sexta-feira, 17 de março de 2023

As Praieiras

 


O cenário se prepara para elas e deste modo bem lúdico a natureza finaliza o ambiente cenográfico ajeitando as luzes do céu em tons mais brandos combinando com o sol que se descortina como sempre rutilante porém, amenizado pelo entorno verde e litorâneo, com suas areias já acomodadas e as franjas do mar mais tímidas em seu vai e vem. Tudo pronto. 

Em um primeiro vislumbre se repara no alinhamento do olhar que unido vai permitindo que os atores da rua se desnudem frente a elas e então se inicia o “trottoir” diário dos personagens que quase em câmera lenta vão se alternando em frente ao preguiçoso olhar coletivo instalado já no raiar do dia. 

O falatório maroto parte em missão unindo a fala que se apresenta -  supostamente verdadeira - atingindo aqui e ali as entrelinhas com sagaz observação de deboche, atrevimento e volúpia sempre inteligentemente finalizado com uma risada escancarada como que zombando de si mesmo nesta trincheira da vida. 

Seus corpos lado a lado acomodados evidenciam com singeleza sua consistência adquirida através dos anos com a sobriedade que lhe foi permitida redesenhar suas marcas com perfeição calculada porque afinal, a caminhada se deu através de tempestade e calmaria se alternando no açoite do tempo permitindo que agora surja a escultura perfeita do corpo. Este cenário simples vem suntuosamente embalado pelo dom que a natureza humana possui de impregnar a uma cronologia implacável um espírito divino.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Chuva em transe

 

Eu tenho certeza que ela está por aqui em algum lugar sabido, mas ignorado, quem sabe à espreita atrás daquele poste, ou, se virar a esquina ela será descoberta, quem sabe ainda atrás de alguma nuvem se disfarçando no ir e vir do vento aguardando a chegada do melhor momento para se derramar sem dó nem piedade por sobre esta terra ressequida e ávida do seu complemento essencial para vida. 

Empedernida e voluntariosa, fica espiando o vai e vem do clima que cheio de humores ora emburra e empaca no grau máximo solar ou resolve cair em queda livre deixando seres vivos e outros nem tanto, perdidos, olhando para cima a espera de um desenlace, afinal o olho do furacão está sempre na berlinda. 

De certo modo o preparo é intenso uma vez que se ausentou por um período voluntariamente e agora deseja retornar ao ponto correto de sua glória corrigindo o clima encardido e ressequido. Deverá surgir em parceria com o céu que a auxiliará na performance do derrame, junto aos sons estrondosos das nuvens no bailado da tempestade. Fico olhando para todos os lados, aponto o nariz para cima e para abaixo e busco os sinais característicos da tempestade sem encontra-los. 

Mesmo que ela não ressurja nestes dias com a força desejada gosto de imaginar a apoteose de sua entrada nesta estação seca e posso sentir em minhas narinas o vento gelado que a envolve em seus braços como se fosse um choro repentino se derramando por sobre a natureza que, emocionada, responde com verdejante entusiasmo. A saudade de se derramar regularmente cessará assim que a garoa se fizer presente como se fosse um choro convulsivo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

O Circo do Calor

  

A evasão se aproxima a passos céleres, marcha essa despercebida pela maioria do populacho circundante das areias, sejam eles animais, plantas ou humanos. Tudo se enquadra no apocalipse do calendário que avança fantasiado de festa popular justamente para deixar em completa alheação o povaréu que se bandeia para estes pagos quentes de verão solapando todos os protocolos. 

Não há mãos a medir na arrecadação de todo o tipo de aventura que traga um gole inebriante para acessar qualquer coisa que mude o vento e traga a descompostura para o centro do picadeiro, picadeiro este que resta como um chão batido açoitado dia e noite. Nos intervalos, palhaços são convidados para ajeitar a bagunça e assim vai sendo dia pós dia deste tempo que parece ser o juízo final do verão. 

