terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Silenciar - Contos do Coração

 


...“O silenciar chegou a mim muito pequena, e me apeguei tanto a ele que agora faz parte de toda caminhada - mesmo que seja barulhenta - fazendo meus ouvidos moucos sempre que possível.

Meu corpo infantil silenciava com veemência ao sumir na grande poltrona da sala exclusiva para visitantes, para a qual frequentemente fugia.

O silêncio me acompanhava sempre que podia, inclusive, durante a travessia para a escola, sobre o manto da minha capa de chuva de feltro preto com botões dourados.

Não importa o barulho que o tempo faz ao avançar, o silenciar está sempre a postos no equilíbrio do insano movimento.

O silêncio que habita em mim resiste a todo movimento que busca romper o ar que respiro.

Quando a memória falha, o silêncio vem em socorro para restaurar o que aparentemente foi apagado por falta de melhor assunto ou por não ter o que dizer.

Meu espirito tem muitos amigos fieis, mas nenhum como o silêncio protetor - do ruim que vou ter de ouvir, e do bom a que vou aderir.

Aprendi a escutar o silêncio rude em alta voz assim como as juras de amor que não chegaram a ser proferidas.

Meu refúgio é o silêncio, sendo ele o cofre do que se passa na minha alma.”

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