terça-feira, 14 de abril de 2026

Coração em Fogo, Água Gelada

 


Cheguei frente ao mar tão cedo que as ondas pareciam estar apenas treinando um ritmo, sem saber para que lado iriam se unir ou rolar e, algumas, acabavam se desencontrando umas das outras na busca da cadência. De minha parte, cheguei até o mar, descalça, experimentando areia fria e encontrando as primeiras vagas aos meus pés. Geladas. Sorri internamente pois o oceano, neste dia, entendeu o meu desejo ao me ver de longe caminhar de encontro ao destino do dia. Nadar.

Sentei-me na areia alongando meu olhar para verificar se havia ali um trecho seguro para que eu me aventurasse em águas frias neste horário da manhã. Sem muito tempo de observação, encontrei em frente uma faixa que se configurava perfeita para um longo mergulho. A minha intenção era alcançar o movimento das ondas que, uma após outra, pareciam envolver um berço. Era exatamente ali, neste vai e vem silencioso que eu queria estar.

Agora que já estava escolhido o espaço deste mar que, como eu, decidia seu fragor analisando os ventos, caminhei resoluta, não me importando com as ondas calmas que vinham me receber, seguindo em frente porque o marulhar logo ali adiante se encrespava como é usual, mesmo em tempo de barômetro com preguiça de subir.

A água gelada foi se imiscuindo no meu corpo despertando a minha vontade férrea de encontrar neste banho de mar respostas para minha alma aflita. O oceano poderia sacudir minhas entranhas, gelar meu coração em fogo, assustar meu cérebro. Meus braços se ativaram com força no chiado das ondas salgadas e curativas de todo mal.

 

 

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