Na morada que rescindia a
mistério morava Vanisa, jogada por uma grande embarcação em alto-mar sendo
recebida pela população marinha das profundezas e da superfície com encanto e
curiosidade. Havia na sua parição uma admiração muda e, profundo respeito por
sua figura etérea, imaginando que talvez ela não encontraria neste lugar
escondido de muitos, o que procurava. Assim a tratavam com distância, reverência
e surpresa oculta.
Vanisa, a cada dia, fincava
seus pés no chão, tanto na areia molhada como na tentativa de explorar, mais e
mais o entorno do lugar, sem conseguir perceber qual o código de acesso a este
mundo ao qual foi largada: sem rastro, sem motivo, sem adeus.
O dia estava muito claro com
as águas do mar de um azul profundo ondulando serenamente no pequeno porto de
pescadores, estes, que trafegavam com agilidade entre suas ferramentas do dia a
dia para sobreviver, havendo por ali a costura das redes, a separação das
espécies para comercializar e muitos outros detalhes que envolviam homens,
mulheres, idosos e crianças. Todos focados na organização da vida simplória e
produtiva.
Ao passar pela beira do mar Vanisa
percebeu que pequenas conchas se acomodaram em suas mãos como se a tivessem
procurando. No mesmo instante, ela
reconheceu que ali se encontrava um tesouro chamado “Sementes do Tempo”, que
portavam um brilho metálico se bem polidas. Com carinho, depôs o tesouro
encontrado no parapeito da janela, ao sol.
Vanisa decidiu que faria algo
que significasse sua aproximação mais concreta, dando um passo assertivo em
direção à vizinhança que a tinha na mira, parecendo aguardar um sinal. Na
sequência, buscou o lenço rendado que achou na caixa de poesias encontrada no
alpendre dias atrás, recolheu a concha em formato de caracol que refulgia em
múltiplos brilhos se tornando uma joia do oceano denso, pertencente ao povo
local. Calçou sua sandália de pescador trançada por ela, envergou roupa
semelhante à das mulheres da aldeia e, ao alcançar o cume da picada, estendeu
suas mãos e entregou “Sementes do Tempo” que denotavam essência, independência
e propósito.

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