quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Custo a crer

 


Andava por aí com meus olhos em suave conluio com o campo externo da casa uma vez que os ventos do norte amainaram sua fúria, talvez por cansaço de ter que devastar o que passa pela frente executando as ordens do humor da atmosfera, esta velha sempre cheia de novas ideias e armadilhas para todos. Aproveitei a folga e decidi que talvez fosse este o momento de sentar ao sol e passar os olhos no que se passa na caixa de ressonância que prefiro andar ao largo e que eu evito sempre que posso. Porém, pelo dia calmo que aquietava meu coração, achei que apenas por hoje eu poderia abrir mão desta teimosia de dar as costas para as mil inutilidades que perambulam por aí. Me sentia forte o suficiente para descartar o que viesse me ferir intencionalmente ou não, mesmo em dúvida.

E assim me fui lomba abaixo lomba acima da palavra atravessando o que os caminhos do mundo haviam decidido espalhar, conseguindo com êxito andar pelas beiradas, evitar subidas íngremes, chutar com determinação as pedras pontudas que estavam no meio do caminho, pegar um atalho por um matagal desconhecido, me esconder de conversas, tirar uma soneca na sombra de uma arvore bem antiga e deste modo bem disfarçado fui andando por aí.

Em determinado ponto deste momento em que me estruturei para não pensar muito sobre coisa alguma me deu a impressão de sentir meus olhos afetados por elementos desconhecidos da rotina, dando a clara impressão que eu estava sofrendo um ataque que até então não fazia parte dos meus cadernos de escrita, das letras o qual sou afeiçoada, da feição de fantasmas e personagens inventados que sempre posso utilizar para rabiscar e manchar de colorido meus inventos e, foi assim neste dia de calma no olhar que descobri que pode ocorrer um minuto alheio se tornar o espinho no curso do bem.

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