terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Quem convida

 


Eu tenho uma agenda onde marco os meus compromissos com a vida real, com meu espirito e muitas vezes abro a página especial de registro para ter um tempo para ouvir o meu coração, este, o verdadeiro norte para qualquer compromisso. Pensando nisso me deparei com esta janela da sala de estudos que possui uma cortina de seda antiga e transparente que recebe a luz difusa do final de tarde e a leve brisa, uma característica de mudança de estação. Me aproximei para conferir o que dali se descortinava e percebi que ali surgia um convite irrecusável da paisagem naquele momento.

No primeiro instante apreciei ponto por ponto este lugar que estava, com muita graça, se oferecendo a mim, talvez para apenas olhar ou, quem sabe, saltar janela afora e perseguir as dicas de passeio que ali se descortinava com uma sutileza natural e importante, parecendo não querer espalhar para o mundo a riqueza de detalhes do lugar.

Assim, à primeira vista, senti que o convite continha o desafio de descobrir o que eu poderia experenciar, saltando para este quadro natural e lúdico com tanta riqueza de detalhes para percorrer.

Desarmei meu raciocínio lógico e migrei para o terreno emotivo que mora em mim e me dá força para executar qualquer tarefa arriscada sem possibilidade de erro e assim pulei o peitoril e me vi no campo aberto que descortinava o lugar tão pacato que me deu receio de causar qualquer ruído que atrapalhasse.

Com os pés no chão e a cabeça nas nuvens calculei que o mais correto seria não pular nenhuma etapa que a paisagem me oferecia e galguei os primeiros passos pela trilha forjada por outros personagens entre eles uma provável, carroça, uma parelha de bois, uma charrete, um trator e tantos outros veículos com origem rural. O desenho do caminho serpenteava por entre o gramado agreste, seguindo até a margem do rio adentrando a mata fechada, lugar perfeito para ouvir o que dizia meu coração.

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