Na esteira da probabilidade tudo acontece ao mesmo tempo e a algaravia dos pássaros ganha coadjuvante sonoro que os emudece tal a falta de sintonia do que atravessa os ares. E lá se vão em fila indiana as trombetas que são a marca registrada do tempo de calor para estes lados ofertando o que se quer ou nem tanto, seguida pela boutique ambulante colorida da moda abrasadora. 

De olho no calendário os festejos se aceleram e não há tempo a perder, tudo deverá ser vivido em poucos dias, a cantoria deverá arrebentar gargantas, o ar se enfunará de pingos etílicos e a rua se encherá de movimento inundada pelo Bloco Invasor de todos os anos. 

Em paralelo, as porteiras da cidade, os cadeados dos condomínios e as aldravas das residências se abrem de par em par aguardando com ânsia a retirada dos artistas do Circo do Calor. Tudo pronto, que aconteça a evasão!

domingo, 29 de janeiro de 2023

Duas Amélias

Que os ventos são quentes por estes lados do mundo marítimo já se sabe  parecendo uma eternidade o império do calor nestas paragens em que o canto  airado dos pássaros ecoa desde a madrugada fazendo um conjunto de som com todo tipo de buzina folclórica do passa passa de rua no verão praiano. 

Fui surpreendida por um aparente perfume no ar que não era feito de flores, nem provinha da maresia deliciosa das franjas volúveis das ondas do mar, mas sim, de certa brisa de bom tom que perpassa invisível pelos corredores e, ouso dizer sem errar, que provêm da singeleza e inquietude das duas Amélias que se avizinham a mim. 

De um lado e de outro letras parecidas soam pelos caminhos diferentes, mas comuns, sugerindo sempre o mesmo tom com bordas de sorrisos e bom humor, mesclando o breve ar fresco com o calor senegalês da rotina marítima, provavelmente uma decorrência da breve conversa que paira entre muros, algumas ligeiras e vibrantes para começar o dia, outras, de confiança no que for necessário pensar. 

Fácil enxergar o mundo intuitivo que precede os passos das duas Amélias que iguais, são diferentes, parecendo haver uma linha invisível na característica da personalidade de cada uma, que decidiram escolher para si a que mais combina e deste modo as duas Amélias avizinhadas singram as areias da praia, as ruas da cidade e as águas do mar com a segurança emocional da independência de apenas ser.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Feliz Natal

 

 Não encontrei, por mais que procurasse a caixa de enfeites de Natal apesar de meu espaço ser pequeno, porém, por isso mesmo, com tão pouco lugar para guardar pode ter se escondido em alguma fresta inatingível considerando um olhar rápido e rasteiro. Existe também bem no fundo do meu coração a suspeita de que deve haver uma brincadeira de esconde-esconde entre minha intenção real de encontrar a caixa e uma suspeita de que ando preferindo uma caixa de ilusão, de alegorias, de inventividade da situação, de um apagar das luzes para enxergar melhor. 

Acredito que seria de bom tom para meu próprio esclarecimento que eu fizesse uma investigação primorosa do assunto, colocando na mesa as possibilidades para este desaparecimento súbito em um lugar onde tudo está colocado à vista. Pelo menos é o que me parece. 

Voltei atrás na intenção de furungar caixas, gavetas e armários e dei tratos à bola aos sentimentos avassaladores que me rodeiam sem trégua quando me deparo com enigmas aparentemente inocentes. 

Segui a trilha que apontava que a dita cuja merecedora da minha atenção tinha se transformado, sem aviso prévio e muito menos sinal de fumaça em algo impossível de se projetar fisicamente em qualquer canto da casa. Ao ponderar esta hipótese senti no fundo do meu coração que seria este caminho que os enfeites de Natal tomaram. Resolveram por si mesmos tomar um chá de sumiço e migrar para o imaginário contando que eu lhes daria todo o apoio o que de fato aconteceu. 

