A geografia do espírito tem um
mapa particular, onde os pontos cardeais estão espalhados por onde a imaginação
não chega, os olhos não alcançam, a verdade se esconde, os amores se espalham e
os passos jamais alcançarão o destino. A impotência diante do infinito e da
velocidade invalida os desejos de continuidade, desmerecendo o propósito de ir
em frente, seguindo as pegadas que empurram a vida sem dó nem piedade.
O panorama secular está a anos-luz
do que acontece dia a dia com nossa rotina, por vezes mesquinha e sem lucidez,
sem poder enxergar o brilho das estrelas que já não existem mais no céu do dia,
mas que cintilam na mente, iluminando ideias perdidas, causas impossíveis,
feridas incuráveis, amores suspensos, amizades etéreas, falas sem sentido.
A geografia da alma mapeia a
vida com cuidado, não revelando o alcance do sofrimento e da cura, deixando que,
por algum acaso de quadrante se percam entre as trilhas bordadas na montanha
dos dias. A distância tem largos horizontes, queimando no peito, deixando no ar
a possibilidade de olharmos alguém reconhecê-lo e de sentir o que não
conseguimos dizer. São espaços alados que o caminhar jamais alcançará.

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