sábado, 6 de dezembro de 2025

A friagem

 


Eu estava pensando que o calor estava ali fora, se esbaldando nas ruas, afugentando os velhinhos, colorindo as praias, destacando a alegria da estação como sendo uma válvula de escape para todos os males. O fato é que por aqui passou uma certa friagem, um arrepio na espinha que encolheu meu corpo como se ele quisesse se abrigar de algo que não me faria boa companhia. Era um frio envolvente e que mesmo sem querer me levou a uma xicara de café e uma pilha de velhos livros meus companheiros de vida.

Me acomodei para ter a impressão de que andava tudo certo, que eu apenas estava com saudades do tempo da friaca que, apesar de açoitar meus ossos, me fornecia um preguiçoso conforto no dia a dia já que me segurava para dentro de casa, aquecia meu corpo na lareira e meu coração acabava seguindo o mesmo ritmo.

Com este pensamento na rota da alma passei a mão no primeiro personagem da pilha que eu havia separado para folhear sem compromisso talvez até com um certo enfado porque eu poderia perceber frases contadas e recontadas parecendo um café passado e repassado. Deixei de lado esta faísca de mau humor e segui o rumo do segundo escolhido como tentativa de recordar o que provavelmente já esqueci, talvez ali haverá um lembrete importante de que outrora eu tenha passado batido no meu entendimento por estar olhando para o outro lado sem me importar com o que se passava frente a mim.

E foi neste ponto em que me detive a pensar melhor, alçar o terceiro tomo mais velho e desgastado do que os outros demonstrando claramente que este vento gelado veio despertar meu espirito para os temas importantes e recorrentes ocultos de mim pelo destino e que carece retomar.

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