Cheguei frente ao mar tão cedo
que as ondas pareciam estar apenas treinando um ritmo, sem saber para que lado
iriam se unir ou rolar e, algumas, acabavam se desencontrando umas das outras
na busca da cadência. De minha parte, cheguei até o mar, descalça,
experimentando areia fria e encontrando as primeiras vagas aos meus pés.
Geladas. Sorri internamente pois o oceano, neste dia, entendeu o meu desejo ao
me ver de longe caminhar de encontro ao destino do dia. Nadar.
Sentei-me na areia alongando
meu olhar para verificar se havia ali um trecho seguro para que eu me
aventurasse em águas frias neste horário da manhã. Sem muito tempo de
observação, encontrei em frente uma faixa que se configurava perfeita para um
longo mergulho. A minha intenção era alcançar o movimento das ondas que, uma
após outra, pareciam envolver um berço. Era exatamente ali, neste vai e vem
silencioso que eu queria estar.
Agora que já estava escolhido
o espaço deste mar que, como eu, decidia seu fragor analisando os ventos,
caminhei resoluta, não me importando com as ondas calmas que vinham me receber,
seguindo em frente porque o marulhar logo ali adiante se encrespava como é
usual, mesmo em tempo de barômetro com preguiça de subir.
A água gelada foi se
imiscuindo no meu corpo despertando a minha vontade férrea de encontrar neste
banho de mar respostas para minha alma aflita. O oceano poderia sacudir minhas
entranhas, gelar meu coração em fogo, assustar meu cérebro. Meus braços se ativaram
com força no chiado das ondas salgadas e curativas de todo mal.

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