“Eu sabia que você existia em mim,
mesmo estando escondido no cruzamento do tempo que se esvazia no silêncio.
Eu sabia que a tua sombra pairava
por sobre a minha, mesmo que não houvesse sol para nos projetar um ao lado do
outro, no entardecer praiano.
Eu sabia que falávamos todos os
dias, em um idioma só nosso, desde quando sequer sabíamos balbuciar as
primeiras palavras.
Eu contava teus passos ao lado dos
meus, teu suspiro me tirava o ar, teus olhos se derramavam por nós.
Depois de tantos saberes, percebi
que você existia em mim no avesso do
peito, seguindo o rabisco calmo do meu coração.
Foi assim que nascemos um para o
outro, mesmo que ainda não estejamos aqui.”

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