sexta-feira, 22 de maio de 2026

O Coração: Quem Vê de Fora

 


Da mesma maneira que saio por aí sugando o que o mundo anda querendo me dizer e não se manifesta, hoje me obriguei a fazer o percurso contrário, porque surgiu dentro de mim a incerteza sobre o que vou encontrar. Existe a convicção de descobrir o ponto de partida no meu coração, e por este motivo nobre, vou engatilhar a marcha na busca da resposta que mora lá fora.

O coração é a primeira parada porque eu creio que ele, em seu bate-bum, é o maestro da orquestra buliçosa que nos obriga a colocar os pés no chão e caminhar, mesmo que eles se encontrem levemente travados, enregelados, preguiçosos ou teimosos. A ordem, neste caso, sempre parte de uma engrenagem que não funciona sozinha.

Tenho o hábito de me expressar em voz alta com o espelho, as paredes e a natureza recebendo respostas à altura das minhas indagações. Mesmo que sejam ferramentas inanimadas, acredito bem humoradamente, que assim como o espelho, todas refletem as respostas sem ocultar ou distorcer o assunto. Entendo que é apenas uma conversa para dentro de mim, mas é certo que no retorno da dúvida existe a colaboração do sentimento profundo da minha alma. Apenas um dado divino da vida.

Este mergulho na minha alma aflita me fez enxergar com olhos de lince que na troca da verborragia cotidiana, existe o filtro de quem vê de fora: ao se encontrar com o palavreado, aciona um gatilho interno que resulta na inversão do significado. Encontrei aqueles que escutam, mas não ouvem.

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