Tudo se acalmara no vilarejo
que, nos últimos tempos, reverberava as novidades, tanto do mar como dos
aldeões que, instintivamente, se agitavam em torno de qualquer fato. Todos
perceberam que havia uma energia diferente no ar e intuíram, que seria oriunda
do rumor marítimo que sonorizava a frágil aldeota. Vanisa, ainda impactada com
a visão de sua versão infantil de forma tão real, não havia assentado seu ânimo
à maneira de vivenciar o dia. Novamente se aprumou coando um café e, mais
esperançosa, correu para o alpendre que, sempre de maneira encantadora, havia
lhe apresentado delicadas surpresas.
Ao colocar seus pés nas
geladas espumas que hoje beijavam os degraus do alpendre, esboçou um sorriso
seco, regressando ao interior do chalé. Distraída, surpreendeu-se ao ouvir bem ao fundo um som o
qual ela não pôde distinguir, pois abafava o rumor candente do oceano, tão
peculiar. Lembrou-se do quanto se sentiu confortável por haver flutuado tão
angelicamente em remotas possibilidades de tempos idos.
Começou a colocar as coisas em
ordem porque o caos, de certa maneira, tinha tomado conta de si, não deixando
que seus pensamentos se entregassem a qualquer movimento considerado rotineiro
de sua simplicidade, ao qual tinha ido ao encontro.
A Princesa do Mar encontrou a
concha rara no parapeito da janela, recebendo os primeiros raios solares que a
transformaram em uma peça extraordinária, de lindeza ímpar, e com uma
transparência de cristal. Acercou-se desta joia vinda do profundo marítimo, com
encantos impossíveis de presumir, tais os segredos hermeticamente ali
destinados. Sentou-se desolada, porque, de certa forma, aquela porção do seu
coração que lhe faz falta, ela não resgataria, permanecendo mergulhada na
incógnita de fatos controversos, sons se cruzando sem nitidez e faíscas de
infantis lembranças.

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