Foi só notificar meu aparato metafórico que imediatamente encontrei a árvore de Natal resplandecente em sua luz atemporal, brilhando em cada ponta de espinho, reunindo em si as emoções que remontam a data, unindo com alegria todas as famílias e os povos demonstrando a força da Fé que jamais se esconde.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Deserto

Passou por mim como um raio, um vislumbre, um meteoro, mas por certo que entendi rapidamente que era apenas um lugar de passagem, mesmo que visto pelo buraco da fechadura e aparentemente sem sentido neste ermo do pensamento. Arrisquei-me a lançar um olhar corajoso que abrisse o leque do que parecia ser uma jornada sem companhia por um caminho inóspito tal qual um vazio mental. 

A impermanência do tempo responde com maus modos ao ser desafiado a ter compostura na contagem dos segundos que se faz necessária para investigar as cápsulas do tempo que estão distribuídas na trilha formada por tuneis de tesouros muito bem guardados. A reflexão imperativa deixa de lado qualquer dúvida ao que vai surgir depois de tomar conhecimento da passagem que não se constitui morada. 

Abertas as comportas do infinito que se descortina em frente seguir com pés alados pairando na infinitude da metáfora eleva o pensamento sem sentido no propósito de tornar a solitária jornada repleta de descobertas escondidas, talvez propositalmente, apenas aguardando ser desvendada com a intenção de se tornarem realidade brilhante, com os pés no chão e pensamento em alfa. Tudo pode acontecer neste deserto da alma que mesmo sendo de passagem abriga os sentimentos dentro de uma tapera momentânea e de merecimento. 

Sem perder mais tempo neste ambiente gelado a escalada de sentido é premente e os degraus que vão surgindo pouco a pouco dando o norte para que agora tudo o mais se esclareça sem deixar nenhuma dúvida, nenhum ponto de interrogação, apenas a paz do espirito afoito que insiste em andar pelo deserto da temporada em curso.

domingo, 20 de novembro de 2022

Banco imaginário

Apartei-me do tempo em curso e sentei à espera do nirvana prometido pelo mar, este parceiro de todas as horas, barulhento e revoltoso que me mira de longe, que acusa, que ri de mim quando me falta coragem para ir ao seu encontro e muitas vezes por birra não vou por estar cansada deste apelo contumaz que não me dá descanso. 

Neste dia dei-lhe as costas, emburrada e, sofregamente, decidi que ali me congelaria no tempo, aguardando alguma fada madrinha que por ventura por ali circulasse para me tirar do ocaso que espreitava nos cantos do rochedo, na espuma do mar, na areia ainda fria da primavera, se disfarçando para me chamar a atenção em algum intervalo de hora, como um palhaço de circo. 

Decidi que não lhe faria caso e segui emperrada de corpo inteiro no canto daquele banco imaginário, branco como se retrata a paz, mesmo sem me dar conta que a postura denotava esperança pelo singular estado meditativo, talvez com pensamentos fúteis como a chegada do verão com toda a sua traquitana humana e acessória que sempre lhe acompanha. Este pensamento me azedou ainda mais o momento apartado das horas que eu desfrutava com doce sabor de vingança imaginativa. 

Parei de ter pensamentos fúteis porque a minha caixa de memória já está pela tampa e não merece que lhe seja depositada à força mais lixo perambulante. Pois veja só, eu ali estava em estado paralitico justamente para dar vazão ao que adentrou porta adentro sem permissão. Devo ter deixado alguma fresta da minha alma destravada e quando dei por mim lá estava ela recheada de entulho não autorizado. 

Na teimosia, continuei sentada ali sem me mexer, secretamente arrependida de ter me revoltado tanto com quem nada tinha a ver com isso e comecei a implorar que o mar com suas brancas espumas da paz levassem para longe os detritos que invadiram meu espirito desavisado.

 

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Sentei e esperei

 

Bem ao contrário do que imaginei ao me dirigir ao templo de areia sol e mar que me afronta com luminosidade todos os dias e mesmo havendo ameaça de quenturas do norte, os moradores da beira do mar estão quietos, escondidos até, eu diria, espreitando para ouvir e ver melhor se realmente os ventos amainaram, se as ondas deram uma recuada, se os predadores praianos estão ausentes, esta uma ameaça permanente quando se trata da chegada de alegres tempos quentes e ruidosos. 

