O amanhecer hoje foi bem
estranho porque eu estava com a impressão que havia alguém do meu lado,
parecendo uma sombra, mas não podia ser porque ela estava igual a mim, somente
com o contorno desigual tirando minha figura do foco. Comecei a fazer minha
caminhada para ver se ela me seguia e, muito importante, se seguia ao meu lado
sendo tão igual.
Eu entendi que as rasuras não
eram parelhas, deixando a figura como se estivesse estremecida e este
pensamento me soou como um aviso. Poderia ser de mim mesma porque talvez eu não
tenha ouvido minha fina intuição em determinado momento e o meu interior
resolveu criar uma parte oculta com tantas nuances a sua volta que ficaria
impossível que eu não percebesse o movimento de alerta. Resolvi azeitar o meu
pensamento na busca de solução para que esta imagem ao lado desaparecesse, mas,
para isso, eu teria que descobrir o que ela queria que eu fizesse.
Achei que havia um certo
sentido no que eu estava tentando adivinhar e – sem voltar atras no tempo como
eu havia me prometido – abri a única gaveta organizada de assunto me deparando
com surpresa que o repertório que eu não havia conseguido entender e finalizar
continuava ali, numa perfeita fila de espera, inclusive de prioridade que o
próprio assunto estabeleceu por si.
Me espantei que eu houvesse
trazido para mim tantas questões reais e complexas e colocado no meu tabuleiro
diário de conversa. Não vieram do passado, mas sim, do presente. Para acabar
com este assunto esquisito fui conferir a tabela organizada e ali estava o
engano, a falsidade, a traição, o descaso, a desimportância e o alheamento. Todos
eles cantado no contorno do meu espectro. Fechei a gaveta, levantei o nariz e
decidi que por ora tudo fica enterrado no tempo presente.

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