“....Eu cheguei sem alarde, sem
fantasia, sem segredos e em silêncio, porque, para o lugar para o qual me
dirigi, é necessário se despir.
A chegada é sempre barulhenta,
mesmo que, na gare, o público na espera não lhe pertença.
Quando eu cheguei, eu estava só,
marcando a presença no final da espera que arrasta os dias.
Chega de sorrir sem ter a graça
para acompanhar a luz, o peito aberto e a alvorada da alma.
Eu cheguei a pensar em voltar, mas
não em desistir.
Eu cheguei a pensar que seria
diferente, mas as coisas de antes e depois me ludibriaram.
Chego sempre adiantada porque,
talvez, eu imagine que alguém se importe.
Eu cheguei a pensar: o porquê da
insistência do olhar se não há o que ver, por que o ruído da chave se ninguém
vai chegar e por que o latejar insistente se não há perspectiva.
Chegaram ao mesmo tempo todas
aquelas palavras que eu precisava ouvir.
Mas, o sentido delas, com o tempo, se evaporou.

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