Hoje ando pensando em coisas
raras, talvez com uma certa vontade de maltratar o caderno já roto de tantas
observações, alguma relevante, outra absurda, uma guardada a sete chaves para ser usada depois e
o depois nunca chega, aqui e ali dezenas descartadas com raiva porque, por
qualquer motivo, não consegui me conectar com ela ou com seu significado,
restando ali, na margem, com um olhar de deboche escorregando sua composição
nas curvas do espiral. Foi deste jeito que iniciei a jornada do escreve apaga
do dia.
Sempre imaginei que a
caminhada seguiria para o Infinito que me cerca por todos os lados sem perceber
que, ao voltar, existe este recanto onde me deparo com o Limite, este mesmo,
tão meu, tão caro, tão exclusivo que me custou a crer encontrá-lo cheio de
entraves reais que ali foram colocados por mim e que agora neste momento
infindável da minha mente não mais os reconheço porque, de fato, parece apenas
ser uma ameaça vinda do lado de fora e não uma composição de hábito onde eu
danço todo dia para cumprir em pé de valsa.
Devo crer que por entre as
frestas deste lugar que se avizinha do Infinito aconteceu uma demarcação vinda
não sei bem de onde se instalando sem comiseração e sem pedir licença para este
ambiente sagrado. Entre a arrumação
exalava a fumaça disfarçada de incenso, uma brisa leve oriunda de um furacão
sem precedente, minúsculo estilhaço de alheios, pequeno resíduo do turbilhão da
maré e tantas marcas invisíveis se mostraram a mim neste retorno do guardião
dos dias: O Infinito.

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