O sol não somente se levantou
hoje em frente ao me quadrante que, predestinado pelo senhor do clima, resolveu
andar com pés de fogo em todo lugar. Não abriu sua janela mansamente como é de costume, mas escancarou sua luz de forma
intempestiva. Sem sequer olhar para os lados estancou em minha frente
vociferando junto aos meus ouvidos abalados pela vida e pelo tempo, rasgando o
céu com letras incandescentes para me avisar que hoje não terei chance de
elucubrar segredos soturnos atuais, de ontem e de amanhã como tanto me comprazo
em elucidar. O Astro Rei fincou pé avisando que a partir de agora até o fim do dia
somente letras cursivas e malemolentes haverão de surgir.
Assustada resolvi conferir a
veracidade desta ação tão inusitada pois percebi o esfogueamento do mar que em
sua linha do horizonte passava de uma linha reta para um traço trêmulo de massa
liquida. A paisagem se prostrava em prece para que não houvesse um
enfraquecimento das forças do renascer diário, variando o horário aqui e ali,
talvez para dar uma dinamicidade no caminho da existência de cada um.
Ao sentir a ameaça de um
derretimento das minhas ideias, histórias e fabulas que deitei ao longo do
tempo no acervo variado de escrita, corri para o lugar em que estão empilhadas
com uma determinada organização que, a bem da verdade, as vezes se invertem,
tomam-se de vida própria só para me provocar o sentimento de esquecer e, assim
me fazer virar tudo do avesso. Elas estavam no lugar, porém seu conteúdo estava
misturado com letras muito enevoadas e sem sentido, semelhantes a um mar
preguiçoso quando se esparrama e derrete na areia fofa levando para si esta
conversa mole.

Nenhum comentário:
Postar um comentário