Eu estava pensando que o calor
estava ali fora, se esbaldando nas ruas, afugentando os velhinhos, colorindo as
praias, destacando a alegria da estação como sendo uma válvula de escape para
todos os males. O fato é que por aqui passou uma certa friagem, um arrepio na
espinha que encolheu meu corpo como se ele quisesse se abrigar de algo que não
me faria boa companhia. Era um frio envolvente e que mesmo sem querer me levou
a uma xicara de café e uma pilha de velhos livros meus companheiros de vida.
Me acomodei para ter a
impressão de que andava tudo certo, que eu apenas estava com saudades do tempo
da friaca que, apesar de açoitar meus ossos, me fornecia um preguiçoso conforto
no dia a dia já que me segurava para dentro de casa, aquecia meu corpo na
lareira e meu coração acabava seguindo o mesmo ritmo.
Com este pensamento na rota da
alma passei a mão no primeiro personagem da pilha que eu havia separado para
folhear sem compromisso talvez até com um certo enfado porque eu poderia
perceber frases contadas e recontadas parecendo um café passado e repassado.
Deixei de lado esta faísca de mau humor e segui o rumo do segundo escolhido
como tentativa de recordar o que provavelmente já esqueci, talvez ali haverá um
lembrete importante de que outrora eu tenha passado batido no meu entendimento
por estar olhando para o outro lado sem me importar com o que se passava frente
a mim.
E foi neste ponto em que me
detive a pensar melhor, alçar o terceiro tomo mais velho e desgastado do que os
outros demonstrando claramente que este vento gelado veio despertar meu
espirito para os temas importantes e recorrentes ocultos de mim pelo destino e
que carece retomar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário