Depois do ontem assentei meu
corpo no lugar de costume com o pensamento aéreo, como eu gosto de ser - mesmo
que dedos apontem para mim como qualquer coisa ou coisa nenhuma. Não me importo
com tantas palavras nulas ao meu redor porque já faz algum tempo que decidi que
teria ouvidos moucos para muitos, para poucos e para muito poucos. Relevar o insignificante facilita para
encontrar algumas verdadeiras razões que favoreçam e provoquem o modo pensar.
São tantos os motivos que
decidem a quem vais dirigir um pensamento para registro que, em meio a este
caos interessante de todos os dias, vou recolhendo algumas pérolas que
necessitam ser retiradas do colar uma vez que, visivelmente avariadas, a elas
apenas resta parar em algum outro colar que não o meu.
E foi deste modo interessante
que iniciei meu dia retirando do meu pescoço um colar de pérolas que sempre uso,
deixando-os entre os dedos. Ali está guardada a melhor ocasião, a palavra da
hora certa, o sentimento adequado e o lugar que me importo. Mas me importo de
verdade. Reparei que havia um movimento sem brilho que a mim chegava e, foi sem
nenhuma malicia que me dei conta que deixei entrar no meu acervo de coisas e
loisas determinadas pérolas que não possuíam a qualidade das que eu colecionava
por puro instinto.
Me deu a impressão que eu
havia me distraído ao olhar para o outro
lado quando estas pérolas deformadas se enroscaram no fio tão sub-repticiamente
como acontece quando nos perpassa uma mentira, um agouro cinzento, uma palavra
malsã acompanhada de um sorriso aguado. Decidi correr até a beira do mar e
deitei na sua espuma um punhado de pérolas intrusas.

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