Dia diferente este em que toda
a natureza acorda em forma de um lindo coração. O Amor, sentimento que
escorrega por todas as frestas sem qualquer impedimento, porque ele vive por si
só, independentemente de ter acolhida. Nasceu soberano, e neste alvorecer,
resolveu vir aqui na costa espernear para ser visto, lapidado e espalhado. O
dia acabou de virar uma festa porque por onde se olhava, múltiplos enigmas do
amor se escondiam na expectativa de serem encontrados. Quem sabe os corações
atentos terão a oportunidade de juntar-se a este anseio sem reservas, que
raramente está disponível.
O primeiro a apresentar-se
como candidato à Afeição foi o Oceano, que caprichou no esforço de mostrar-se
apto a receber este afeto. Ele tinha o desejo de conquistar, com seu encanto,
quem por ventura recebesse de si o bálsamo de águas tépidas - um elo que se
derrama no suave banho de espuma das ondas pequenas, temperadas com algas
verdes e sal marinho.
O Sol assistiu à performance
romântica do amigo, animando-se a criar um cenário conquistador. Sua primeira
atitude foi arrefecer o modo de existir, abrandar a luz esfuziante do amanhecer
e, o mais importante: esfriar o calor que é de sua propriedade espalhar. Após tomar
estas providências, o astro demonstrou a Devoção que nasce sem promessa.
O vento chegou atrasado no
ensaio de homenagens ao Dia da Ternura e teve que amarrar o seu ímpeto nos
coqueiros da beira da praia, que balançaram
suas folhas. A brisa marítima iniciou sua artimanha para conquistar a
chama sonhadora instalando em si o sopro da vida, o beijo sutil e a valsa com
as ondas. Depois de ter acalmado seus quadrantes, postou-se ao lado do Oceano e
do Sol sob o Firmamento Divino.

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