Sempre acontece sem esperar
ocorrendo quando o pensamento some de mim, me deixando livre para vestir alguma
fantasia como aquela de se cobrir com uma grande peça de tule branco e flanar
ficando invisível ao mundo – quem sabe mais ainda – gravitando bem perto do
chão mas, sem sequer tocá-lo.
Não vou chegar perto do mar
porque ele vai me perseguir, levantar suas ondas soberanas rugindo furioso na
madrugada, não permitindo a evasão temporária. Por certo vai sentir falta das
minhas mágoas derrubadas na água salgada com a intenção de disfarçar o choro,
meus pés descalços rumando para o norte, sem saber se vou voltar, mergulhando
em suas ondas quando elas ainda estão geladas, somente para rirmos juntos.
Considero este abandono de mim
uma necessidade. Estou quase no topo da montanha de anos acumulados. Quem sabe,
ao passar despercebida eu consiga achatar a soma implacável. Neste passeio
pelos ares não pretendo acompanhar o que ocorre no chão de barro: talvez
estejam gravitando em outro patamar,
Esta viagem curta, mas de
grande invencionice vai trazer algumas surpresas, como: encontrar alguns parecidos. Outros
surgirão da imaginação, o sorriso amigável que chega antes, a companhia que não
toca a campainha e o abraço antes do
olhar. Não foi difícil me travestir de incógnita mas percebo que, neste
momento, é impossível retornar.

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