No caminho vazio de tudo menos da natureza soberana não encontrei nenhum rastro importante que me fizesse enxergar que a vida marítima esteja se movimentando normalmente. Comecei a desconfiar de mim mesma uma vez que os pensamentos estavam voláteis e aéreos ficando mais difícil a cada passo prender no momento presente alguma ideia concreta. Melhor não me assustar diante da imensidão do mar e confiar em seus segredos. 

Chega então de esforço, vou acatar este espírito do tempo calado que se nega a dar uma pista de como será a próxima estação neste fim de mundo paradisíaco e assim determinada fui buscar dentro de mim alguma lembrança de passado recente a respeito do movimento diário das franjas do mar sempre tão bem frequentado pela bicharada. Foi com surpresa que nada encontrei, nenhuma gaveta da minha memória estava aberta, nenhuma linha escrita restava aparente. Girei os calcanhares e voltei a casa e me surpreendi ao perceber que todas as janelas e portas se encontravam fechadas, cortinas corridas e uma penumbra intimidante. Assustada desconfiei que pudesse ser apenas um desvio senil de imaginação. Sentei e esperei.

domingo, 16 de outubro de 2022

Um passeio diferente

Invernei com toda a pompa e circunstância que o clima praiano dos pampas me oferece e a ele me entreguei de corpo e alma sem delongas, sem perguntar, sem pedir licença, sem questionar se estava correto me entregar a este lado da vida em que tudo morre aparentemente. Apenas aparentemente. Desta decisão ao fato foi um pulo e deste jeito airoso me joguei para debaixo das mantas quentinhas, dos cachecóis, dos gorros, das pantufas, dos caldos quentes, do pão, do vinho, da massa, da pizza, do engorda voluntário. 

Imediatamente imaginei que a minha alma também teria um destino semelhante e quedaria quieta por um tempo, calada para perguntas, muda para respostas quaisquer além dos ouvidos moucos ao que se passa inefável por aí, com certo desdouro mais perto e inaudível a ouvidos senis mais longe. 

Cuidei para lacrar na minha mente toda e qualquer fresta que tivesse autonomia de entrar sem que eu permitisse e assim me fui de vento em pompa com o meu pensamento livre subindo e descendo novas escarpas, desbravando assuntos novos, lendo letras desconhecidas e encontrando almas gêmeas que considerei um presente desta hora em que invernei o meu espirito. 

Foi através deste caminho palmilhado pela busca do desconhecido que encontrei livros novos para ler e, mais do que isso, tirei a poeira da estante que carrego por toda minha vida como se fossem preciosidades e na verdade são. Não ouso tirá-los da minha vista, mesmo que os relegue muitas vezes ao ostracismo e eles já beirem o tom sépia pintado pelo tempo assim como eu. 

Depois de haver percorrido este caminho do tempo para frente e para trás encontrei muitos trechos dos meus livros grifados com firmeza me surpreendendo que estes destaques de 40 anos atrás continuem fazendo parte de mim, agora com trechos lavado em lágrimas.

terça-feira, 12 de julho de 2022

Voltas e mais voltas

Por mais voltas que eu dê, por mais nós que eu tente desatar, por mais sonhadora que eu queira ser, por mais paisagens que eu queira variar acabo me voltando inexoravelmente para as inconstantes águas do oceano que me circundam, além da moradia, meus olhos e meu coração, principalmente. É nestas águas voluntariosas que busco múltiplos reflexos todo dia me distraindo com sua brejeirice em dias calmos, traquinice em dia de alegre ventania, furioso em maré alta e romântico em dia de lua cheia no verão. 

