Era um desses dias em que a chuva se espalhava, ora calma ora com rajadas que fazia o casebre de Verônica vibrar perigosamente, encontrando a Cyborg de prontidão para qualquer eventualidade: seja de recolher tudo em algum canto, para escapar de águas revoltas, ou retirar o mais importante e se abrigar em algum capão ao redor, que aliás, estavam se proliferando rapidamente em razão do movimento das dunas.
Ao tentar organizar o pequeno
espaço de uma forma mais segura e sem espalhar tantas ferramentas como costuma
fazer, reparou em uma caixa empoeirada, colocada embaixo da sua bancada de
trabalho e ali esquecida, desde o primeiro dia em que foi jogada do camburão.
Lembra de ter arrebanhado os estilhaços de suas ferragens não finalizadas, mas
nunca imaginou que poderia haver algo ali que necessitasse ou que fizesse
falta.
Sentou novamente frente ao
janelão de frente para o mar para ficar de olho no movimento do clima, que
neste dia estava duvidoso em sua segurança. Espalhou todo o conteúdo da caixa
misteriosa separando alguns chips inúteis, algumas presilhas enferrujadas, fios
desencapados e cabos partidos ao meio. Percebendo a inutilidade do lixo
eletrônico em sua frente, foi separando cada um deles e colocando na lixeira ao
seu lado.
Ao final da tarefa feita
rapidamente, rolou entre os seus dedos uma peça pequena que deveria compor a
engrenagem do pescoço causando certo pânico e que a levou a examinar se ali
estava de fato faltando algo. Correu para verificar no Manual de Verônica as
características de montagem da parte superior do corpo, não encontrando nada
que a pudesse prejudicar.
Mais calma examinou a peça com
cuidado quando percebeu que havia um entalhe muito bonito com uma inicial e o
desenho de uma onda do mar. O trabalho havia sido feito com muito capricho
deixando Verônica imaginar que, talvez, este pequeno rotor havia sido colocado em
meio ao seu sistema pelo operário que trabalhou na sua composição.

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