Neste dia que aparentemente é
emblemático para todos sempre soa a mim contendo uma certa falsidade que não me
permito explorar neste momento e talvez, em nenhum outro, porque ao olhar o
calendário e me deparar com a virada dei-me conta que aqui no meu entorno físico,
temporal e emocional tudo continua do mesmo jeito, com os ajustes que me
permiti, a anuência do mundo muitas e tantas vezes, a fuga as vezes necessária
e mais muitos itens que fazem parte da minha verborragia jogada em tela.
Com o coração na boca, para
ter certeza desta situação, resolvi espiar através da veneziana, minha parceira
de espionagem e que, inclusive, possui alguns recortes direcionados a este
mundo lá na rua o qual preciso estar inserida. As minhas janelas e aberturas
conversam comigo – todas elas – porque em cada canto da casa existe um
observatório que atua de dentro para fora, diversificando a personalidade da
espionagem.
Me pus a espiar deixando de
lado minhas ideias preconcebidas, ultrapassadas e recorrentes e armei o meu
olhar como se fosse um binóculo que possuísse várias lentes para que eu assim
pudesse aumentar ou diminuir o que aparecia em frente. Imediatamente percebi um
tom cínico que surgiu no interior do ambiente flanando ao redor do pensamento,
mas, resolvi não fazer caso da sua presença e fui cumprir com a minha missão do
dia: ver como O Dia Um se apresentava aos meus olhos.
Me posicionei na trincheira da
observação reservando a minha visão uma avidez de curiosidade para encarar o
mundo do lado de lá, o qual o Mar faz parte. Escancarei a janela e constatei que
ele continua no mesmo lugar, imponente calmo e lindo mesmo sofrendo ataque de
humores marítimos. Me debrucei para olhar o entorno da minha morada e me dei
conta que O Dia Um apenas se traveste de ocorrência excepcional.

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