terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Infinito Limite

 


Hoje ando pensando em coisas raras, talvez com uma certa vontade de maltratar o caderno já roto de tantas observações, alguma relevante, outra absurda, uma  guardada a sete chaves para ser usada depois e o depois nunca chega, aqui e ali dezenas descartadas com raiva porque, por qualquer motivo, não consegui me conectar com ela ou com seu significado, restando ali, na margem, com um olhar de deboche escorregando sua composição nas curvas do espiral. Foi deste jeito que iniciei a jornada do escreve apaga do dia.

Sempre imaginei que a caminhada seguiria para o Infinito que me cerca por todos os lados sem perceber que, ao voltar, existe este recanto onde me deparo com o Limite, este mesmo, tão meu, tão caro, tão exclusivo que me custou a crer encontrá-lo cheio de entraves reais que ali foram colocados por mim e que agora neste momento infindável da minha mente não mais os reconheço porque, de fato, parece apenas ser uma ameaça vinda do lado de fora e não uma composição de hábito onde eu danço todo dia para cumprir em pé de valsa.

Devo crer que por entre as frestas deste lugar que se avizinha do Infinito aconteceu uma demarcação vinda não sei bem de onde se instalando sem comiseração e sem pedir licença para este ambiente sagrado.  Entre a arrumação exalava a fumaça disfarçada de incenso, uma brisa leve oriunda de um furacão sem precedente, minúsculo estilhaço de alheios, pequeno resíduo do turbilhão da maré e tantas marcas invisíveis se mostraram a mim neste retorno do guardião dos dias: O Infinito.

 

 

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