O dia amanheceu dando um soco
no horizonte que andava com sua audácia amornada, afinal, nem sempre a aurora
irrompe com o desejo de agitação sacolejando as ondas e espantando as gaivotas
para o lado da marujada que, ainda silente, fumava um palheiro na murada, aguardando
o direcionamento do vento para içar as velas. E foi assim, barulhento, que a
faina diária começou.
Vanisa, muito antes deste
rebuliço já andava às voltas com o fogo e a chaleira fervendo, os grãos de café
recém moídos escorregavam entre os dedos direto no bule de louça preferido. Vanisa
observava tudo com a avidez da renovação embora em sua morada tudo de mais
antigo fosse o que estava posto.
E foi bem deste jeito que ela pousou
- agora de fato – no chão rangedor da choupana escolhida que, ao seu olhar
apurado, brilhava; e a suntuosidade que por ventura honra os objetos por breves
momentos, se espelhava com largueza de detalhes a cada palmo da arrumação
dentro de si.
O movimento do dia em altos
brados despertou a bicharada, esta, que tem seus olhos em alto lume quando a
noite ainda acontece. Vanisa se sentiu energizada com o alvoroço sentindo que
se esvaía rapidamente a influência de sua chegada em alto mar. Seus pés ainda
descalços deslizavam suavemente no assoalho feito de toras resistentes e que
possibilitava frestear, dia sim e outro também, a visita das vagas menores que
se apresentam por natureza.
O café chiava no bule e o pão
caseiro da vizinha se oferecia no prato e, assim, um pouco parva com a
simplicidade entrando pela porta da frente, Vanisa sorveu a refeição, passou a
mão no xale, calçou as chinelas de corda trançada e se foi porta afora ansiosa
por criar calos por simplesmente viver.

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