quarta-feira, 15 de julho de 2026

As Linhas Tortas

 


Vou procurar uma linha torta para que eu possa sair do caminho sempre que me aprouver, sempre que eu não souber o que fazer, sempre que for traída, sempre que tomar o caminho certo sem perceber que, sorrateiramente, ele possui desvios. Vou fazer esta procura começando pelos muitos lápis apontados em ponta fina que existem na minha escrivaninha, todos ali, de prontidão, para o momento em que sobram pensamentos. Quem sabe os deixo, em algum instante, a ponta rompida aguardando o tema que a escrita tortuosa poderá desenvolver. 

Nos dias frios minha alma borbulha na quentura de tantos assuntos que sequer as lufadas do vento gelado do mar arrefecem. Por estarem se soltando de mim, em grande confusão, decido procurar um horizonte que esteja intermitente como a minha inspiração. Assim como ela segue, límpida e cristalina, em direção à grafia certeira, lá no aberto do mar, o fio da navalha do horizonte se estabelece. Vez ou outra a rotina se inverte, o mar se enche de sombras, e a minha inspiração se apaga, como a luz do vagalume.

Pensei melhor e deixei de lado toda a ferramenta que me daria poderes de enfrentar a linha torta. Resolvi colocar os pés no chão enfrentando as trilhas de muitas voltas da minha caminhada. Refiz o mapa da rotina e ao invés de cursar o linear caminho, escolhi aqueles que, em tantas curvas à frente se escondem por detrás de um casario, de uma esquina repentina, de um bloqueio inexplicável. O que encontrei de fato foram as diferenças que o meu espírito procurou uma vez que se faz necessário oxigenar a rota estabelecida como diária.

 

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