Cada um tem um modo muito
particular de contar o tempo, porque ele não é tão matemático como se conta ou
se diz por aí. Não; ele se torce e contorce, avança, recua, sofre, se alegra,
estanca ou se move de maneira sub-reptícia, sutil e, muitas vezes, traiçoeira.
Tudo isso acontece na contagem da fase que, para cada um, caminha diferente,
mesmo que todos os relógios do mundo se mostrem em cima da hora.
Posso pensar em uma cronologia
única para o meu relógio de pulso, que vai registrar o tempo de acordo com a
minha angústia, com a celeridade no que preciso que aconteça, na espera de um
encontro ou, ao contrário, na ansiedade para que aquele período se encerre. A
partir do meu olhar aos ponteiros, dependendo da luz do sol, vou enxergar tudo
diferente; talvez, em um instante apenas, meu braço se desdobrará para escapar
das lágrimas.
A brevidade invisível da vida
não tem duração explícita, mostrando-se ausente de expectativas e zerando
qualquer ponteiro que queira se mostrar mais lento ou mais célere. O dia avança
dentro da contagem secreta das almas perambulantes em qualquer lugar. E, assim,
a espera da visita que nunca chega não consegue atingir um resultado temporal.
Também a criança, retida por tempo exato no quentinho da mãe, fica brincando de
demorar para vir ao mundo, demonstrando desde já que os momentos — quaisquer
que sejam — não entram na conta de ninguém.
Também existe aquela época em
que tudo se pode realizar dentro de dez minutos, no máximo vinte, não
importando muito se o assunto é importante, quem é a pessoa que está à sua
frente para uma interlocução, se a duração é suficiente para dar uma olhada na saúde
geral do corpo ou se poderá haver mais do que este tempo para se ajoelhar,
rezar e agradecer. De maneira surpreendente, eles já vêm contados pelo
protocolo de uma vida sem ar, com duração imaginada para acontecer qualquer
coisa. A magia e a brevidade da ida deste plano não acontecem dentro da
minutagem perceptível.

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