quinta-feira, 30 de abril de 2026

A Hora das Lágrimas

 


O meu gosto pela mesmice sempre se perde quando chega o período que o sol descansa sua força, quando a contação do tempo estremece levemente anunciando que vai acontecer a transição – mais uma – da ocasião deletéria da vida que perde a cor, podendo hoje ser para sempre. A luz intensa do dia cumpre a rota das horas contadas neste quadrante não se importando com os sentimentos controversos que atravessam como raio o intervalo fugaz e determinante.

O dia que passa em fulgurante arrumação, repentinamente enfraquece seu ímpeto, praticamente sem perceber que é invadido pelo significado intrínseco e multifacetado do sentimento profundo que invade o coração que, sem falhar nunca, recebe a todos que lhe vêm bater à porta com igual afeição porque, este é o emblema que lhe foi alcunhado.

Sempre me detenho neste momento, esteja onde estiver. Declino das minhas vontades para qualquer assunto e corro para me encontrar comigo mesma porque a ordem da vida é chutar a rotina para a raia, bem cedo.

Muitas vezes demoro a me ambientar no meu interior profundo porque parece haver algo que me impede, que tranca o meu pensamento que se arruma e desarruma na tentativa insana – novamente – de colocar em pratos limpos a foguetama de assuntos desdenhados por estarem de maneira espinhosa se mostrando.

A brisa que andou fazendo rasantes apresentações, ao dobrar a esquina lembrou que o dia estava terminando, assim como o sol que deixou de abrasar, recolheu-se fazendo companhia ao clima que, com um sorriso benevolente recebia a todos. E é sempre neste momento, mesmo repetido, que surge a mágica da hora das lágrimas que vão escorrer em múltiplas faces, por indeterminado tempo e por desconhecidos temas.  É sempre neste momento de mesmice inicial que eu findo minha trajetória de tempo presente, lavada em abundante pranto sempre recolhido pela página em branco.

 

 

 

 

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