Eu estou aqui pensando que
este é o último dia do ano e estou catando algum argumento para que esta data
seja distinta de tantas outras e acabei pensando que na verdade este dia não é
diferente de todos os outros que se apresentaram a mim e que me obrigaram a
passar sem querer, por querer ou mesmo sem não querer porque quando o dia nasce
o primeiro movimento é atávico de levantar e ir, simplesmente.
Para alguns o final se
estabelece como um grand finale, a apoteose de dias em que o sol nasceu e se
pôs e foram assistidos com lupa microscópica e fazendo - ou tentando fazer -
correções a cada respirada de parágrafo, deixando assim todos os fatos intervalados
com rara precisão. No final tudo parece ter sido azeitado e o fôlego, apesar de
dar sinais de fraqueza, ainda existe. Apenas mais uns poucos passos e por agora
tudo termina na demonstração de um mero número.
Após todos estes pensamentos
virem à tona para mim, talvez um tanto confusos, continuo a não encontrar o que
o faz diferente porque, neste ano em particular acabei organizando várias
coisas em malas diversas a começar pela mania de olhar para trás e tentar
corajosamente consertar um tempo determinado o que se mostrou impossível, assim,
saquei do fundo do armário todos estes argumentos, empilhei com critério por data,
afivelei e o descartei neste tempo de hoje que por pura solidariedade o recebeu
e o guardou em um lugar especial em que não terei acesso.
O mais que apareceu, como
pequenas perdas que fazem parte do repertório da vida foram liberadas e
mantidas em minúsculas maletas para que se eu necessitar de algum socorro
emocional, as acesse. Por enquanto foi isso que eu encontrei dentro de mim
neste ano que termina. Apenas mais um.

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