quarta-feira, 24 de junho de 2026

18 Anos - A Maioridade da Emoção

 


Já faz um tempo que não percorro o fio condutor das minhas palavras que após um determinado momento, resolveram ter uma vida própria. Há 18 anos, após eu descobrir que minha segunda Mãe era o Mar e assim, por este motivo importante, resolvi me mudar de mala e cuia para perto dela. Foi quando o dicionário inteiro se colocou na mala sem a minha autorização: aliás, não havia percebido sua presença no carrego da bagagem.  Ao debulhar meia dúzia de roupas, um chinelo, um tênis, um computador, uma mesa pequena e uma cadeira, que o descobri escondido dentro de uma das minhas botas de chuva. Ao lembrar o fato coloquei um riso cínico nos lábios, porque provavelmente eu havia feito esta travessura escondida de mim.

Nem bem eu me instalara e já aquecia meus dedos no teclado, apontando para as páginas em branco que flutuavam pelos cabos invisíveis do ar criando dentro de uma fresta qualquer, meu Diário Pensante. Aconteceu exatamente o que eu previra: a iniciativa se alojou nas entranhas do meu coração formando o coágulo do meu espirito.

Me vi defronte a uma carreira sem fim de palavras que jamais poderão ser contadas, uma vez que em cada ponto final surgiu uma nova linha, um travessão, novo parágrafo. Agora, olhando por cima das letras percebo que segui – quase sempre – o caminho do dicionário: meu consultor para contexto de fora da minha alma. As histórias contadas chegaram até mim, pelo caminho Divino.

Estou frente a frente a centenas de palavras. Me expresso assim porque nesta maioridade não há que se empenhar em saber quem lê. As páginas em branco continuarão a ser preenchidas pelos meus dedos - não tão ágeis - mas que continuam segurando um lenço de lágrimas, folheando o velho dicionário, e rasgando o verbo nas páginas de papel com meu lápis de ponta fina. O oceano de águas geladas sempre me espera, meu sorriso para o nada todo dia aparece. Não sei quem são, mas agradeço aos olhos desconhecidos que navegam comigo e celebram os 18 anos da maioridade do Blog da Vera Renner. Escrever para Viver, Viver para Escrever!

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom e bem de acordo contigo. Admiro teu modo de se expressar.

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