domingo, 4 de janeiro de 2026

Tabuleiro do Dia

 


O amanhecer hoje foi bem estranho porque eu estava com a impressão que havia alguém do meu lado, parecendo uma sombra, mas não podia ser porque ela estava igual a mim, somente com o contorno desigual tirando minha figura do foco. Comecei a fazer minha caminhada para ver se ela me seguia e, muito importante, se seguia ao meu lado sendo tão igual.

Eu entendi que as rasuras não eram parelhas, deixando a figura como se estivesse estremecida e este pensamento me soou como um aviso. Poderia ser de mim mesma porque talvez eu não tenha ouvido minha fina intuição em determinado momento e o meu interior resolveu criar uma parte oculta com tantas nuances a sua volta que ficaria impossível que eu não percebesse o movimento de alerta. Resolvi azeitar o meu pensamento na busca de solução para que esta imagem ao lado desaparecesse, mas, para isso, eu teria que descobrir o que ela queria que eu fizesse.

Achei que havia um certo sentido no que eu estava tentando adivinhar e – sem voltar atras no tempo como eu havia me prometido – abri a única gaveta organizada de assunto me deparando com surpresa que o repertório que eu não havia conseguido entender e finalizar continuava ali, numa perfeita fila de espera, inclusive de prioridade que o próprio assunto estabeleceu por si.

Me espantei que eu houvesse trazido para mim tantas questões reais e complexas e colocado no meu tabuleiro diário de conversa. Não vieram do passado, mas sim, do presente. Para acabar com este assunto esquisito fui conferir a tabela organizada e ali estava o engano, a falsidade, a traição, o descaso, a desimportância e o alheamento. Todos eles cantado no contorno do meu espectro. Fechei a gaveta, levantei o nariz e decidi que por ora tudo fica enterrado no tempo presente. 

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