Eu tenho uma agenda onde marco
os meus compromissos com a vida real, com meu espirito e muitas vezes abro a
página especial de registro para ter um tempo para ouvir o meu coração, este, o
verdadeiro norte para qualquer compromisso. Pensando nisso me deparei com esta
janela da sala de estudos que possui uma cortina de seda antiga e transparente
que recebe a luz difusa do final de tarde e a leve brisa, uma característica de
mudança de estação. Me aproximei para conferir o que dali se descortinava e
percebi que ali surgia um convite irrecusável da paisagem naquele momento.
No primeiro instante apreciei ponto por ponto este lugar que estava, com muita graça, se oferecendo
a mim, talvez para apenas olhar ou, quem sabe, saltar janela afora e perseguir
as dicas de passeio que ali se descortinava com uma sutileza natural e
importante, parecendo não querer espalhar para o mundo a riqueza de detalhes do
lugar.
Assim, à primeira vista, senti
que o convite continha o desafio de descobrir o que eu poderia experenciar,
saltando para este quadro natural e lúdico com tanta riqueza de detalhes para
percorrer.
Desarmei meu raciocínio lógico
e migrei para o terreno emotivo que mora em mim e me dá força para executar
qualquer tarefa arriscada sem possibilidade de erro e assim pulei o peitoril e
me vi no campo aberto que descortinava o lugar tão pacato que me deu receio de
causar qualquer ruído que atrapalhasse.
Com os pés no chão e a cabeça
nas nuvens calculei que o mais correto seria não pular nenhuma etapa que a
paisagem me oferecia e galguei os primeiros passos pela trilha forjada por
outros personagens entre eles uma provável, carroça, uma parelha de bois, uma
charrete, um trator e tantos outros veículos com origem rural. O desenho do
caminho serpenteava por entre o gramado agreste, seguindo até a margem do rio
adentrando a mata fechada, lugar perfeito para ouvir o que dizia meu coração.

Nenhum comentário:
Postar um comentário