Mesmo que eu caminhe para seu lado oposto ele me acompanha com seu rugir inconfundível que entra dia sai dia arrefece ou se torna grandioso, acredito que dependendo de sua conversa com a população marítima e seus transeuntes pescadores e pesqueiros que singram suas áreas todo dia, não sem antes fazer uma oração fervorosa ao seu santo protetor, São Pedro. 

Eu poderia dizer que ele me persegue buscando me dobrar à sua vontade do dia que pode variar de acordo com seu humor ao nascer do sol neste horizonte maravilhoso que se descortina e se abre a luz do sol com avidez de clarear tudo o que envolve este pedaço de chão movimentando com maestria os ditames que a natureza perfeita impõe. 

De certo comigo assim acontece e com um capricho minucioso o mar vai se apoderando da minha rotina e encampando a cobiça do dia emergente em mim e com suavidade lúdica e airosa infla minhas narinas com o aroma marítimo tão peculiar que se diversifica entre a flora e a fauna praieira numa dança de cheiros inebriantes. A partir deste efeito diário segue o tempo pautado pelas ondas do mar.

sábado, 2 de julho de 2022

O velho invisível

Olhei para aquela janela antiga e não pude me furtar de imaginar quem poderia estar por detrás desta abertura machucada pelo tempo e que transparecia um cansaço de existir, uma desistência de manter a estrutura outrora viçosa com o mínimo de vigor aparente. 

Certamente por detrás da abertura abandonada existe alguém que em algum tempo atrás ali se debruçara para acenar aos seus vizinhos, contemplar os jardins, respirar um ar puro e na sequencia voltar aos seus afazeres com a felicidade recolhida. Talvez o morador seja todo ouvidos para os sons de antigamente, uma gritaria lúdica da criançada da casa, um bater de panelas em um fogão a lenha fumegante, uma afanosa atividade de dias bem antigos. 

Frente a este devaneio imaginei que a aparência de descaso guardasse um segredo de morador ecoando por ali um grito de socorro de dentro para fora, um alerta para o mundo que por detrás desta janela já não existe esperança nem alegria e a única forma de chamar a atenção do entorno é demonstrar a decrepitude do lugar. 

Imagino que a voz para o lado de dentro esteja tão fraca dos solavancos da vida que permanece inaudível até para si mesmo. Ao invés de um grito de socorro apenas sussurros, promovendo um vácuo no ambiente que se torna impossível de preencher por absoluta falta de força, física – em primeiro lugar – e mental por consequência. As horas se arrastam no tic-tac do relógio antigo contribuindo para se idealizar uma rotina de esperança no alerta mudo da janela que fala sem palavras.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Relevância

Está tudo ali, mesmo que eu não possa – ou não queira - enxergar, estão  dispostos na minha frente de forma bem calculada, com uma aparência desordenada parecendo forçar uma impressão, talvez imaginando que eu consiga de alguma maneira esquecer-me da ordem das coisas, que eu possa também desconsiderar que elas continuam ali, na espreita, me olhando sem compaixão divertindo-se do meu alheamento congelado no tempo e espaço. 

Elas todas se penduram querendo chamar a atenção distribuídas de forma  bizarra misturando os assuntos com o pano de fundo exagerado na figuração  se coloca sem alternar relevância com a intenção de me confundir. Meu coração anda economizando pulsação talvez por estar cansado, relapso no bate bum de todo dia que se repete meramente por ainda lhe restar um sopro. Apenas um. 

A demonstração desta imagem tem muito a me dizer sem que seja necessário palavras bonitas, vãs e figuradas se adonando do assunto mesmo que eu as repila com veemência porque por ora, o que me vem à frente seja de agora ou de ontem não tem mais importância. Na verdade nem o que virá depois me compete pensar, imaginar ou agir. Vou ficar aqui parada até que esta imagem se dissolva na minha frente por falta absoluta de interpretação por um descaso contumaz que me acomete volta e meia.

O Apagar - Contos do Coração

  “Eu apaguei pouca coisa de mim porque sempre imagino que servirão para reescrever outro capítulo da história, corrigir o que me parecer se...