ruas aí estão para desafiar os crédulos e ingênuos que se descuidam de um olhar mais aprofundado.

As máscaras são muitas

O Avesso de Vanisa

  O dia amanheceu quente, com um sol quase a pino já na madrugada, acordando tudo o que a natureza deu vida. O morno do dia deixou os aldeõe...