Da mesma maneira que saio por
aí sugando o que o mundo anda querendo me dizer e não se manifesta, hoje me
obriguei a fazer o percurso contrário, porque surgiu dentro de mim a incerteza
sobre o que vou encontrar. Existe a convicção de descobrir o ponto de partida
no meu coração, e por este motivo nobre, vou engatilhar a marcha na busca da
resposta que mora lá fora.
O coração é a primeira parada
porque eu creio que ele, em seu bate-bum, é o maestro da orquestra buliçosa que
nos obriga a colocar os pés no chão e caminhar, mesmo que eles se encontrem
levemente travados, enregelados, preguiçosos ou teimosos. A ordem, neste caso,
sempre parte de uma engrenagem que não funciona sozinha.
Tenho o hábito de me expressar
em voz alta com o espelho, as paredes e a natureza recebendo respostas à altura
das minhas indagações. Mesmo que sejam ferramentas inanimadas, acredito bem
humoradamente, que assim como o espelho, todas refletem as respostas sem
ocultar ou distorcer o assunto. Entendo que é apenas uma conversa para dentro de
mim, mas é certo que no retorno da dúvida existe a colaboração do sentimento
profundo da minha alma. Apenas um dado divino da vida.
Este mergulho na minha alma
aflita me fez enxergar com olhos de lince que na troca da verborragia
cotidiana, existe o filtro de quem vê de fora: ao se encontrar com o palavreado,
aciona um gatilho interno que resulta na inversão do significado. Encontrei
aqueles que escutam, mas não ouvem.

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