domingo, 27 de setembro de 2026

O Mar Encontra Vanisa



O dia estava terminando e os pescadores recolhiam os barcos e as redes rumando morro acima em direção à aldeia. Nesse momento, Vanisa chegou frente ao mar porque a brisa havia cessado e apenas o farol espalhava, de minuto a minuto, um raio de luz revelando nesses breves instantes, a nitidez que as espumas tardias traziam para a areia.

Vanisa havia percebido que pedaços de madeira naval estavam chegando bem perto dos degraus da casa, o que a deixou surpresa e cautelosa ao observar que os objetos estavam sendo depositados aos seus pés. Alguns deles possuíam uma pequena janela de vidro onde se podiam ler algumas palavras que a deixaram emocionada.

Encadeadas as peças devem ter se soltado de algum navio antigo e foram reconhecidos como os enfeites de parede que adornaram o camarote - em que a então princesa – fora colocada. Ao rever as palavras, ela teve uma visão de outro tempo, mas que não era do passado e sim, do futuro.

Vanisa sentiu um calor vindo do peito que ocasionou um surpreendente sorriso em seu rosto, fato raro nos últimos tempos, quando a apreensão e a dúvida a acompanhavam em todo passo que dava. Sentou-se confortavelmente nas areias brancas e geladas da beira do mar, reunindo os pedaços de madeira, alternando a posição, ensaiando uma interpretação.

Seus olhos brilharam ao perceber que uma mudança no fundo do seu íntimo estava acontecendo, deixando-a de certo modo confiante nos sentimentos que ora em diante iriam aflorar. A maré lhe trouxe a boa noticia de que estava autorizada a refletir para o mundo o que havia dentro da alma. Alma inquieta e espírito livre. 

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