sábado, 7 de novembro de 2026

O Redemoinho do Alfabeto - Invencionices

 


Levantei o nariz e corri cegamente para a beira do mar porque algo me dizia que eu deveria, hoje sem falta, buscar junto ao meu vizinho o preenchimento de todas as palavras que andam me faltando na cachola. Aparentemente, ao levantar-me da cama jorraram para fora todas as minhas lembranças boas, meus amigos – poucos -, todos os textos em que professei alegria mesmo fingindo, todas as vezes em que me manifestei com otimismo, todas as vezes em que tentei acreditar e todas as lamentáveis vezes em que jurei ir em frente, mesmo sabendo que não havia aonde ir.

Eu era a força motriz da ciranda das múltiplas letras que se acotovelavam na ponta dos meus dedos buscando um lugar estrito para se colar em qualquer ponta de internet, qualquer farrapo de som aleatório, qualquer canto e que a voz fosse ouvida. Agachava-se sempre o letreiro a qualquer diapasão, bem ou mal administrado.

Parece-me que talvez tenha havido uma revolta do alfabeto que de uma hora para outra recebeu a ordem do redemoinho e tratou de se misturar de tal maneira que os bons entendedores jamais repetirão o que ali está posto. Para este vazio mental não tenho alternativa a não ser colocar em modo secreto a  escrita de palavras que vão carregar a verdade e o sentido da vida. Por enquanto, apenas o sentido que a mim pertence.

 

 

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