Nem sempre eu enxergo
gente em todo lugar, pelo contrário, parece que meu globo ocular se afasta com
certa veemência nos encontros casuais parecendo uma questão atávica e,
portanto, inusitada. Todo dia me acerco da boa vontade e deslizo meus pés por
ora, bem cansados, nas trilhas que desconheço, afinal, a traquinagem de me
perder em alguma picada agreste está sempre ao pé do ouvido - quando não por mera
curiosidade. Quem sabe?"
Este dia nebuloso por
fora me encontra limpo e linear por dentro. Meu espírito engoliu a brisa leve
da noite anterior não percebendo – ou não querendo perceber – qual o diapasão
do ar nesta madrugada. Mais adiante entendi que meus ombros haviam se
arredondado serenamente para receber a blusa de ainda verão que me vestia, se
acomodando com o restante da vestimenta que não ficava longe da minha escolha
mais leve. Não me importo de parecer incauta com os ventos do norte porque o
faço de propósito para que eu possa sentir mais frio do que é permitido.
Meu pensamento
patrulhava o caminho acompanhado por meu sorriso esgarçado de ponta a ponta
onde, não apenas meus lábios se abriam, mas todo o gingado da minha passada o
acompanhava. As palavras se acotovelavam no meu espirito em um desencontro
singelo, ávidas por remeter para o outro lado da divisória da vida, boas
palavras: notícias de calmaria, segredos desvendados, amores reatados, amizades
reconstruídas, saúde restaurada e vizinhança em paz. As frases foram se
formando com independência e naturalidade porque era imperativo que a emoção do
dia fosse compartilhada entre muitos.
Preparei com discreta
alegria o discurso que havia sido engendrado em um período bem curto de bonança
do meu coração e resolvi buscar meus ouvintes que aqui transitam. Talvez perto
da minha casa, perto de mim com minha alma gravitando do lado de cá do muro do
fim do mundo. Recebi em troca profundo silêncio e ausência.

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