terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Sem Destino

 


Eu moro em uma rua sem destino que aponta direto para o mar, sem intercorrência, não havendo nada que me tranque a passagem e ao olhar para o fim da rua vários destinos me vem à cabeça a começar de passar a vida  no mar, embarcar em alguma caravela que dependa da minha habilidade como marinheira e manejar as ferramentas da embarcação que decidirão se o barco vai conquistar o oceano ou se terá seu destino fadado a tanta luta e desistência em meio ao marulhar das ondas que arriará as velas, empacotará o mastro e decidirá que ali não conseguirá, com este balanço, montar seu ninho.

Outra ideia que me ocorreu foi a de me tornar um pescador, daqueles que de madrugada adere a sua canoa com apenas remos, singrando corajoso até depois da arrebentação. O mais interessante para O Homem do Mar é a certeza que vai encontrar os cardumes de peixes que ficarão a sua volta com seu destino selado na missão de alimentar a família do guerreiro. Vez ou outra acontece um rebuliço nas altas ondas quando o vento não consegue se entender com a profundeza e, ali, acontece uma discussão. Neste caso é sempre melhor voltar para a margem e tarrafear, ou quem sabe cometer a heresia de comprar um peixe na peixaria. O mais importante é não se afastar do Rei das Águas.

A outra opção de viver a Vida que imaginei é me tornar uma nadadora de alto mar e, todo dia, não importando se está frio ou quente, se tem onda ou não, se a câimbra vai atacar, se haverão tubarões na volta ou botos se divertindo o objetivo é entrar no oceano com a garra de querer atravessá-lo. Sem duvida este destino vai depender do conjunto que compõe meus ossinhos....Depois desta divagação matutina, sentada na beira do mar, resolvi voltar pela rua sem destino onde moro porque – aparentemente - eu não gosto de Ir.

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