domingo, 12 de julho de 2026

O Mar no Chalé de Vanisa

 


Tudo se acalmara no vilarejo que, nos últimos tempos, reverberava as novidades, tanto do mar como dos aldeões que, instintivamente, se agitavam em torno de qualquer fato. Todos perceberam que havia uma energia diferente no ar e intuíram, que seria oriunda do rumor marítimo que sonorizava a frágil aldeota. Vanisa, ainda impactada com a visão de sua versão infantil de forma tão real, não havia assentado seu ânimo à maneira de vivenciar o dia. Novamente se aprumou coando um café e, mais esperançosa, correu para o alpendre que, sempre de maneira encantadora, havia lhe apresentado delicadas surpresas.

Ao colocar seus pés nas geladas espumas que hoje beijavam os degraus do alpendre, esboçou um sorriso seco, regressando ao interior do chalé. Distraída,  surpreendeu-se ao ouvir bem ao fundo um som o qual ela não pôde distinguir, pois abafava o rumor candente do oceano, tão peculiar. Lembrou-se do quanto se sentiu confortável por haver flutuado tão angelicamente em remotas possibilidades de tempos idos.

Começou a colocar as coisas em ordem porque o caos, de certa maneira, tinha tomado conta de si, não deixando que seus pensamentos se entregassem a qualquer movimento considerado rotineiro de sua simplicidade, ao qual tinha ido ao encontro.

A Princesa do Mar encontrou a concha rara no parapeito da janela, recebendo os primeiros raios solares que a transformaram em uma peça extraordinária, de lindeza ímpar, e com uma transparência de cristal. Acercou-se desta joia vinda do profundo marítimo, com encantos impossíveis de presumir, tais os segredos hermeticamente ali destinados. Sentou-se desolada, porque, de certa forma, aquela porção do seu coração que lhe faz falta, ela não resgataria, permanecendo mergulhada na incógnita de fatos controversos, sons se cruzando sem nitidez e faíscas de infantis lembranças.

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