sexta-feira, 12 de junho de 2026

Quando a Natureza Namora

 


Dia diferente este em que toda a natureza acorda em forma de um lindo coração. O Amor, sentimento que escorrega por todas as frestas sem qualquer impedimento, porque ele vive por si só, independentemente de ter acolhida. Nasceu soberano, e neste alvorecer, resolveu vir aqui na costa espernear para ser visto, lapidado e espalhado. O dia acabou de virar uma festa porque por onde se olhava, múltiplos enigmas do amor se escondiam na expectativa de serem encontrados. Quem sabe os corações atentos terão a oportunidade de juntar-se a este anseio sem reservas, que raramente está disponível.

O primeiro a apresentar-se como candidato à Afeição foi o Oceano, que caprichou no esforço de mostrar-se apto a receber este afeto. Ele tinha o desejo de conquistar, com seu encanto, quem por ventura recebesse de si o bálsamo de águas tépidas - um elo que se derrama no suave banho de espuma das ondas pequenas, temperadas com algas verdes e sal marinho.

O Sol assistiu à performance romântica do amigo, animando-se a criar um cenário conquistador. Sua primeira atitude foi arrefecer o modo de existir, abrandar a luz esfuziante do amanhecer e, o mais importante: esfriar o calor que é de sua propriedade espalhar. Após tomar estas providências, o astro demonstrou a Devoção que nasce sem promessa.

O vento chegou atrasado no ensaio de homenagens ao Dia da Ternura e teve que amarrar o seu ímpeto nos coqueiros da beira da praia, que balançaram  suas folhas. A brisa marítima iniciou sua artimanha para conquistar a chama sonhadora instalando em si o sopro da vida, o beijo sutil e a valsa com as ondas. Depois de ter acalmado seus quadrantes, postou-se ao lado do Oceano e do Sol sob o Firmamento Divino.

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