quarta-feira, 20 de maio de 2026

A Primeira Pincelada é do Café

 


O frio chegou para engrandecer todo o entorno, colorindo de maneira sutil todas as coisas: a natureza, o ambiente, o ar, o mar, o vento, a alma. Parece que o clima instalou um cavalete bem no meio da vida, com pincéis e paleta de cores que irão inundar folhas em branco, em perfeita sintonia. Já posso imaginar por onde o tempo irá começar sua arte.

Na primeira página, acontece a pincelada certeira que se inicia, engraçadamente, pelo vapor emanado de uma xícara de café, rodeada por instrumentos de primeira hora, que eu iria enxergar de olhos vendados. O ritual é sempre o mesmo, porque a noite gélida vem dizer que o passo da escrita apenas começou a caminhar na memória, dando a entender que o tudo de ontem foi zerado e, nesta aurora, a maratona pede: livro para caçar palavras, caneca fumegante, blusa quente, caneta, dedos ágeis e anotações.

Já nas primeiras horas deste dia apresentava-se o esboço desenhado pela friaca, que se instalara corajosamente, na existência de todos. Com a maciez do branco tingido de azul celeste, o traço envereda pela fluidez de mãos em prece, de silêncio reverberando entre vozes que sussurram a reza forte da manhã. Sempre é mais um dia.

Chegou a vez tão aguardada em que a bebida quente já havia aquecido a garganta, as mãos chegaram rapidamente ao coração e este dá partida ao escrutínio de ontem, hoje, e quem sabe, uma fábula de futuro. Ao se deparar com esta folha de papel, um pouco maior que as outras, os pincéis correram para limpar suas cerdas, reforçaram o estoque dos matizes mais delicados, capricharam no contorno, selando a ilustração do dia feito de escrita. Assim o cartaz final foi artisticamente manobrado em letra cursiva, exaltando sentimentos de amor e compaixão, reverenciando a estação que humaniza o espírito.

 

 

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