domingo, 26 de abril de 2026

O Tempo e as Sementes de Vanisa

 


Na morada que rescindia a mistério morava Vanisa, jogada por uma grande embarcação em alto-mar sendo recebida pela população marinha das profundezas e da superfície com encanto e curiosidade. Havia na sua parição uma admiração muda e, profundo respeito por sua figura etérea, imaginando que talvez ela não encontraria neste lugar escondido de muitos, o que procurava. Assim a tratavam com distância, reverência e surpresa oculta.

Vanisa, a cada dia, fincava seus pés no chão, tanto na areia molhada como na tentativa de explorar, mais e mais o entorno do lugar, sem conseguir perceber qual o código de acesso a este mundo ao qual foi largada: sem rastro, sem motivo, sem adeus.

O dia estava muito claro com as águas do mar de um azul profundo ondulando serenamente no pequeno porto de pescadores, estes, que trafegavam com agilidade entre suas ferramentas do dia a dia para sobreviver, havendo por ali a costura das redes, a separação das espécies para comercializar e muitos outros detalhes que envolviam homens, mulheres, idosos e crianças. Todos focados na organização da vida simplória e produtiva.

Ao passar pela beira do mar Vanisa percebeu que pequenas conchas se acomodaram em suas mãos como se a tivessem procurando.  No mesmo instante, ela reconheceu que ali se encontrava um tesouro chamado “Sementes do Tempo”, que portavam um brilho metálico se bem polidas. Com carinho, depôs o tesouro encontrado no parapeito da janela, ao sol.

Vanisa decidiu que faria algo que significasse sua aproximação mais concreta, dando um passo assertivo em direção à vizinhança que a tinha na mira, parecendo aguardar um sinal. Na sequência, buscou o lenço rendado que achou na caixa de poesias encontrada no alpendre dias atrás, recolheu a concha em formato de caracol que refulgia em múltiplos brilhos se tornando uma joia do oceano denso, pertencente ao povo local. Calçou sua sandália de pescador trançada por ela, envergou roupa semelhante à das mulheres da aldeia e, ao alcançar o cume da picada, estendeu suas mãos e entregou “Sementes do Tempo” que denotavam essência, independência e propósito.

Nenhum comentário:

O Tempo e as Sementes de Vanisa

  Na morada que rescindia a mistério morava Vanisa, jogada por uma grande embarcação em alto-mar sendo recebida pela população marinha das p...