Minha visão perambulava pela
paisagem suspensa em pensamentos baixos que se acinzentavam por entre pequenas
nuvens, cheias de energia marítima, que a mim pareceu procurar algum elemento ao
qual se ajuntar. Foi durante a evasão dos meus olhos que cheguei ao horizonte
tão seco e retilíneo que parecia uma navalha de corte reto. Na sequência minha
retina captou uma “chata” que, assim de longe, possuía elegância em um design
que quase a confundia com o oceano.
Apurei a mirada lançando um
olhar de lince ao perceber o movimento da barcaça que singrava as ondas com a
majestade de quem conhece o caminho seguindo a rota na precisão de metro por
metro. Encantada com esta visão de suavidade desejei estar lá para quem sabe,
poder marujar entre tanto aparato pesado e real colocado neste transporte que,
de longe, se confunde com uma lâmina, fina e leve.
Pouco tempo depois, enquanto a
embarcação desliza soberana percebi que o mar se fecha atrás dela, parecendo
meu pensamento que anseia soltar o que me prende para poder seguir em frente,
tão leve como estas nuvens que andam acompanhando o pequeno navio.
Em alguns instantes comecei a
pensar que o destino do navio, carregado de densa carga não possuía inclinação
de afundar seu casco. Em seu dorso carregava artefatos de ferro enferrujado
pela forte maresia companheira dos amantes do mar, óleo para azeitar as grossas
engrenagens e braços fortes que não se dobram durante as eventualidades de um
oceano cheio de segredos. Tudo isso navegava como pluma, sem sequer deixar
rastro de espuma.
Desci rapidamente do delírio no
qual me instalei um pouco mais cedo percebendo, humanamente, que o cinza que
envolvia minha alma começou a dissipar-se frente a realidade da vida dura que
perpassa qualquer trajetória. Decidi alterar minha perspectiva pessimista
analisando e rumando em direção a outro ângulo. E foi assim, no destempero de
um breve momento que eu pensei: “Já Volto! E fui conferir de perto a história
selvagem de quem vive no Mar.

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