Andava por aí com meus olhos
em suave conluio com o campo externo da casa uma vez que os ventos do norte
amainaram sua fúria, talvez por cansaço de ter que devastar o que passa pela
frente executando as ordens do humor da atmosfera, esta velha sempre cheia de
novas ideias e armadilhas para todos. Aproveitei a folga e decidi que talvez
fosse este o momento de sentar ao sol e passar os olhos no que se passa na
caixa de ressonância que prefiro andar ao largo e que eu evito sempre que
posso. Porém, pelo dia calmo que aquietava meu coração, achei que apenas por
hoje eu poderia abrir mão desta teimosia de dar as costas para as mil
inutilidades que perambulam por aí. Me sentia forte o suficiente para descartar
o que viesse me ferir intencionalmente ou não, mesmo em dúvida.
E assim me fui lomba abaixo
lomba acima da palavra atravessando o que os caminhos do mundo haviam decidido
espalhar, conseguindo com êxito andar pelas beiradas, evitar subidas íngremes,
chutar com determinação as pedras pontudas que estavam no meio do caminho,
pegar um atalho por um matagal desconhecido, me esconder de conversas, tirar
uma soneca na sombra de uma arvore bem antiga e deste modo bem disfarçado fui
andando por aí.
Em determinado ponto deste
momento em que me estruturei para não pensar muito sobre coisa alguma me deu a
impressão de sentir meus olhos afetados por elementos desconhecidos da rotina,
dando a clara impressão que eu estava sofrendo um ataque que até então não
fazia parte dos meus cadernos de escrita, das letras o qual sou afeiçoada, da
feição de fantasmas e personagens inventados que sempre posso utilizar para
rabiscar e manchar de colorido meus inventos e, foi assim neste dia de calma no
olhar que descobri que pode ocorrer um minuto alheio se tornar o espinho no
curso do bem.

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