Andei por aí, perdida de mim
de propósito porque havia um chamado urgente que me dizia que havia premência
em refazer algumas coisas da minha alma algo que eu tanto resistia, me
acabrunhava, deixava de lado sempre em duvida de me desapegar de tudo o que
para mim era certo e justo, que as pedras estavam dispostas daquele jeito e
seria por ali que eu deveria seguir, por bem ou por mal.
Houve um momento em que eu não
me encontrei mais, não achei minhas convicções, procurei por toda parte, andei
pela casa, pelo mar, pela rua, pelo mato e nada, nadinha, tudo estava em branco
como se eu houvesse me evadido do meu lugar.
Rumei para a mata nativa
porque o mar estava tão calmo que não me daria respostas que sempre vem aos
borbotões como ele gosta de fazer. Resolvi dar uma folga uma vez que hoje a cor
prata do amanhecer me comoveu e eu pensei: está bem, vou me embrenhar entre raízes,
troncos beijando a terra, folhas, frutos e caules espinhosos, relva agreste,
sendo este o ambiente escolhido como pano de fundo para que a fabulosa ideia de
reescrever vai surgir.
Ao sentar em uma pedra secular
coberta de um musgo macio que pensei na Solidão como primeira palavra que vou
adotar em um espaço pequeno no meu quadro de aviso porque dela não posso
prescindir. A segunda veio de um golpe porque assusta e ela se chama Dor sendo
aceita com leveza porque faz parte de um contexto meu e por este motivo será
escrita. A terceira sugestão apareceu para que eu não esqueça de colocar em
ordem minhas resoluções e então inseri o Respeito em lugar especial. Na
sequencia não podia ser diferente, O Texto e a Fuga vieram juntos para que eu
pudesse afirmar deslindando ou negando e fugindo.

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