sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Dia Um

 


Neste dia que aparentemente é emblemático para todos sempre soa a mim contendo uma certa falsidade que não me permito explorar neste momento e talvez, em nenhum outro, porque ao olhar o calendário e me deparar com a virada dei-me conta que aqui no meu entorno físico, temporal e emocional tudo continua do mesmo jeito, com os ajustes que me permiti, a anuência do mundo muitas e tantas vezes, a fuga as vezes necessária e mais muitos itens que fazem parte da minha verborragia jogada em tela.

Com o coração na boca, para ter certeza desta situação, resolvi espiar através da veneziana, minha parceira de espionagem e que, inclusive, possui alguns recortes direcionados a este mundo lá na rua o qual preciso estar inserida. As minhas janelas e aberturas conversam comigo – todas elas – porque em cada canto da casa existe um observatório que atua de dentro para fora, diversificando a personalidade da espionagem.

Me pus a espiar deixando de lado minhas ideias preconcebidas, ultrapassadas e recorrentes e armei o meu olhar como se fosse um binóculo que possuísse várias lentes para que eu assim pudesse aumentar ou diminuir o que aparecia em frente. Imediatamente percebi um tom cínico que surgiu no interior do ambiente flanando ao redor do pensamento, mas, resolvi não fazer caso da sua presença e fui cumprir com a minha missão do dia: ver como O Dia Um se apresentava aos meus olhos.

Me posicionei na trincheira da observação reservando a minha visão uma avidez de curiosidade para encarar o mundo do lado de lá, o qual o Mar faz parte. Escancarei a janela e constatei que ele continua no mesmo lugar, imponente calmo e lindo mesmo sofrendo ataque de humores marítimos. Me debrucei para olhar o entorno da minha morada e me dei conta que O Dia Um apenas se traveste de ocorrência excepcional.

 

 

 

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