Eu moro em uma rua sem destino
que aponta direto para o mar, sem intercorrência, não havendo nada que me
tranque a passagem e ao olhar para o fim da rua vários destinos me vem à cabeça
a começar de passar a vida no mar,
embarcar em alguma caravela que dependa da minha habilidade como marinheira e
manejar as ferramentas da embarcação que decidirão se o barco vai conquistar o
oceano ou se terá seu destino fadado a tanta luta e desistência em meio ao
marulhar das ondas que arriará as velas, empacotará o mastro e decidirá que ali
não conseguirá, com este balanço, montar seu ninho.
Outra ideia que me ocorreu foi
a de me tornar um pescador, daqueles que de madrugada adere a sua canoa com apenas
remos, singrando corajoso até depois da arrebentação. O mais interessante para
O Homem do Mar é a certeza que vai encontrar os cardumes de peixes que ficarão
a sua volta com seu destino selado na missão de alimentar a família do
guerreiro. Vez ou outra acontece um rebuliço nas altas ondas quando o vento não
consegue se entender com a profundeza e, ali, acontece uma discussão. Neste
caso é sempre melhor voltar para a margem e tarrafear, ou quem sabe cometer a
heresia de comprar um peixe na peixaria. O mais importante é não se afastar do
Rei das Águas.
A outra opção de viver a Vida
que imaginei é me tornar uma nadadora de alto mar e, todo dia, não importando
se está frio ou quente, se tem onda ou não, se a câimbra vai atacar, se haverão
tubarões na volta ou botos se divertindo o objetivo é entrar no oceano com a
garra de querer atravessá-lo. Sem duvida este destino vai depender do conjunto
que compõe meus ossinhos....Depois desta divagação matutina, sentada na beira
do mar, resolvi voltar pela rua sem destino onde moro porque – aparentemente -
eu não gosto de Ir.

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