O meu gosto pela mesmice
sempre se perde quando chega o período que o sol descansa sua força, quando a
contação do tempo estremece levemente anunciando que vai acontecer a transição
– mais uma – da ocasião deletéria da vida que perde a cor, podendo hoje ser
para sempre. A luz intensa do dia cumpre a rota das horas contadas neste
quadrante não se importando com os sentimentos controversos que atravessam como
raio o intervalo fugaz e determinante.
O dia que passa em fulgurante
arrumação, repentinamente enfraquece seu ímpeto, praticamente sem perceber que
é invadido pelo significado intrínseco e multifacetado do sentimento profundo
que invade o coração que, sem falhar nunca, recebe a todos que lhe vêm bater à
porta com igual afeição porque, este é o emblema que lhe foi alcunhado.
Sempre me detenho neste
momento, esteja onde estiver. Declino das minhas vontades para qualquer assunto
e corro para me encontrar comigo mesma porque a ordem da vida é chutar a rotina
para a raia, bem cedo.
Muitas vezes demoro a me
ambientar no meu interior profundo porque parece haver algo que me impede, que
tranca o meu pensamento que se arruma e desarruma na tentativa insana –
novamente – de colocar em pratos limpos a foguetama de assuntos desdenhados por
estarem de maneira espinhosa se mostrando.
A brisa que andou fazendo
rasantes apresentações, ao dobrar a esquina lembrou que o dia estava
terminando, assim como o sol que deixou de abrasar, recolheu-se fazendo
companhia ao clima que, com um sorriso benevolente recebia a todos. E é sempre
neste momento, mesmo repetido, que surge a mágica da hora das lágrimas que vão
escorrer em múltiplas faces, por indeterminado tempo e por desconhecidos temas.
É sempre neste momento de mesmice
inicial que eu findo minha trajetória de tempo presente, lavada em abundante
pranto sempre recolhido pela página em branco.

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