terça-feira, 21 de julho de 2026

O Chegar - Contos do Coração

 


“....Eu cheguei sem alarde, sem fantasia, sem segredos e em silêncio, porque, para o lugar para o qual me dirigi, é necessário se despir.

A chegada é sempre barulhenta, mesmo que, na gare, o público na espera não lhe pertença.

Quando eu cheguei, eu estava só, marcando a presença no final da espera que arrasta os dias.

Chega de sorrir sem ter a graça para acompanhar a luz, o peito aberto e a alvorada da alma.

Eu cheguei a pensar em voltar, mas não em desistir.

Eu cheguei a pensar que seria diferente, mas as coisas de antes e depois me ludibriaram.

Chego sempre adiantada porque, talvez, eu imagine que alguém se importe.

Eu cheguei a pensar: o porquê da insistência do olhar se não há o que ver, por que o ruído da chave se ninguém vai chegar e por que o latejar insistente se não há perspectiva.

Chegaram ao mesmo tempo todas aquelas palavras que eu precisava ouvir.  Mas, o sentido delas, com o tempo, se evaporou.

 

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O Chegar - Contos do Coração

  “....Eu cheguei sem alarde, sem fantasia, sem segredos e em silêncio, porque, para o lugar para o qual me dirigi, é necessário se despir. ...